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Não é preciso interromper o uso de adoçantes, dizem especialistas

OMS contraindicou o produto para controle de peso; médicos dizem que recomendação do órgão é direcionada a governos

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São Paulo

A nova diretriz da OMS contra o uso de adoçantes para controle de peso levantou dúvidas sobre a segurança do produto e em que situação o usuário deve deixar o composto de lado. Especialistas consultados pela Folha afirmam que a recomendação não deve ser aplicada a nível pessoal, pois se trata de uma recomendação direcionada a governos.

Os médicos afirmam que não é necessário interromper o uso de adoçantes, mas que é importante consultar um profissional para ter uma orientação dietética personalizada.

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Especialistas dizem que não é necessário interromper o uso de adoçantes - Wirestock/Freepik

Segundo Roberto Raduan, endocrinologista da BP (A Beneficência Portuguesa de São Paulo), as discussões sobre a toxicidade dos adoçantes ocorrem há décadas, mas ainda não há consenso científico sobre os potenciais benefícios ou malefícios desses compostos.

O especialista diz que os usuários devem consumir as substâncias dentro de limites considerados seguros. Além disso, o uso dos adoçantes artificiais é indicado para auxiliar no tratamento de pacientes diabéticos, que devem evitar o consumo de açúcares de qualquer tipo.

De acordo com a FDA (agência americana reguladora de alimentos e medicamentos), a recomendação diária varia de acordo com o composto. O limite do aspartame, por exemplo, é de 50 mg/kg por dia. A ingestão da sacarina, por outro lado, é de até 15mg/kg. O limite da sucralose é ainda mais baixo, de 5 mg/kg.

No novo relatório, a OMS indica que o uso de adoçantes pode estar relacionado ao desenvolvimento de doenças como diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares e certos tipos de cânceres em adultos. Contudo, também classifica as evidências científicas relacionadas a esse risco como de "baixas a moderadas".

A contraindicação é para qualquer composto (natural ou sintético) não nutritivo, utilizado como adoçante e que não seja classificado como açúcar. Alguns exemplos são aspartame, ciclamato, sacarina, sucralose e stevia. Além disso, vale para adultos e crianças não diabéticos. Não estão inclusos o xilitol e o eritritol.

Em relação ao uso para controle de peso, Raduan diz que é preciso lembrar que os adoçantes não causam perda de peso. São compostos utilizados em dietas para facilitar o déficit calórico, uma vez que possuem baixa ou nenhuma quantidade de calorias, mas não têm efeito de emagrecimento propriamente dito.

"O paciente tem que saber que o que causa emagrecimento é uma dieta balanceada, com alimentos saudáveis e poucas calorias", diz. O uso de adoçantes ou produtos artificialmente adoçados, muitas vezes, funciona como auxílio a esse objetivo, pontua.

"É um produto que ajuda no tratamento de diabetes e obesidade, e pode ser usado seguindo os critérios de recomendação", indica Raduan.

À reportagem da Folha, a endocrinologista Maria Edna de Melo afirmou que a recomendação é direcionada a governos, e deve pesar na formulação de políticas públicas de redução do consumo de alimentos processados, como por meio de estratégias como a rotulagem de alimentos. Não deve, porém, ser utilizada como orientação a nível pessoal.

Para isso, ela recomenda realizar uma avaliação com profissionais de saúde que possam indicar a melhor alternativa.

"Enquanto as evidências científicas são bem definidas com relação aos malefícios do consumo aumentado de açúcar, as evidências [contra o consumo] de adoçantes ainda não são definitivas, como enfatizado no próprio posicionamento [da OMS]", afirma.

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