Governo chinês admite ter falhado na resposta à epidemia do novo coronavírus

Cúpula do governo chinês diz que o país fará uma revisão do sistema de saúde pública

Pequim | AFP

O governo chinês admitiu que falhou na forma como reagiu à crise do coronavírus, e o Comitê Permanente do Bureau Político do Partido Comunista pediu uma melhoria no sistema de resposta a emergências após deficiências e dificuldades em responder à epidemia, segundo a Xinhua, agência de notícias da China.

Para a cúpula do partido, o surto do novo coronavírus é um dos maiores testes de governança da China. O relatório da reunião aponta que o governo chinês deve revisar as condições de saneamento ambiental do país para melhorar o sistema de saúde pública, incluindo a repressão ao comércio ilegal de animais silvestres.

Na segunda (3), a vice-porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, disse que o país precisa urgentemente de máscaras protetoras e outros produtos para enfrentar a epidemia. Com o surto do novo coronavírus, que já soma mais de 20 mil casos, o país também precisa de equipamentos básicos para suas equipes médicas, como óculos e luvas de proteção.

O governo chinês deve ainda ampliar o sistema nacional de reservas de equipamentos para "melhorar a capacidade de produção de suprimentos essenciais", segundo relatório da reunião da cúpula do partido. 

Países como a França, o Reino Unido, o Japão e a Coreia do Sul já enviaram suprimentos médicos para a China, acrescentou a porta-voz. O governo também deve importar grandes quantidades desses produtos dos mercados europeus.

Um estudo publicado ainda no começo de janeiro já indicava que a China restringia informações importantes para a contenção do surto. Na ocasião, o estudo estimava um número maior de casos confirmados da doença do que aqueles relatados pelas autoridades chinesas. 

Relatos indicavam ainda que o governo estava censurando publicações em redes sociais sob alegação de difusão de informações alarmistas. 

Entretanto, em 27 de janeiro, o prefeito de Wuhan, epicentro do surto do novo coronavírus, admitiu ter escondido dados sobre a doença, entre os quais está a saída de Wuhan de pelo menos 5 milhões de cidadãos antes da cidade ser isolada. 

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