Descrição de chapéu Coronavírus

Mesmo em feriado de Páscoa, isolamento em SP não sobe

Grande SP é região que mais respeita distanciamento, aponta monitoramento do governo

São Paulo

Apesar dos esforços do governo de São Paulo para convencer a população a ficar em casa e evitar aglomerações, monitoramento da gestão João Doria (PSDB) mostra que este domingo de Páscoa (12) teve o mesmo índice de isolamento do domingo anterior (5) e ainda muito abaixo da meta.

Dados de operadoras de telefonia compartilhados com o governo mostram que 59% da população do estado esteve em isolamento neste feriado, exatamente o mesmo índice da semana anterior. A meta definida pelos órgãos de combate ao novo coronavírus é de 70% de isolamento.

O governo diz que, se a taxa continuar baixa, o número de leitos disponíveis no sistema de saúde não será suficiente para atender a população. Um dos objetivos do isolamento social é distribuir ao longo do tempo o número de casos de pessoas doentes e assim evitar a sobrecarga de unidades de saúde e hospitais.

Só três cidades atingiram a meta do governo, duas delas na região metropolitana da capital: Itapecerica da Serra (76%), Ribeirão Pires (72%) e Itatiba (71%).

A capital paulista registrou, neste domingo, 58% de isolamento. A cidade já confirmou até a tarde desta segunda (13) 456 mortos pela Covid-19 e 6.831 contaminações —embora estime-se que haja alta subnotificação.

Na última semana, Doria afirmou que esperava obter um índice de pelo menos 60% de isolamento no estado neste feriado, o que não aconteceu, e ameaçou usar a polícia.

"Se não houver neste final de semana consciência das pessoas, seja na capital de São Paulo ou em qualquer outra região neste fim de semana, nós estamos monitorando isso pelos celulares, a partir de segunda-feira o governo do estado de São Paulo tomará medidas mais rigorosas e mais duras, inclusive com a penalização de prisão para as pessoas que desobedecerem essa orientação", disse, em entrevista a um canal de TV.

A Folha apurou que a Polícia Militar não fez nenhuma prisão neste sentido nesta segunda-feira (13) e que, por enquanto, isso não é uma possibilidade.

A Grande São Paulo é a área que mais tem obedecido ao isolamento. Dos 51 municípios analisados pelo monitoramento estadual, 29 deles que atingiram o mínimo de 60%. E 18 estão na região metropolitana da capital.

Embora não tenha sido atingido na capital, o índice ficou mais alto em algumas das cidades mais populosas, como São Bernardo do Campos (60%) e Guarulhos (63%), ambas na Grande São Paulo.

Além da capital, só Santo André e Barueri ficaram abaixo dos 60% —com índices de 59% e 56%, respectivamente.

Já o interior acumulou os menores índices. Campinas registrou isolamento de 57%, e Ribeirão Preto, 54%. Essas cidades já confirmaram 5 e 4 mortes respectivamente. Cubatão, cidade industrial na Baixada Santista, teve o pior número: apenas 40% de isolamento. Por lá, há a confirmação de duas pessoas infectadas.

O dado divulgado pelo governo sempre se refere ao dia anterior. A informação é levantada pelo Sistema de Monitoramento Inteligente, montado no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo, que recebe dados das operadoras de telefonia Vivo, Claro, Oi e Tim. O governo diz que as informações são agregadas e anônimas, de modo a não identificar exatamente quem é que está se deslocando ou se aglomerando.

Com base nessas informações, o governo passou a disparar alertas via mensagem de texto para celulares em regiões com baixo índice de isolamento, orientando sobre a importância de ficar em casa a fim de evitar a disseminação do novo coronavírus.

A plataforma é comandada pela secretaria de Desenvolvimento Econômico, e agrega outros dados além dos de telefonia, como informações sobre a evolução de casos em cada município, e a pasta trabalha para integrar dados de ocupação de leitos, necessidade de insumos e população vulnerável, segundo a secretária Patrícia Ellen.

"A ciência e a tecnologia são fundamentais no combate ao coronavírus. A inteligência de dados por trás do SIMI nos ajuda a identificar os resultados das medidas de isolamento social, bem como indicar tendências e antecipar medidas contra o avanço do COVID19", afirma ela.

"Países e estados que conseguiram taxas de isolamento como a nossa, tiveram que recorrer a modelo modelos de confinamento (“lockdown”) e/ou violamento de dados do indivíduo. No estado de São Paulo não aplicamos nenhum destes modelos", diz.

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