Austrália tem primeiro caso confirmado de coronavírus chinês

41 morreram na China e mais de mil estão infectadas; Japão e Malásia confirmam casos

Lidia Kelly
Melbourne (Austrália) | Reuters

A Austrália declarou seu primeiro caso confirmado de coronavírus chinês no estado de Victoria. O paciente hospitalizado está em condição estável no subúrbio de Melbourne, disseram autoridades de saúde de Victoria na sexta (24), no Brasil (e sábado no fuso horário da Austrália).

O cidadão chinês, na casa dos 50 anos, chegou da China no dia 19 de janeiro, disse a ministra da Saúde de Victoria, Jenny Mikakos.

"É importante enfatizar que não há motivo de alarme para a comunidade", disse Mikakos. "O paciente está isolado e está em tratamento e não temos mais nenhum caso suspeito neste estágio".

Na madrugada deste sábado (25), o Japão confirmou o terceiro caso do vírus, assim como a Malásia, que também teria contabilizado três pessoas infectadas.

Até a sexta-feira (24), 41 pessoas na China morreram por causa do vírus e mais de mil foram infectadas

Os países com casos de infecção confirmados são China, Nepal, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Vietnã, Singapura, EUA e França.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a maioria das pessoas que morreram era idosa e tinha outros problemas de saúde associados, como diabetes e doenças cardiovasculares. 

Todos os que pegaram o vírus estiveram em Wuhan, cidade chinesa com 11 milhões de habitantes que parece ser a origem da epidemia. Acredita-se que a fonte seja um mercado de peixes e animais vivos, mas a transmissão de pessoa para pessoa já foi confirmada.

A cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, é um importante centro industrial e comercial do centro da China e tem o maior aeroporto e porto da região.

Ano-Novo chinês

A epidemia de coronavírus começou semanas antes do Ano-Novo chinês, comemorado no sábado (25), Centenas de milhões de pessoas fazem bilhões de viagens pelo país por causa das festividades, o que deve ter aumentado a transmissão.

Para impedir que o vírus se espalhe ainda mais, autoridades isolaram 13 cidades da província de Hubei, área com cerca de 40 milhões de habitantes, e anunciaram o fechamento de diversas atrações turísticas.

A Cidade Proibida, trechos da Grande Muralha, os túmulos da dinastia Ming e a floresta Yinshan Pagoda não terão mais acesso de turistas até segunda ordem. O Estádio Nacional de Pequim, conhecido como Ninho de Pássaro, construído para os Jogos Olímpicos de Pequim em 2008, também teve suas portas fechadas.

Os serviços de transporte público na província foram totalmente paralisados. O uso de máscaras em prédios públicos se tornou obrigatório e aqueles que desrespeitarem a medida estão sujeitos a responsabilização legal. 

Na quinta (23), a OMS disse que ainda era cedo para declarar uma emergência internacional de saúde pública por causa do coronavírus. Apesar disso, a organização ressalta que o caso é grave e que pode piorar, porque ainda não atingiu seu ápice. 

"É uma emergência na China, mas ainda não se tornou uma emergência global. Pode ainda se torna uma", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor da OMS.

Não há casos no Brasil. O Ministério da Saúde diz que está em estado de alerta inicial e divulgou recomendação na quinta-feira (23) para que equipes de saúde fiquem alertas a casos de pessoas com sintomas respiratórios e que apresentam histórico de viagens a áreas de transmissão ativa do novo coronavírus registrado na China

Até o momento, ao menos cinco casos chegaram a ser informados como suspeitos por secretarias estaduais de saúde, mas foram descartados por não se enquadrarem nos critérios definidos pela Organização Mundial de Saúde para definição de suspeita da doença.

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