No Brasil, maioria dos mortos por coronavírus tinha mais de 60 anos e doenças preexistentes

Cardiopatia e diabetes são principais fatores de risco; nove em cada dez mortes ocorreram entre idosos

Brasília

Balanço do Ministério da Saúde mostra que 85% das mortes no Brasil por coronavírus são de pessoas com ao menos um fator de risco, como doenças preexistentes.

Doenças cardíacas e diabetes foram as mais frequentes —estavam presentes em 47 e 34 das pessoas que morreram, respectivamente. Em seguida, aparecem as pneumopatias e doença renal.

A análise foi feita com base em 85 das 92 mortes já registradas por coronavírus no país até esta sexta-feira (27).

O balanço mostra ainda que 9 em cada 10 pessoas que morreram por coronavírus no Brasil tinham mais de 60 anos.

O grupo entre 70 e 79 anos e 80 a 89 anos é considerado mais vulnerável. Os dados específicos para essas faixas, no entanto, não foram atualizados nesta sexta-feira.

Também houve mortes em outras faixas etárias. Entre os 85 casos analisados, 76 foram de pessoas acima de 60 anos, 6 de pessoas entre 40 a 59 anos e 3 entre pessoas de 20 a 39 anos.

Ainda de acordo com o ministério, 65% das mortes ocorreram em homens e 35% em mulheres.

A primeira morte por coronavírus foi registrada no país no dia 17 de março, em São Paulo. A vítima é um homem de 62 anos que estava internado no Hospital Sancta Maggiore, da Rede Prevent Senior, no Paraíso, na capital paulista.

Ele morava na cidade de São Paulo e tinha histórico de diabetes e hipertensão, além de hiperplasia prostática, um tipo de aumento benigno da próstata comum em homens mais velhos que pode causar infecções urinárias.

De lá para cá, já foram confirmadas mortes em 9 estados. O maior número ocorre em São Paulo, estado que soma 68 registros.

De total, cinco foram de pessoas entre 33 e 52 anos, a maioria com histórico de doenças prévias, cujo quadro se agravou com o coronavírus.

Também houve 11 mortes entre pessoas de 60 a 69 anos, 20 entre 70 a 79 anos, 24 entre 80 a 89 anos e 8 com mais de 90 anos.

Nos demais estados, os registros apontam 10 óbitos no Rio de Janeiro, 4 em Pernambuco, 3 no Ceará, 2 no Paraná e 2 no Rio Grande do Sul. Amazonas, Goiás e Santa Catarina já registram 1 morte cada.

Questionado em coletiva de imprensa sobre a possibilidade de haver mortes por coronavírus não registradas, o secretário-executivo do ministério, João Gabbardo dos Reis, negou subnotificação.

Ele admitiu, porém, que podem ocorrer atrasos no diagnóstico. "O que pode acontecer é que, se o paciente chegar ao hospital hoje e internar, vir a óbito nas primeiras horas, é óbvio que vai sem diagnóstico, porque não deu tempo. Isso não significa que não vai ser identificado, porque o material foi coletado e vai para o laboratório. Pode demorar um dia, três dias, mas não vai haver subnotificação", disse.

Já o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, disse que podem ocorrer situações em que é impossível identificar os casos.

"Que situações são essas? Um paciente que é internado por uma causa desconhecida e respiratória e não se levantou suspeita de coronavírus naquele momento, por exemplo. Dependendo do tempo em que estiver no hospital, não temos ainda um teste sorológico para confirmar. Os testes estão sendo validados. Vamos ter casos no futuro que vamos descobrir que evoluiu [para morte] pelo coronavírus", disse.

Ele afirma ainda que todos os casos de mortes são em geral encaminhados a um comitê dentro de cada hospital, que realiza análise de cada caso.

Em seguida, fez um pedido para que todos os casos graves por coronavírus sejam notificados com rapidez.

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