Descrição de chapéu Coronavírus

Com 56 casos de coronavírus, Argentina suspende aulas e fecha fronteiras

Presidente do país, Alberto Fernández, também vai restringir o transporte público em Buenos Aires

São Paulo | AFP

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, anunciou na noite deste domingo (15) a suspensão das aulas em toda a rede de escolas do país, além do fechamento das fronteiras até o dia 31 de março a fim de conter a disseminação do novo coronavírus no país.

"Decidimos suspender as aulas a partir desta segunda (16) até 31 de março com o objetivo de diminuir a circulação de alunos e, assim, do vírus", disse Fernández em uma entrevista coletiva na residência oficial da presidência, junto aos membros do seu gabinete de crise.

O presidente argentino Alberto Fernández
O presidente argentino Alberto Fernández - Divulgação

O presidente disse ainda que as escolas continuarão abertas, "para atender a outras obrigações que desempenham, como a de alimentar os alunos". Nas regiões mais pobres do país, muitas crianças têm nas escolas sua única refeição.

Ao lado de Fernández, estavam o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, e o prefeito da capital, o opositor Horacio Rodríguez Larreta. As fronteiras estão fechadas apenas para estrangeiros sem direito de residência no país.

"Fechamos as fronteiras da Argentina porque o coronavírus está começando a afetar os países fronteiriços e porque, pelas fronteiras terrestres, chegam turistas que vêm de áreas de risco", afirmou.

Eventos esportivos e espetáculos musicais também estão suspensos, além do fechamento de shoppings e parques nacionais, para evitar turistas.

Fernández fez a ressalva, contudo, de que os jogos de futebol podem continuar, mas a portas fechadas, como já aconteceu no último fim de semana. O presidente pediu que, durante esse período, as partidas sejam transmitidas gratuitamente na televisão aberta.

Além disso, os maiores de 65 anos, grupo mais afetado pelo coronavírus, estão dispensados do trabalho. "Pedimos que fiquem em casa", afirmou o presidente.

Horas antes da entrevista coletiva, Fernández havia dito que considerava decretar uma quarentena de dez dias em todo o país, o que provocou uma corrida de pessoas aos supermercados para estocar mantimentos. Mas a medida não foi tomada. "As pessoas não precisam ficar com medo desabastecimento ou de um potencial fechamento do comércio, porque isso não está em nossas previsões", disse.

O governo argentino anunciou ainda que, nesta segunda (16), haverá uma reunião de um grupo que cuida de questões econômicas e sociais durante a crise de saúde, para pensar em medidas que possam atenuar a retração da atividade econômica no país, que vive um recessão desde meados de 2018, com alta da pobreza e do desemprego.

Também a partir desta segunda, o governo buscará medidas para diminuir o trânsito na região metropolitana de Buenos Aires, onde vivem 15 milhões de pessoas e estão 70% dos infectados até agora.

"Tais medidas não pressupõem nenhum agravamento da situação. Podemos evitar que o crescimento [das infecções] seja exponencial e permitir que o sistema de saúde consiga responder [à crise]."

Fernández advertiu que o governo "será inflexível" com quem não cumprir o isolamento em casos previstos para tal. A Argentina anunciou neste domingo (15) um aumento de 45 para 56 no número de pessoas infectadas, com duas mortes até o momento. Ainda não há transmissão local no país. Todos os casos são de pacientes que estiveram no exterior ou pessoas que tiveram contato muito próximo com algum deles.

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