Descrição de chapéu Coronavírus

Diante de número de mortes por coronavírus, Congresso e STF decretam luto

Ato assinado por Câmara e Senado prevê bandeira hasteada a meio-mastro e proíbe qualquer comemoração no Legislativo por três dias

Brasília

No mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pretendia fazer um churrasco no Palácio da Alvorada, o Congresso Nacional decretou luto de três dias.

Horas depois, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, seguiu a mesma linha e também decretou três dias de luto em homenagem às vítimas do novo coronavírus.

Neste sábado (9), a Bandeira Nacional será hasteada a meio-mastro diante do Congresso, onde acontece uma manifestação a favor de Bolsonaro.

Pelo ato assinado pelos presidentes do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), "ficam proibidas quaisquer celebrações, comemorações ou festividades, no âmbito do Congresso Nacional, enquanto durar o luto".

Homem enrolado com a bandeira do Brasil grita para servidores da Polícia Legislativa que colocam a bandeira do Brasil em meio mastro na frente do Congresso Nacional - Pedro Ladeira/Folhapress

Os números de casos confirmados e mortes por coronavírus ainda não foram atualizados pelo Ministério da Saúde neste sábado.

Toffoli fez o mesmo e também determinou que a bandeira do Brasil em frente à corte fique hasteada a meio-mastro, além ter proibido que haja qualquer celebração na instituição nesse período.

Na sexta, a Saúde informou que o Brasil havia registrado 751 novas mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, o quarto dia seguido com mais de 600 óbitos por dia.

Com isso, chegava a 9.897 o número de mortes confirmadas pela doença. O país também tem, pelos dados de sexta-feira, um total de 145.328 casos.

O ato do Congresso, no entanto, já considera um número maior de mortes.

Nas justificativas para a edição do ato, Alcolumbre e Maia consideram que estatísticas contabilizam "mais de 10 mil vítimas".

Eles apontam também "o sofrimento das milhares de famílias que perderam seus entes queridos, sem que tenham podido prestar suas últimas homenagens".

Os dois ressaltam ainda "o sentimento comum das bancadas parlamentares dos mais diversos estados da Federação e do Distrito Federal".

Em nota, eles dizem que "é uma tragédia que nos devasta mais a cada dia. Dez mil pessoas, amadas e importantes para outras pessoas, cheias de sonhos, tiveram suas vidas interrompidas​".

"A situação que estamos vivendo é lamentavelmente singular. Nossas cidades paradas, nossas crianças sem aulas, nosso povo assustado. O combate a um inimigo tão invisível quanto mortal, que ataca sem respeitar fronteiras ou aviso prévio, é sacrificante e cruel", diz o comunicado conjunto.

​Ao afirmar que trata-se de "um momento difícil para todos", Alcolumbre e Maia dizem que o Legislativo tem feito sua parte. "Quando se trata de proteger a vida dos brasileiros, que é o valor maior, não há dúvida quanto ao caminho a ser trilhado; não há hesitação possível."

Eles afirmam que o país sairá da pandemia "machucado, enlutado, entristecido, assim como outras nações​" e com um desafio de retomada. Por fim os dois presidentes do Legislativo insistem no pedido por isolamento social.

"Mesmo chorando a morte dos nossos irmãos e irmãs brasileiros, conclamamos todos a manter as recomendações das autoridades de Saúde, diminuindo o ritmo dessa terrível doença, enquanto nos preparamos para um retorno seguro e definitivo à normalidade", encerra a nota.

Já Bolsonaro havia anunciado na quinta-feira (7) e na sexta que realizaria um churrasco com ministros e servidores do governo neste sábado, no Palácio da Alvorada.

Diante da repercussão negativa, ele cancelou a confraternização e chamou de mentira o que ele mesmo havia anunciado.

Em nota para anunciar o luto, o presidente do STF também lamentou os dados da doença no país.
“O Brasil alcançou oficialmente dez mil mortes em razão do novo coronavírus (Covid-19). Os números, por si só, não dão conta do tamanho da tragédia. Cada vítima tinha um nome e projetos de vida que foram interrompidos, bem como familiares e amigos que agora sofrem com essa grande perda”, afirmou Toffoli por meio de nota ao anunciar o luto.

O magistrao também ressaltou que é momento de união para superar as consequência do covid-19.“

Precisamos, mais do que nunca, unir esforços, em solidariedade e fraternidade, em prol da preservação da vida e da saúde. A saída para esta crise está na união, no diálogo e na ação coordenada, amparada na ciência, entre os Poderes, as instituições, públicas e privadas, e todas as esferas da Federação desse vasto país”.

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