Governo quer gastar R$ 140 milhões em máscaras e insumos contra coronavírus

Balanço desta quarta (5) do Ministério da Saúde aponta que caiu para 11 o número de casos em investigação

Brasília

O Ministério da Saúde pretende gastar cerca de R$ 140 milhões para compra de máscaras, toucas, luvas e outros insumos como medicamentos para preparar a rede de saúde diante do risco de casos do novo coronavírus. O objetivo é reforçar os estoques e evitar um cenário de falta desses materiais no mercado, em um contexto em que cresce a busca por máscaras de proteção.
 
"Será a primeira vez que o ministério faz uma aquisição dessas num volume considerável", afirma o secretário-executivo do ministério, João Gabbardo dos Reis. Ele explica que, em geral, esses itens não costumam ser fornecidos pelo ministério —a responsabilidade por adquirir cabe aos hospitais. 

O volume total de produtos a serem adquiridos não foi informado.  A lista é composta por cerca de 20 itens, a maioria equipamentos de proteção individual, usados por profissionais de saúde durante atendimentos.

De acordo com Gabbardo, a medida ocorre diante do receio de que haja falta de alguns deles no mercado nacional e para preparar a rede de saúde. "Se não for necessário para o coronavírus, vamos distribuir para os hospitais e Santas Casas, de maneira de que não vamos ter desperdício", diz.

Segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o cálculo de gastos no valor de R$ 140 milhões foi feito considerando uma situação "intermediária" de necessidade de saúde diante de uma possível entrada do coronavírus no Brasil. O cálculo mínimo era de R$ 80 milhões. Já o máximo, em caso do que ele define como uma "epidemia generalizada", seria de R$ 500 milhões.

Na última semana, o Ministério da Saúde já havia anunciado a intenção de alugar mil leitos extras de UTIs. De acordo com Gabbardo, a distribuição será feita de acordo com a necessidade de cada estado. A ideia é que a estratégia ocorra apenas de forma temporária. "Não ocorrendo necessidade, não serão instalados", afirma.

Pacientes infectados com o novo coronavírus descansam em um hospital improvisado convertido de um centro de exposições em Wuhan, província de Hubei, na China central, em 5 de fevereiro 2020. O hospital tem capacidade para aproximadamente 1.600 leitos
Pacientes infectados com o novo coronavírus descansam em um hospital improvisado convertido de um centro de exposições em Wuhan, província de Hubei, na China central, em 5 de fevereiro 2020. O hospital tem capacidade para aproximadamente 1.600 leitos - Xiong Qi/Xinhua

Balanço divulgado nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Saúde aponta que caiu para 11 o número de casos em investigação no país de suspeita de infecção pelo novo coronavírus.

Até o momento, nenhum registro foi confirmado. Já o número de casos descartados chega a 21.

"Em todos os casos descartados, identificamos outro vírus", afirma o diretor do departamento de doenças transmissíveis, Julio Croda. A maioria dos diagnósticos têm apontado avaliação positiva para os vírus da gripe influenza B e influenza A. Também houve diagnóstico para rinovírus, comum a resfriados.

Para comparação, até terça-feira (4), eram 13 casos de suspeita de infecção pelo novo vírus e 16 descartados. 

Entre os casos atualmente em investigação, 5 ocorrem no Rio Grande do Sul, 4 em São Paulo, 1 em Santa Catarina e 1 no Rio de Janeiro.

Destes, três já deram negativo para vírus mais comuns a sintomas respiratórios e, agora, aguardam resultado de exames mais complexos capazes de verificar se a infecção foi para o novo coronavírus ou outra possibilidade não testada inicialmente. Outros três que chegaram a essa etapa de análise já foram descartados. 

De acordo com o ministério, o maior registro de casos na região Sul já era esperado por serem locais com maior incidência de problemas respiratórios.

Nesta terça, o governo declarou emergência em saúde pública devido ao novo coronavírus. Pelos protocolos de saúde, essa medida só seria aplicada se houvesse casos confirmados. O governo, porém, resolveu adiantar a medida para facilitar a busca de um grupo de brasileiros em Wuhan, na China. A previsão é que eles cheguem ao país na madrugada de sábado (8) e passem por uma quarentena de até 18 dias em Anápolis (GO). Em Wuhan, nenhum deles apresentou sintomas até o momento.

Atualmente, a região onde fica Wuhan ainda concentra a maioria dos casos de infecção pelo novo coronavírus, mas já há registros também em outros locais. No mundo, são mais de 28 mil casos confirmados, a maior parte deles na China. 

"Isso demonstra claramente que a transmissão local está concentrada na China, e 66% em Hubei", afirma Croda. Segundo ele, todos os casos em outros países são de pacientes que vieram de Wuhan ou que tiveram contato com casos importados confirmados —daí a avaliação de que, embora com registros de uma transmissão "secundária", ainda não há transmissão local em outros países. 

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