Brasil inclui Estados Unidos em análise de casos de suspeita do novo coronavírus

Lista deve ser ampliada também para outros países onde há transmissão local; sobe para 488 número de casos em investigação, sem novos casos confirmados

Brasília

O Ministério da Saúde decidiu incluir os Estados Unidos na lista de países cujo histórico recente de viagens por pacientes deve ser observado pela rede de saúde para definir casos de suspeita de infecção pelo novo coronavírus.

Até então, eram considerados como suspeitos casos de pacientes com febre e outros sintomas respiratórios —como tosse e dificuldade para respirar— e histórico de viagens a 16 países onde havia mais de cinco casos de transmissão local. O intervalo para esse histórico é de até 14 dias antes do início dos sintomas.

Agora, os Estados Unidos passam a fazer parte dessa lista, que deve ser ampliada também para outros países onde já há registro de situação semelhante. Com isso, o total de países monitorados chega a 29. A mudança ocorre após análise de que há transmissão local do vírus em algumas regiões dos Estados Unidos, como a Califórnia. ​

Os países monitorados são: China, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Japão, Singapura, Austrália, Malásia, Vietnã, Itália, Alemanha, França, Espanha, Reino Unido, Suíça, Noruega, Países Baixos, Croácia, Grécia, Finlândia, Dinamarca, San Marino, Tailândia, Indonésia, Irã, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Canadá.

Filipinas e Camboja não têm casos confirmados, mas estão na região afetada e por isso também entram na lista.

“Pensamos em fazer [a inclusão] de forma territorial dos Estados Unidos. Mas fizemos uma análise e vimos que são as regiões onde há maior fluxo de brasileiros”, afirma o secretário-executivo do ministério, João Gabbardo dos Reis, sobre a opção por dar alerta a todos os casos de pacientes com sintomas e que chegam do país.

Com a inclusão, a expectativa é que haja forte aumento de casos de suspeita de covid-19 para investigação no Brasil nos próximos dias.

Até o momento, o país registra 488 casos de suspeita do novo coronavírus, aponta balanço da pasta divulgado nesta terça-feira (03).

Para comparação, nesta segunda-feira, eram 433 casos em investigação.

O país continua com dois casos confirmados da doença, ambos em São Paulo. Os dois infectados estão em isolamento domiciliar.

 

Entre os casos em investigação, 130 ocorrem em São Paulo, 82 no Rio Grande do Sul e 62 no Rio de Janeiro, estados com maior volume de registros.  Os demais estão distribuídos em 20 estados.

Após anunciar a inclusão de mais países na lista para definição de casos, Gabbardo fez um apelo para que pessoas com sintomas leves e que não se enquadram na definição dos casos suspeitos evitem procurar a rede de saúde.

"Se fizermos isso, vamos encher a nossa rede de saúde com casos leves e assintomáticos, correndo risco de aumentar a transmissão", disse. "Isso não vai ser positivo para ninguém."

Para Gabbardo, o avanço do vírus no mundo indica que em breve chegará ao momento em que, assim que houver transmissão do vírus no Brasil, o país terá que deixar de se concentrar na confirmação de casos por exames e passar a centralizar ações em prevenção e assistência, sobretudo para casos graves.

Protocolo do Ministério da Saúde prevê que casos de suspeita do vírus sejam submetidos a exames até que haja cem casos confirmados no país. Após esse período, a confirmação poderá ocorrer por avaliação clínica, sem que haja necessidade de testes.

Diante desses casos, a pasta avalia fazer um projeto para expandir o horário de funcionamento de unidades básicas de saúde. Desde o ano passado, a medida já é aplicada por meio do programa Saúde na Hora. "Mas agora queremos radicalizar", afirma o secretário-executivo.

O objetivo é tentar minimizar uma possível sobrecarga em hospitais com o aumento de casos de suspeita do novo coronavírus.

Desde que houve a confirmação do primeiro caso do novo coronavírus no país, equipes do Ministério da Saúde têm defendido que a Organização Mundial de Saúde reconheça o cenário como uma pandemia.

Apesar dessa análise, o secretário de vigilância em saúde, Wanderson de Oliveira, diz que não há evidências atuais de que haja transmissão local ou circulação do vírus no Brasil.

Nas últimas semanas, a pasta aumentou o monitoramento por exames de casos de pneumonias atendidos em hospitais.

"A probabilidade existe, mas não encontramos até o momento alteração em pneumonias e nas notificações que fizemos", disse. "Por isso ainda não temos transmissão local."

De acordo com Gabbardo, a depender do ritmo de avanço do vírus em mais países, a pasta poderá adotar novo critério para definição de casos suspeitos do covid-19 nas próximas semanas.

Neste caso, o ministério passaria a adotar a classificação para pacientes com sintomas e histórico de caso internacional. "Essa mudança poderá ocorrer muito rápido", diz.

Além das ações de contenção, a pasta tem monitorado o risco de desabastecimento de matérias-primas usadas na produção de remédios e que vêm da China, cujas medidas de quarentena afetam a produção.

"Isso nos preocupa muito. Estamos fazendo um levantamento de quais são esses medicamentos que podemos ter descontinuidade na fabricação no Brasil. Vamos estudar quais as alternativas se ocorrer essa descontinuidade", informou.

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