Descrição de chapéu Coronavírus

Johnson & Johnson escolhe candidata a vacina contra Covid-19 e quer testes em setembro

Empresa e governo dos EUA dizem que vão investir mais de US$ 1 bilhão para oferecer 1 bilhão de doses

Nova York | Reuters

A Johnson & Johnson anunciou nesta segunda-feira (30) que a empresa e o governo dos Estados Unidos planejam investir mais de US$ 1 bilhão a fim de criar capacidade industrial suficiente para produzir mais de um bilhão de doses da vacina contra o novo coronavírus que a empresa está testando.

Como parte do arranjo, o governo americano pagará US$ 421 milhões em apoio aos esforços da companhia para criar nova capacidade industrial nos Estados Unidos.

A empresa anunciou que selecionou um de seus projetos como principal candidata à imunização e iniciará os testes com seres humanos em setembro, com o objetivo de dispor do produto para uso emergencial no começo de 2021. Uma vacina normalmente demora 18 meses para ser testada, aprovada e ter sua produção iniciada.

Paul Stoffels, médico e vice-presidente científico da Johnson & Johnson, disse à Reuters que a companhia tinha de começar a expandir sua capacidade industrial agora, antes mesmo de ter um sinal de que a vacina experimental pode funcionar.

A empresa vai começar a produzir a vacina sem ter certeza de que ela funcionará. “É a única opção que temos para que esteja pronta em tempo”, disse Stoffels.

A companhia tem uma unidade de produção na Holanda capaz de produzir mais de 300 milhões de doses da vacina, disse Stoffels, acrescentando que “isso será absolutamente insuficiente para atender ao mundo todo”.

Ele disse que a Johnson & Johnson estava começando a construção de uma fábrica nos Estados Unidos para que possa estar pronta para fabricar vacinas até o final do ano, quando dados dos testes clínicos demonstrarão se a vacina funciona.

Cerca de metade do US$ 1 bilhão virá da Autoridade de Pesquisa e Desenvolvimento Biomédico Avançado (Barda, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que está buscando expandir sua colaboração anterior com a Johnson & Johnson.

Stoffels disse que a empresa está à procura de unidades de produção em outras partes da Europa e Ásia que sejam capazes de produzir o tipo de vacina em que ela está trabalhando.

Até agora, a Johnson & Johnson não administrou nenhuma dose de sua vacina a seres humanos. Mas Stoffels disse que a vacina para o coronavírus se baseia na mesma tecnologia usada para fazer a vacina da companhia contra o ebola, que foi amplamente usada em seres humanos. A empresa diz acreditar que vai provar que seu uso é seguro.

Testes de segurança são ainda mais importantes no caso das vacinas, em comparação com os medicamentos, porque elas são aplicadas em pessoas saudáveis a fim de prevenir infecções. O total de pessoas que receberiam a vacina pode chegar a um bilhão ou mais em todo o mundo.

Em estudos de laboratório, a substância candidata a vacina produziu fortes anticorpos neutralizadores do vírus, o tipo necessário para a produção de uma vacina bem-sucedida.

A Johnson & Johnson continuará os testes em estudos com animais no terceiro trimestre e planeja iniciar os testes humanos em setembro.

O novo coronavírus, que surgiu em Wuhan, China, infectou pessoas na maioria dos países do planeta. Os Estados Unidos têm o maior total mundial de pessoas com infecção confirmada.

A companhia farmacêutica Moderna Inc. começou neste mês os testes iniciais de uma vacina experimental contra o coronavírus, em voluntários saudáveis, colocando-a na liderança da corrida para desenvolver uma vacina viável.

Tradução de Paulo Migliacci

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