Descrição de chapéu Colunista em casa

Fernanda Mena recomenda leitura e conexão com tarefas da casa

Colunistas sugerem atividades para amenizar o isolamento

Diariamente, durante a crise do coronavírus, um colunista ou um blogueiro da Folha indica sugestões para o período de quarentena, como livros, filmes, séries, entre outras opções.

Confira as indicações da repórter especial Fernanda Mena.

Acompanhe todas as dicas dos colunistas aqui.

Para ler

Hope in the Dark

Capa do livro "Hope in the Dark", de Rebecca Solnit
Capa do livro "Hope in the Dark", de Rebecca Solnit - Divulgação

“O futuro é sombrio, e isso me parece o que de melhor o futuro pode ser”, escreveu Virginia Woolf em seu diário em 18 de janeiro de 1915, seis meses depois do início da devastadora Primeira Guerra Mundial (1914-1917).

A citação à escritora e ensaísta britânica está nas primeiras linhas de “Hope in the Dark” (esperança no escuro), livro de 2005 da historiadora e feminista norte-americana Rebecca Solnit —que entrevistei em 2017 sobre outros dois livros, estes lançados no Brasil.

Ainda sem tradução no país, “Hope in the Dark” foi escrito a partir do deflagrar da invasão do Iraque por uma coalizão militar liderada pelos EUA, em 2003, no contexto da Guerra ao Terror.

O livro faz um mergulho na esperança como uma força revolucionária e “não como crença de que tudo foi, está ou ficará bem” sem mão na massa e compromisso. Explora de que maneira o reconhecimento da natureza incerta da vida favorece a ideia de que é possível interferir nos processos e em seus desfechos, individualmente ou por meio de ações coletivas.

Diante da imprevisibilidade do mundo e da interdependência das pessoas e povos, Solnit aponta o poder popular como o grande motor de mudanças em valores e ideias, capaz de enxergar oportunidades nas rupturas da história e nas incertezas sobre o futuro.

Ed. Haymarket Books, 2016. 184 págs. R$ 82. Kindle R$51

Para ser

Faças as pazes com a vida doméstica possível

As mudanças radicais recentes pedem que se estabeleçam novas rotinas, imprescindíveis para que a desorganização do mundo não tome conta também da sua vida privada. Para isso, será necessária alguma resiliência e organização, além de novos papéis.

Se você entendeu o princípio do isolamento, é provável que, como eu, tenha combinado com seu/sua diarista ou funcionário(a) algum arranjo em que você mantém o pagamento para que ele/ela possa ficar em casa e cumprir, também, sua quarentena. A medida é questão de saúde pública, e o arranjo trabalhista é questão humanitária.

O resultado é o enorme desafio de reorganizar o cotidiano a partir da incorporação de novas tarefas, tão essenciais quanto trabalhosas, mas antes terceirizadas. Limpar a casa, lavar as próprias roupas e se alimentar e alimentar aos seus (escrevi sobre como lidar com a própria sujeira era uma lição de política há pouco mais de um ano) são atos civilizatórios. E segue a grande dica: eles colocam todo o resto em perspectiva e se tornam bem mais suaves como uma boa trilha sonora e um par de fones de ouvido sem fio.

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