Descrição de chapéu Coronavírus

Enquanto Baixada Santista tem explosão de casos de Covid-19, litoral norte de SP mantém praias abertas

Cidades da região de Santos têm 8 de cada 10 leitos de UTI ocupados; norte tem menos casos e aposta em multas e drones

Santos

Com 112 mortes e quase 1.500 casos do novo coronavírus, a Baixada Santista tem uma média de oito de cada 10 leitos de UTI ocupados e vive em estado de alerta com o avanço da pandemia do novo coronavírus. Por sua vez, as cidades do litoral norte têm menos casos da doença, e esperam conter a chegada de turistas durante mais um feriado prolongado.

Em São Sebastião e Caraguatatuba, principais cidades do litoral norte do estado, as praias não estão fechadas por conta de legislação ou localização.

Assim, as prefeituras adotaram medidas para impedir aglomerações, como barreiras sanitárias, multas a carros estacionados nas praias, medições de temperaturas e drones para fiscalização.

Com 70 casos de Covid-19 confirmados e dois óbitos, São Sebastião tem somente quatro dos seus 22 leitos de UTI ocupados. Mesmo assim, o prefeito Felipe Augusto ressaltou que a cidade teve um salto de 140% no número de casos recentes, principalmente pela movimentação de turistas na região.

A doença chegou com um grupo de pessoas que foi passar um fim de semana nas praias de Maresias, Baleia e Juqueí.

Apesar de São Sebastião ter 90 mil habitantes, o prefeito estima que, hoje, existam 140 mil pessoas na cidade. "Muita gente veio passar a quarentena aqui".

Com mais de 30 praias e 100 km de litoral, São Sebastião é cortada por uma única avenida, que passa em frente às praias, razão pelo qual, segundo o prefeito, não pode ser feito o fechamento. "É diferente de outras cidades, como Guarujá. Aqui, é uma rodovia que corta município, temos órgãos distintos mandando na mesma cidade e é uma confusão gigantesca".

A prefeitura prometeu multar quem estacionar na avenida da praia e pedirá para os visitantes se retirarem caso insistam em comparecer. "As praias estão aqui para sempre, não sairão daqui. É o momento de ficar em casa, se encostar na praia vamos solicitar de forma cordial a saída", disse o prefeito

São Sebastião montou uma operação de barreiras sanitárias que vão parando os carros sem placas locais e medindo a temperatura. Se alguém estiver em estado febril é encaminhado a uma unidade de pronto atendimento.

Mais de 200 carros foram parados nesta quinta-feira (30), segundo o prefeito. A cidade também aposta em um bloqueio com tratores nas praias que reunirem movimentos maiores, a fim de retirar os banhistas que insistirem em permanecer.​

Outra medida será um drone com uma caixa de som para localizar aglomerações, com uma câmera térmica interna que identifica a temperatura do cidadão. "No caso de algo acima do comum, batendo os 38 graus, a pessoa vai ser abordada imediatamente pelos enfermeiros e, se confirmada a febre, será encaminhada a uma unidade hospitalar".

Em Caraguatatuba, são 33 casos confirmados de Covid-19 até o momento, com 4 óbitos. A prefeitura também tomou a iniciativa de proibir os carros de estacionarem na orla para coibir o turismo.

Desde que começou o isolamento na cidade, dia 16 de março, foram aplicadas 270 multas. Porém, o acesso à faixa de areia não está proibido.

Malu Bacarat, secretária de comunicação social e porta-voz da prefeitura, afirmou que a cidade não pode estipular decretos interditando a praia porque ela é cortada pela estrada. Pela mesma razão, o governo não permitiu a realização de barreiras fechando a rodovia. A rua da praia ainda é caminho para quem está trabalhando em serviços essenciais.

Como medidas de segurança, Caraguatatuba está promovendo um pedágio de saúde no local que tem a maior entrada das pessoas na cidade, colocando carros de som alertando as pessoas e realizando abordagens com a defesa civil rodando todas as praias e conversando com o público que insiste em visitar o local.

No último feriado, de Tiradentes, Caraguatatuba registrou 100% de ocupação em seus 24 leitos de UTI, o que deixou a prefeitura preocupada.

No momento, a cidade não está com ocupação alarmante nos leitos de UTI locais. Porém, no hospital regional, que atende também São Sebastião, Ubatuba e Ilhabela, a utilização está em 80%.

Ubatuba é uma das cidades que não possui leitos de UTI no litoral norte. Sem óbitos confirmados da doença e 19 casos com testes positivos, as praias locais foram fechadas por força de decreto, mas a cidade não vai impor barreiras de acesso aos visitantes.

A prefeitura de Ubatuba disse, em nota, que programou uma ação para o feriado com a guarda civil para percorrer as praias da Maranduba, Perequê-Açu e Praia Grande, a feira livre realizada tradicionalmente aos sábados e o Mercado Municipal de Peixes, orientando a população quanto as formas de contágio do novo coronavírus.

Segundo a prefeitura, os turistas serão orientados sobre o uso de máscaras e será feita a medição de temperatura com termômetro digital infravermelho. Para aqueles que o resultado for temperatura elevada, a pessoa será orientada a retornar para sua cidade de origem.

Em Ilhabela, a balsa foi fechada por decreto no dia 20 de março, e a cidade é a única do litoral norte que não registrou crescimento de casos de Covid-19. Eram apenas quatro, segundo boletim desta quarta (29) divulgado pela prefeitura.

Em contrapartida aos casos reduzidos no litoral norte, as praias da Baixada Santista estão fechadas devido à escalada do Covid-19.

Presidente do Condesb (Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista), o prefeito de Santos disse à Folha que os leitos de UTI da região atingiram a taxa de ocupação de 80% e estão à beira de um colapso.

Por isso, o acesso à faixa de areia das cidades da Baixada Santista está interditado, tanto para turistas quanto para residentes.

Os municípios também ampliaram as barreiras de acesso durante os feriados prolongados. Para o 1º de maio, o prefeito de Santos pediu o apoio da Polícia Militar para impedir deslocamentos e acessos pelo sistema Imigrantes.

"Não tem sentido fazer turismo em um momento como esse. A quarentena não é férias, os turistas estão sendo bem-vindos, mas pedimos que visitem depois, não é o momento. Pedimos ajuda do estado para bloqueio do acesso às praias", disse o prefeito Paulo Alexandre Barbosa.

Ele apontou que nos próximos dias irá ocorrer a superlotação em algumas cidades, e a Baixada Santista deve ser uma das regiões mais afetadas.

Com 217 leitos de UTI, concentrando a maior parte do recurso no litoral do estado, Santos já tem alguns hospitais privados com lotação de 95% a 100% dos leitos.

"As regiões que precisam de mais atenção devem ser priorizadas. A nossa região tem um maior número de casos e precisa de mais recursos, nosso pleito é em função da situação da região e esperamos que possa ser atendido com urgência, ou teremos um colapso", apontou o prefeito.

"Algumas cidades da região não tem nenhum leito disponível e é extremamente preocupante. Temos a necessidade de ampliar os leitos. Os prefeitos fazem um apelo aos governos federal e estadual, para que nos apoiem, temos hospitais prontos na Baixada e precisamos de recursos para custeio e equipamentos", acrescentou.

Em Santos, até esta quinta (30) eram 625 casos confirmados, 325 suspeitos, 52 óbitos e outros 15 em investigação.

Segunda cidade com mais mortes na Baixada, a Praia Grande vai realizar ações de fiscalização no feriado, com equipes da guarda civil, defesa civil e bombeiros, além de câmeras de monitoramento para identificar aglomerações de pessoas na praia ou em outros pontos.

Está permitida a pratica do surfe das 5h as 8h da manhã. Por lá, são 463 casos confirmados, 371 suspeitos e 31 óbitos.

Em Guarujá, o secretário de saúde, Victor Hugo Straub Canasiro, ressaltou que a cidade tem hoje 60% dos leitos de UTI ocupados, menor do que a média na Baixada Santista, mas que na rede privada a ocupação já chega a 100% e é preocupante para a prefeitura.

Por essa razão, a cidade espera não receber turistas durante o feriado, e foi outra a armar barreiras sanitárias em todas as sete entradas do município.

"Elas fazem o filtro dos carros que chegam aqui na cidade e um pente fino, não deixam que placas de outras cidades entrem sem prestar o devido esclarecimento. Quem vem para turismo é orientado a retornar ao local de origem, porque na cidade não pode entrar ainda", disse o secretário.

Com 22 quilômetros de faixa de areia distribuídos em 27 praias, Guarujá não está permitindo o acesso aos locais. Só está liberada a utilização das calçadas, com flexibilização de caminhadas, contando que exista o distanciamento. Os quiosques estão fechados, assim como o acesso ao mar para esportes como surfe e natação.

Na cidade, são 193 casos confirmados do novo coronavírus, com oito mortes.

As demais cidades da Baixada Santista, São Vicente, Cubatão, Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá e Bertioga, somam, juntas, mais de 200 outros casos de Covid-19, com 23 óbitos.

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