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Mortes por câncer nos Estados Unidos caíram 29% desde 1991

De acordo com estudo, maior queda anual foi registrada entre 2016 e 2017

São Paulo

A taxa de mortalidade por câncer nos EUA caiu 29% entre 1991 e 2017, segundo novo estudo da American Cancer Society (Sociedade Americana contra o Câncer). A queda foi puxada pelas mortes decorrentes de câncer de pulmão que caíram 3% ao ano entre 2008 e 2013 e 5% entre 2013 e 2017. 

O estudo, publicado na revista Cancer Journal for Clinicians, revela que entre 2016 e 2017 houve a maior queda já registrada no intervalo de um ano, de 2,2%. 

Diminuição de mortes por câncer de pulmão puxou queda de taxa de mortalidade por câncer nos EUA
Diminuição de mortes por câncer de pulmão puxou queda de taxa de mortalidade por câncer nos EUA - David Franklin/Freepik

O câncer é a segunda principal causa de morte nos EUA, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Em 2017, 21% das mortes no país foram causadas por algum tipo de câncer, um total de 599 mil, enquanto as doenças do coração somaram 23% das mortes (647,4 mil)

As estatísticas, porém, indicam que a situação está melhorando a longo prazo. Desde de 2008, por exemplo, a queda média anual têm sido de 1,5%. Ao todo, 2,9 milhões de mortes foram evitadas. 

De acordo com o estudo, os resultados se devem ao avanço dos tratamentos, como a imunoterapia e também na detecção precoce dos tumores. 

Os quatro tipos de câncer mais comuns no país tiveram queda na taxa de mortalidade: pulmão, colorretal, mama e próstata. Cerca de 146 mil pessoas morreram em decorrência de câncer de pulmão e brônquios, enquanto colorretal teve um total de 52,4 mil. Já mama e próstata somaram, respectivamente, 42 e 30,8 mil. 

No caso do câncer de pulmão, responsável por metade das mortes americanas por câncer, a queda entre os homens (1990 - 2017) foi de 51%, já entre as mulheres (2002 - 2017) foi de 26%. 

“As diferenças refletem padrões históricos no uso do tabaco, onde as mulheres começaram a fumar em grande número muitos anos depois dos homens e foram mais lentas em parar de fumar”, diz o estudo.

O câncer de mama matou 40% menos mulheres entre 1989 e 2017, enquanto o câncer de próstata caiu 52% entre 1993 e 2017.

A mortalidade do câncer colorretal caiu pela metade tanto para homens (53%) quanto para mulheres (57%). 

De acordo com o estudo, a redução se deve a melhores taxas de detecção e de sobrevida. Entretanto, essas taxas não são iguais para toda a população americana. 

Entre os negros, a chance de sobreviver ao câncer é 33% menor do que entre os brancos. Quando observadas etnias nativas, como os índios americanos e os nativos do Alasca, a discrepância é maior, o grupo tem 51% menos chance de sobreviver do que brancos. 

No Brasil, 220 mil pessoas morreram de câncer em 2017. A taxa de mortalidade para aquele ano foi de 105 pessoas para cada 100 mil habitantes, 87,5% maior do que em 1991, quando a taxa era de 56 pessoas a cada 100 mil. 

A prevenção do câncer, segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), pode ser dividida em duas categorias, primária e secundária. 

Na primária, busca-se evitar que a doença aconteça, evitando exposição a materiais que causam câncer e mantendo hábitos saudáveis. 

A obesidade, por exemplo, é um fator de risco para o câncer de endométrio nas mulheres, e mama em mulheres e homens. O Inca lista pelo menos 13 tipos de câncer associados à obesidade, entre os quais está o de intestino, estômago, pâncreas e vesícula biliar. 

Segundo o instituto, entre 80 e 90% dos casos de câncer são causados por fatores externos, enquanto os fatores genéticos vão de 10 a 20%. Fumar, comer alimentos ultraprocessados com frequência, não praticar atividades físicas, deixar de tomar vacina contra o HPV e hepatite B e comer carne processada pode aumentar o risco de desenvolver câncer. 

A prevenção secundária, por sua vez, é a detecção precoce da doença em fases não malignas. Deve-se estar atento a sintomas como o surgimento de nódulos, febre contínua, feridas que não cicatrizam e indigestão constante. 

O câncer de mama, próstata, colo do útero, intestino, pele, boca e pulmão são passíveis de detectar precocemente e também de serem rastreados por meio da análise de histórico familiar e rastreio populacional. 

Recomenda-se que mulheres entre 25 e 64 anos façam exames preventivos do câncer de colo do útero a cada três anos. Já os homens com mais de 50 anos, anualmente.

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