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Público fitness sente a alta dos preços do whey protein; saiba como substituir

Apesar do crescimento do mercado no Brasil, suplementos usados por frequentadores de academias ficaram mais caros

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Maria Tereza Santos
São Paulo

Com o arrefecimento da pandemia de coronavírus, os marombeiros ou a turma fitness, como são conhecidos, voltaram para as academias de ginástica. E para turbinar os resultados dos treinos, muitos recorrem a suplementos proteicos, como o whey protein. Nos últimos meses, porém, eles sentiram no bolso o aumento dos preços desses produtos em comparação com anos anteriores.

O mercado de suplementos alimentares para praticantes de atividade física cresceu 46% no Brasil nos últimos cinco anos, de acordo com o Euromonitor International, provedor de pesquisa de mercado. Em 2016, esse setor era avaliado em R$ 1,3 bilhão, passando para R$ 1,8 bilhão em 2021. Ainda há a expectativa de crescer 7,2% até 2026.

O estudante Pedro Vilela, 21, de Belo Horizonte (MG), conta que, em 2021, comprava uma embalagem de 800 gramas de um whey de marca conhecida, por menos de R$ 100, mas hoje o mesmo produto sai entre R$ 120 a R$ 140.

Mercado de suplementos cresceu no Brasil, e público fitness sente a alta dos preços dos produtos - Faraktinov/Adobe Stock

O que assustou mesmo os consumidores, porém, foi o valor da creatina.

"O aumento da creatina foi diferente porque sempre foi um suplemento mais barato. A minha ainda não acabou, mas meu whey sim e estou desanimado para comprar outro porque está muito caro", lamenta Pedro.

O estagiário de administração Samuel Granoski dos Santos,19 , de São Leopoldo (RS), pagava no máximo R$70 e hoje encontra pelo dobro do preço ou até mais.

"Para mim, pesou bastante porque sempre compro os dois juntos. Eles acabaram há pouco tempo e decidi repor só a creatina", informa Samuel.

A reclamação não é à toa. Além do impacto da crise que está afetando todos os setores da economia, o aumento dos preços também estão relacionados à falta de matéria-prima. A Growth Supplements, fornecedora do setor no Brasil, afirma que o mercado não escapou desse cenário.

"O preço está ligado a inúmeros pontos que tiveram aumento, seja o preço do frete marítimo, como o aumento no preço da matéria-prima, que foi afetada diretamente pelo desabastecimento e pela inflação global", diz, em nota.

De acordo com o nutrólogo e médico do esporte Carlos Alberto Werutsky, diretor da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia), os suplementos proteicos, por definição, são constituídos de proteínas de alto valor biológico.

Existem diversos tipos no mercado e cada um tem uma função específica. O whey, por exemplo, é produzido a partir da proteína extraída do soro do leite e tem o objetivo de reparar o dano da fibra muscular após o treino.

A creatina, por sua vez, é usada para restituir a reserva energética muscular. "Ela constitui a fosfocreatina, que se transforma em ATP, uma molécula rica em energia", explica Werutsky.

O colágeno, por outro lado, repara danos em cartilagem, ligamentos e tendões. Normalmente é relacionado à melhora do aspecto da pele, unhas e cabelo, por ser uma proteína que naturalmente faz esse trabalho no nosso corpo.

A nutricionista Karin Marin, da ABNE (Associação Brasileira de Nutrição Esportiva, alerta, porém, que não há comprovação científica dos benefícios de suplementos à base de colágeno.

"Mesmo o colágeno sendo amplamente divulgado pelo apelo estético, é importante ressaltar que as pesquisas ainda são inconclusivas, por existir limitações metodológicas que impossibilitam esclarecer os reais efeitos de seu consumo", adverte Marin.

É preciso consumir suplemento para ganhar massa?

Os principais consumidores desse tipo de produto são esportistas e frequentadores de academia. Mas os especialistas alertam que o uso não é obrigatório para criar músculos ou emagrecer.

"Culturalmente, acredita-se que as pessoas que se exercitam precisam se preocupar prioritariamente com o consumo de proteína, o que não é verdade", relata a nutricionista da ABNE.

O mito gira em torno da sua função, que é também promover a manutenção e aumento da massa muscular. Mas se o consumo de outros nutrientes não for realizado de forma adequada, a função construtora da proteína é prejudicada.

"Para que haja um bom desempenho em qualquer modalidade esportiva, é necessária uma alimentação adequada no geral", completa Marin.

Em geral, quem precisa de suplementos são os indivíduos que não conseguem atingir a sua necessidade diária só com a alimentação.

Werutsky, diretor da Abran, lembra ainda que o acompanhamento de um especialista é de extrema importância para definir se o uso é necessário e qual o suplemento adequado. "Quem vai iniciar o consumo precisa da orientação de um nutricionista ou nutrólogo porque há um momento e dose certos, e também para escolher o tipo específico de suplemento", aconselha.

Dá para substituir os suplementos na alimentação?

Os especialistas reiteram que a obrigatoriedade de suplementação deve ser avaliada de forma individual. Com exceção dos casos em que de fato há necessidade, é plenamente possível substituí-la por alimentos comuns do dia a dia. Aliás, essa deveria ser a prioridade.

"Suplementos têm que ser usados para complementar a alimentação e não substitui-la", diz Werutsky.

É o que tem feito Samuel durante a crise. Ele conta que tem tentado substituir as gramas que um medidor de whey porporcionava pelas proteínas do ovo e do frango, o que não considera uma tarefa fácil.

"Para bater a medida de um medidor eu preciso comer cinco ovos. Para quem já come muito na dieta a fim de ganhar massa muscular, fica complicado ter que ingerir proteína pesada para compensar", afirma.

O nutricionista ou nutrólogo podem ajudar nessa avaliação quantitativa, até para ajustar de acordo com a realidade do paciente, afirma Werutsky . "O total de proteínas que uma pessoa precisaria durante o dia está em torno de 1,5 gramas por quilo do peso corporal. É uma quantidade possível de retirar da alimentação habitual."

Com a alta dos preços, é importante estar atento para não comprar suplementos que não são aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Esses produtos normalmente são vendidos a um preço mais baixo, principalmente na internet.

Erramos: o texto foi alterado

Versão anterior deste texto dizia que o setor de suplementos alimentares era avaliado em R$ 1,3 milhão em 2016, passando para R$ 1,8 milhão em 2021. O correto é R$ 1,3 bilhão em 2016 e R$ 1,8 bilhão em 2021. O texto foi corrigido.

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