Para ator, Grécia Antiga é o melhor guia para entender o Brasil moderno

Estudioso da poesia grega, Rodrigo Lopéz falou no Fiis sobre o papel da poesia para a felicidade

Beatriz Maia
Poços de Caldas (MG)

Formado em artes cênicas pela USP e conhecido por papéis no teatro e na televisão, Rodrigo Lopéz encena um personagem cheio de vícios modernos para mostrar à plateia que o mundo está cheio de idiotas.

Na palestra sobre o amor na Grécia Antiga que realizou no terceiro dia do Fiis (Festival de Inovação e Impacto Social), o ator lembrou o pensamento de filósofos e poetas gregos. A partir dessas ideias, discutiu o prazer na sociedade contemporânea e criticou o narcisismo. “A Grécia Antiga é o melhor guia para o Brasil moderno”, afirmou.

Rodrigo Lopéz no painel Amor na Grécia Antiga durante o Fiis
Rodrigo Lopéz no painel Amor na Grécia Antiga durante o Fiis - Anderson Heldt/Divulgação

O mergulho na antiguidade para encarar o mundo moderno começou com a importância da poesia para entender a experiência humana. Perdido o valor do olhar lírico para o mundo, sobra, então, apenas o narcisismo. “Poesia não é adereço, não é 'mimimi', não é uma coisa afeminada”, disse o ator.

Lopéz defendeu o valor da filosofia e da poesia para que o prazer seja objeto de reflexão e não de consumo. "O prazer não está mais no lugar das ideias, da convivência. O fim de semana bom é o que o sujeito fala 'fui ao shopping e comprei uma coisa pra mim'", definiu Lopéz.

O estudo dos gregos ajudaria a ver a vida com mais integridade. Isso porque, na visão do ator, verdadeiro prazer era entendido como os momentos de troca de afeto dos quais se lembra para sempre.

O ator criticou o que chama de “loucura contemporânea do amar-se”. Para ele, as pessoas se comportam como crianças mimadas, que precisam se agradar o tempo todo. “Você não vai mais numa doceria comer um brigadeiro, é uma ‘chocolate experience’. É uma cafonice. Tudo é uma experiência, e tudo é em inglês”, disse o ator, tirando risos da plateia.

O resultado desse contexto é o pensamento voltado para o futuro próximo, que guarda o otimismo. O contentamento seria impossível se há sempre uma possibilidade melhor a ser alcançada em seguida.  Voltadas para si e trocando as experiências coletivas pelos prazeres individuais, as pessoas se tornam idiotas, na visão do ator.

FESTIVAL

O Fiis ovimenta Poços de Caldas entre os dias 2 e 7 de novembro no Palace Cassino, no centro da cidade. O evento agrega o encontro anual da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais, formada por cem líderes, o Congresso Sorriso do Bem, da Turma do Bem, correalizadora desta edição, e o Fórum Melhores Práticas para Saúde no Terceiro Setor, da Aliança Latina.

Na programação, temas como o futuro dos negócios sociais e das ONGs, captação, mobilização e conexão, inovação e novo significado do voluntariado serão discutidos durante masterclasses, workshops e painéis que contarão com a participação de empreendedores, investidores e empresas que atuam por impacto positivo.

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