É falso que coronavírus não causa pneumonia e tratamento pode ser feito em casa

Mensagem viral aponta que vítimas da Covid-19 não morreram por complicações respiratórias

São Paulo

É falsa a corrente que circula em aplicativos de mensagens sobre conclusão médica a partir de autópsias feitas na Itália de que a Covid-19 não mata por pneumonia. Também são incorretas as informações de que a doença, ainda que em seu estágio inicial, deve ser tratada em casa, com antibióticos, anti-inflamatórios e anticoagulantes.

A mensagem que viralizou indica que médicos italianos teriam descoberto a partir dos exames cadavéricos que as vítimas do coronavírus morreram em decorrência de problemas circulatórios, e não por complicações respiratórias, como se pensava. Autoridades de saúde como a OMS (Organização Mundial da Saúde) e o Ministério da Saúde do Brasil, entretanto, classificam a Covid-19 como uma doença infecciosa que pode apresentar quadros graves respiratórios.

Complicações também podem gerar tromboses em pacientes com a Covid-19, mas ainda não houve mudança nos protocolos e tratamentos médico. No início do mês, resultados clínicos preliminares obtidos no Hospital Sírio-Libanês mostraram que frear a coagulação que ocorre junto com a hiperinflamação causada pela Covid-19 pode ajudar a evitar mortes pela doença.

O experimento no hospital consistia em aumentar, aos poucos, doses de anticoagulantes em pacientes internados com coronavírus em estado grave. Mas ainda não existe comprovação da eficácia do método, tão pouco do uso de anticoagulantes para o estágio inicial da doença.

A mesma mensagem ainda indica que antibióticos e anti-inflamatórios têm efeitos positivos se administrados no estágio inicial. Novamente, informação sem comprovação científica.

O que se tem, por enquanto, é que o remdesivir se tornou na quarta-feira (29) o primeiro remédio a ser anunciado pelo governo americano como capaz de melhorar a situação dos doentes de Covid-19. Um estudo teria mostrado que o antiviral reduziu o tempo mediano de recuperação dos doentes de 15 para 11 dias. “Recuperação”, no caso, quer dizer alta do hospital e volta às atividades normais.

Os sintomas mais comuns da Covid-19 são febre, cansaço e tosse seca. Em casos mais graves, a doença pode, sim, causar problemas respiratórios e até pneumonia. No caso do novo coronavírus, cerca de 20% dos pacientes chegam a desenvolver o quadro de síndrome respiratória aguda, segundo a OMS. A falta de ar é o alerta para procurar ajuda médica.

Dados do Ministério da Saúde apontam que as hospitalizações por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) desde o início do ano até a terça-feira (28) já somavam mais de 72 mil. No mesmo período de 2019, esse número foi de 13,5 mil —um aumento de 430%.

Vale lembrar que o médico de emergência americano Richard Levitan alertou em artigo publicado no jornal New York Times, na semana passada, para o fato de que a pneumonia causada pelo novo coronavírus evolui de forma silenciosa, por isso sua gravidade.

Ainda não há clareza sobre as sequelas de quem tem a pneumonia causada pelo Sars-Cov-2, como é conhecido o vírus que causa a Covid-19. A gravidade da pneumonia, entretanto, é indicada pelo tempo de permanência em aparelhos respiradores, que tem variado de três a cinco semanas, algo fora do comum.

Casos críticos, portanto, não podem ser tratados em casa, apenas os leves, como vem sendo divulgado por autoridades da saúde.

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