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Como gostar de salada?

Especialistas recomendam experimentar novos alimentos e testar diferentes preparações

Gabriel Alves
São Paulo

Estamos em janeiro, época em que proliferam as resoluções do tipo “neste ano vou me alimentar melhor, vou comer mais salada”. Mas na hora de cumprir a promessa são outros quinhentos. Como passar a amar cenoura, alface, rabanete e cia?

Segundo profissionais ouvidos pela Folha, o primeiro passo é a disposição para tentar. “A gente sempre pergunta por que a pessoa quer fazer essa mudança —e explica que ela é possível. Se persistir, o paladar vai mudar e ela pode, sim, gostar de saladas”, afirma a nutricionista Alessandra Hellbrugge.

Salada de endívia
Salada de endívia - Divulgação

Uma das dicas de Hellbrugge é inserir um ingrediente por vez, testando combinações. E, segundo ela, a salada não precisa ser sem graça. Alguns temperos e molhos feitos em casa podem melhorar bastante a palatabilidade, como mostarda com mel, limão, vinagrete  e pesto. Salsinha, cebolinha e manjericão também levantam o paladar sem precisar apelar para os molhos industrializados. Iogurte também pode ser uma boa.

A nutricionista Vânia Escórcio recomenda que aqueles que nunca tiveram muito amor por verduras e legumes aumentem a frequência da salada na dieta aos poucos: primeiro três vezes na semana, depois cinco e, por fim, sete —o ideal. 

Para começar, as escolhas devem ser aquelas menos estranhas ao paladar, como alface, tomate, pepino e cenoura ralada. Aos poucos, podem ser inseridas opções como rúcula, brócolis, aspargo, agrião, berinjela, a fim de fugir da monotonia.

“O ideal é deixá-las o mais colorido possível, já que o visual estimula o apetite”, diz Escórcio. “Não se pode esquecer de consumir as saladas mesmo quando a rotina mudar, principalmente em eventos”, afirma.

Uma das estratégias para montar um bom prato de salada é ter em mente que alguns itens podem ser comidos mais livremente (alimentos ricos em água e pouquíssimo calóricos, como alface e pepino) e outros nem tanto (como abóbora, beterraba, cenoura, mais calóricos), conta Hellbrugge

Alguns itens podem dar outra cara ao prato. Frutas como manga e maçã podem entrar na combinação, caso sejam do agrado (sempre vale a pena tentar três vezes antes de dizer que não gosta de determinado ingrediente). Outra opção são sementes (de girassol e abóbora, por exemplo), além de castanhas e torradas (com moderação). 

Carnes também podem entrar na jogada. Filé de frango, salmão, atum e lagarto (assado ou na forma de carpaccio) combinam com salada de folhas e quase todo tipo de legume. Aí a salada é promovida de entrada para prato principal.

A coach de emagrecimento Beatriz Grantham lembra que mesmo entre as folhas há grande variedade para testar: couve, acelga, endívia, repolho verde, repolho roxo… e que há várias maneiras de se preparar legumes. A abobrinha, por exemplo, pode ser comida ralada e crua, pode virar espaguete e ser cozida, ser refogada com cebola e shoyu ou recheada com carne moída e assada. “É assim para quase todos os legumes”, diz Grantham.

Ela lembra que o paladar pode ser treinado: pessoas com uma dieta rica em açúcar, por exemplo, tendem a sentir menos o doce dos alimentos. Algumas semanas de mudança de hábitos alimentares, no entanto, são suficientes para restaurar a capacidade de apreciar os sabores. 

Para garantir que a salada seja de baixa caloria —adequada para uma dieta de emagrecimento, por exemplo— o ideal é fugir de itens ricos em carboidrato como macarrão, batata, batata doce, mandioca e pães. 

Força, que vai dar certo.

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