Ministério da Saúde recua e confirma 4º caso do novo coronavírus no Brasil

Pasta havia dito que, apesar de exame de contraprova positivo, caso não entrava na definição do covid-19

Brasília

O resultado do teste de contraprova de uma adolescente que vive em São Paulo deu positivo para o novo coronavírus, informou nesta quinta-feira (5) o Ministério da Saúde.

Com isso, o Brasil já soma quatro casos confirmados da doença covid-19.

Inicialmente, o ministério havia informado que o registro não entraria na lista de confirmados por não se enquadrar na definição de caso de covid-19, já que a adolescente não apresentou sintomas da doença, como febre e tosse seca.

Após reunião com especialistas nesta quinta-feira (5), a pasta recuou da decisão e decidiu classificar o registro como confirmado.

A avaliação ocorreu devido a quatro pontos: 1) o fato de o exame ter dado positivo para o vírus, 2) o histórico de viagem da adolescente a uma área de alta transmissão, 3) o uso de medicamentos que podem ter escondido sintomas, como febre e 4) a possibilidade de que a adolescente ainda tenha sintomas.

A OMS define como "caso confirmado" uma pessoa com confirmação laboratorial de covid-19, independentemente de sinais clínicos e sintomas.

O protocolo do Ministério da Saúde também já definia como caso confirmado aqueles com resultado positivo em exames de RT-PCR, capazes de verificar se houve infecção pelo vírus.

O secretário de vigilância em saúde, Wanderson Oliveira, afirma que, por não apresentar sintomas, o caso não entraria entre aqueles definidos como suspeita para o novo vírus, que vale para pacientes com febre e outros sintomas respiratórios e histórico de viagem recente a áreas de transmissão —daí a decisão anterior pela não inclusão, aponta.

"Esse caso, na prática, nem deveria ter entrado, porque não entra na definição de caso suspeito. Por isso falamos que não era um caso", afirmou ele, antes de comunicar a mudança na avaliação.

Segundo a Folha apurou, especialistas questionaram a pasta sobre a decisão, o que levou ao recuo.

Passageiros usam máscara de proteção no aeroporto de Guarulhos após casos confirmados de coronavírus no Brasil
Passageiros usam máscara de proteção no aeroporto de Guarulhos após casos confirmados de coronavírus no Brasil - Zanone Fraissat/Folhapress

Em nota, o ministério diz que estuda a infecção assintomática pelo coronavírus e qualifica a situação como atípica.

Outras análises devem ser feitas para observar a carga viral, o potencial de transmissão e se houve supressão de sintomas por uso de medicamentos.

O caso da adolescente era analisado desde quarta-feira (4), quando o resultado de um primeiro exame feito pela adolescente na rede privada deu positivo para o novo coronavírus.

A estudante de 13 anos havia viajado para a Itália. Lá, ela esteve em Milão e depois na região de Dolomitas, onde ficou internada em um hospital por causa de uma lesão no joelho.

O retorno ao Brasil ocorreu no domingo (1º). Na terça (3), ela esteve no hospital Beneficência Portuguesa, onde coletou amostras para exames, que deram positivo. Teste de contraprova feito pelo instituto Adolfo Lutz confirmou a análise.

A adolescente, porém, não teve sintomas desde que chegou ao país. Segundo equipes do Ministério da Saúde, ela pode ter feito o teste porque esteve internada em um área onde há alta transmissão do novo vírus.

A pasta diz que avaliará se um eventual medicamento usado para tratamento da lesão no joelho pode ter levado a estudante a não apresentar sintomas. O histórico dos familiares que a acompanharam na viagem também deve ser analisado, e tanto a adolescente como seus contatos próximos são monitorados.

"Ela pode ainda ter sintomas? Pode. Ela pode estar em um período de incubação [do vírus] e pode ter daqui a alguns dias. Ou pode não desenvolver. Estudos têm demonstrado que, das crianças de seis meses até 17 anos, 25% não apresentam sinais e sintomas, e são casos assintomáticos", diz o secretário de vigilância em saúde, Wanderson Oliveira.

Ele diz que o caso passará a constar na lista, mas com observações.

Atualmente, não há recomendação para que casos sem sintomas sejam testados para o novo vírus. Na quarta-feira (4), ao ser questionado sobre o caso, ainda em investigação, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, negou mudanças na orientação atual da pasta.

"Do ponto de vista da saúde pública, não vamos fazer exame de todo mundo para, numa loteria esportiva, saber se alguém teve o vírus", disse. Para ele, a medida seria ineficaz na contenção do vírus.

Ainda na quarta (4), o Ministério da Saúde confirmou o terceiro caso de covid-19 no Brasil.

O paciente é um homem de 46 anos nascido na Colômbia, mas que vive em São Paulo e fez viagens recentes à Espanha, à Itália, à Áustria e à Alemanha.

Ele foi atendido no hospital Albert Einstein e teve o caso confirmado em exames. Em seguida, foi encaminhado para isolamento domiciliar.

Outros 531 casos de suspeita estão em investigação, enquanto 315 já foram descartados após exames.

Com as primeiras confirmações de casos no país, o Ministério da Saúde reúne especialistas nesta quinta-feira (5) para definir medidas de controle do novo vírus e preparação da rede de saúde, além de regras para quarentena e isolamento domiciliar. Segundo técnicos da pasta, após das confirmações de casos, o Brasil ainda não tem registro de transmissão local da doença.

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