Descrição de chapéu Coronavírus

São Paulo já tem melhora na qualidade do ar, diz especialista

Alguns paulistanos vêm compartilhando nas redes sociais relatos sobre um ar mais limpo

São Paulo

A qualidade do ar melhorou na cidade de São Paulo na última semana, após a adoção de medidas do estado e da prefeitura para o isolamento social e a restrição da circulação de pessoas.

Segundo o diretor-executivo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), André Luís Ferreira, uma análise preliminar dos dados da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) já permite apontar que, “a partir do último dia 23, a poluição do ar reduziu significativamente em comparação com a semana anterior”.

“Caíram especialmente as emissões de poluentes como monóxido de carbono e dióxido de nitrogênio. A emissão de material particulado também caiu, embora seja uma queda menor”, diz Ferreira.

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Pessoas caminham pelo calçadão da Avenida Braz Leme no sábado (28) - Karime Xavier/Folhapress

Enquanto o monóxido de carbono e o dióxido de nitrogênio são poluentes típicos da queima de combustível do motor do carros, o material particulado é emitido por veículos movidos a diesel, como ônibus e caminhões. Ambos continuam circulando durante a quarentena.

Por causa disso, os dados em estações de monitoramento com alto tráfego de caminhões, como na marginal Tietê, tiveram uma queda menor na emissão de poluentes, enquanto bairros onde normalmente há mais tráfego de carros tiveram uma “queda muito significativa”, ainda segundo Ferreira.

A análise quantitativa ainda deve ser apresentada pelo Iema, a partir dos dados das estações de monitoramento da Cetesb. O órgão do governo também está preparando uma análise sobre a poluição no período de quarentena.

Alguns paulistanos já vinham percebendo e compartilhando nas redes sociais relatos sobre um ar mais limpo e fotos de um céu mais azul. “Essa sensação de que as pessoas têm de que o ar está melhor é verdadeira, o ar melhorou”, afirma Ferreira.

No entanto, ele ressalva que o céu mais claro resulta da combinação de queda na poluição com outros fatores meteorológicos (como nuvens, ventos e chuvas) e que, portanto, a análise dos dados precisará considerar ainda uma comparação com os dados do ano anterior.

Além de diminuir a poluição do ar, a queda nas emissões de gases dos veículos automotores também reduz impacto sobre a saúde das pessoas, já que a poluição está ligada a doenças respiratórias e cardiovasculares.

As taxas de mortalidade decorrentes dessas doenças são maiores em cidades com mais emissão de material particulado, segundo um estudo que analisou dados de 652 cidades em 24 países. Ele foi publicado no último agosto pela revista The New England Journal of Medicine com contribuição de cientistas de vários países, incluindo o médico e professor da USP Paulo Saldiva.

A restrição da circulação ainda representa diminuição das emissões de gases-estufa na cidade de São Paulo, onde os motores dos veículos movidos a gasolina e diesel são a maior fonte de contribuição para o aquecimento global.

As medidas de isolamento social para combater o coronavírus também têm derrubado emissões de gases-estufa como o dióxido de nitrogênio na Itália e na China, como consequência da redução do uso dos transportes e da atividade industrial. Ainda não se sabe, no entanto, se a queda temporária das emissões representará algum alívio para a crise climática.

“Se alguns poluentes continuarem diminuindo em São Paulo, podemos chegar próximo aos níveis de qualidade do ar recomendados pela Organização Mundial de Saúde [OMS], o que mostra o tamanho do desafio que é atender ao padrão da OMS”, avalia Ferreira.

Ele recomenda que, após a pandemia, o caminho para diminuir a emissão de poluentes em São Paulo passe pelo investimento em transporte público, que tem benefícios para a mobilidade urbana, em vez de se focar apenas a mudança da fonte de energia.

“Ainda assim, se a frota hoje fosse de carros elétricos, a quarentena não representaria uma diferença, pois eles não geram emissões”.

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