É falso que Israel conseguiu controlar coronavírus sem isolamento social

Fake news circula nas redes sociais com informações erradas sobre país do Oriente Médio

São Paulo

É falsa mensagem que circula no WhatsApp e em redes sociais que atribui a Israel “a melhor situação do mundo no controle do coronavírus” por supostamente não adotar medidas de isolamento social.

Como verificado pelo projeto Comprova, o país do Oriente Médio na verdade tem tomado várias iniciativas para restringir a circulação de pessoas, como o fechamento de escolas e universidades, que são consideradas uma das mais duras em todo o mundo contra a doença.

Em 25 de março, o governo israelense endureceu as regras e estabeleceu a proibição de sair de casa, exceto em casos urgentes, e o fechamento de estabelecimentos comerciais não essenciais e parques. Além disso, o país tem mais casos confirmados pela covid-19 do que outros com IDH semelhante, no mesmo período.

Uma postagem que circula no WhatsApp e em outras redes sociais mostra um vídeo em que o ministro da Defesa israelense, Naftali Bennett, apoia o isolamento prioritário de idosos, grupo com maior risco de mortalidade pela Covid-19. Esse vídeo foi publicado em 21 de março em seu perfil no Twitter. Em postagens subsequentes na rede social, ele afirma a necessidade de permanecer em quarentena nacional e também propõe outras estratégias de enfrentamento à pandemia, como a adoção de testes em massa.

Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu tem adotado medidas duras contra o novo coronavírus
Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu tem adotado medidas duras contra o novo coronavírus - Gali Tibbon/AFP

Ao contrário do que afirma mensagem publicada em 25 de março no Facebook, Israel não tinha até então “1700 casos e 1 morte” registradas pelo novo coronavírus. Naquela data, o número de infectados pelo novo coronavírus no país era de 2.369, segundo o Ministério da Saúde israelense. Nesta segunda-feira (30), este número aumentou para 4.347. No dia 25, eram cinco mortes no país pela Covid-19 e agora são 16 mortos.

Em pronunciamento na quarta-feira, 25, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o número de pacientes dobrava a cada três dias.

“Em duas semanas, podemos ter milhares de pacientes, muitos dos quais estarão em risco de morte”, disse o premiê. “Por isso, já estou dizendo que se não vermos uma melhora imediata nessa tendência, não teremos outra alternativa a não ser impor a quarentena total por completo”.

O projeto Comprova consultou os números de contágio em nações com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) semelhante ao de Israel, como Coreia do Sul, Espanha e Japão. Foi comparada a evolução do número de casos no mesmo período: 36 dias, o tempo transcorrido desde o primeiro caso registrado em Israel (20 de fevereiro).

Ao longo desse período, todas as nações citadas tinham número inferior de infectados pelo coronavírus: em 36 dias, a Coreia do Sul tinha 1,8 mil casos; a Espanha, 673; e o Japão, 214.

Na última sexta-feira, 27 de março, a Coreia do Sul tinha 9.332 casos. Embora tenha um número de pacientes maior, o país asiático conseguiu “achatar” a curva de crescimento de casos confirmados da Covid-19. O número de novos casos por dia tem diminuído desde o fim de fevereiro e início de março. Uma das estratégias adotadas pela Coreia do Sul foi a adoção de testes em massa da população e o isolamento dos infectados.

Esta verificação foi feita por Estadão e pela AFP e publicada pelo projeto Comprova na sexta-feira (27). Coalizão reúne 24 veículos na checagem de conteúdos sobre coronavírus.

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