Brasil participará de fase avançada de teste de vacina contra HIV

3.800 voluntários de oito países devem participar do ensaio clínico

Matheus Moreira
São Paulo

​Uma vacina preventiva contra o HIV deve passar pela última fase de testes em humanos em oito países da Europa e da América, entre eles o Brasil, para avaliação de sua eficácia.

A pesquisa, apelidada de Mosaico por juntar vários subtipos do vírus para formar uma proteção ampla, está na fase 3. Esse é o estágio mais avançado dos testes antes de a imunização ser aprovada. Nessa etapa, milhares de voluntários recebem a vacina para que a capacidade de prevenir novas infecções seja avaliada.

A vacina, iniciativa do NIH (Institutos Nacionais de Saúde) dos EUA, será testada em 3.800 homens e pessoas transexuais que mantêm relações sexuais com homens e transexuais e que tenham entre 18 e 60 anos. Nos EUA, as inscrições devem começar ainda em 2019. 

Todos os voluntários receberão um kit de prevenção contra HIV, incluindo o PrEP (Profilaxia pré-exposição), medicamento utilizado para impedir o contágio pelo vírus, e a vacina experimental (ou o placebo) de forma aleatória.
Todos os voluntários receberão um kit de prevenção contra HIV, incluindo o PrEP (Profilaxia pré-exposição), medicamento utilizado para impedir o contágio pelo vírus, e a vacina experimental (ou o placebo) de forma aleatória. - REUTERS/Nacho Doce

No Brasil, a Faculdade de Medicina da USP será uma das instituições parceiras envolvidas no teste, segundo Esper Kallás, imunologista e professor da FMUSP (Faculdade de Medicina da USP). Ele afirma, porém, que ainda deve demorar alguns meses até que se possa falar em inscrições de voluntários. A FMUSP recebeu apenas uma carta oficializando a parceria e aguarda os protocolos do teste.

O público-alvo tem a ver com a alta prevalência do HIV entre homens gays e bissexuais e mulheres transgênero. Nos EUA, a população gay e bissexual (que representa 4% do total) responde por um terço dos novos casos de HIV, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano. O órgão também aponta que pelo menos 14% das mulheres transgênero americanas têm o vírus.

O Mosaico avaliará se a vacina induzirá respostas imunes contra múltiplos subtipos do HIV. 

Um outro estudo complementar realizado apenas com mulheres (2.600 voluntárias) em cinco países da África Austral, chamado de Imbokodo, encerrou as inscrições em maio de 2019 e deve apresentar seus primeiros resultados em 2021. 

Um terceiro estudo, que foi lançado no fim de 2016, passou por uma atualização e encerrou apenas neste ano a inscrição dos 5.400 voluntários homens e mulheres sexualmente ativos entre 18 e 35 anos. 

Todos os participantes do Mosaico receberão um kit de prevenção contra HIV, incluindo o PrEP (Profilaxia pré-exposição), medicamento utilizado para impedir o contágio pelo vírus. Além disso, os voluntários receberão, de forma aleatória, a vacina experimental ou uma injeção sem efeito. 

A vacina será administrada quatro vezes ao longo de um ano. As duas doses iniciais utilizam um composto criado a partir de um vírus de resfriado modificado e que não causa a doença para “entregar” quatro imunógenos —substância que induz respostas imunológicas. Já as duas doses finais serão compostas por proteínas do envelope viral de dois tipos de HIV.

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