Descrição de chapéu Coronavírus

Quarentena mais dura para capital opõe equipes de Doria e Covas

Inclusão de SP numa área com maiores restrições incomoda integrantes da prefeitura, que dizem que diminuiu velocidade no contágio

São Paulo

Os detalhes da renovação da quarentena no estado de São Paulo elevaram a tensão entre as equipes do governador do estado, João Doria, e do prefeito da capital, Bruno Covas (ambos do PSDB).

Doria já afirmou que renovará a quarentena a partir de junho, mas de maneira heterogênea, com detalhes que serão anunciados nesta quarta-feira (27). Na noite desta terça, o governo soltou aviso de pauta afirmando que será anunciada a “nova fase do Plano São Paulo, que prevê a retomada das atividades econômicas a partir de critérios técnicos”.

A inclusão da capital paulista num eventual endurecimento, nesta quarta ou mais adiante, preocupa a equipe de Covas.

Um dos planos colocados à mesa é criar zonas no estado que, de acordo com seus índices, seriam classificadas como áreas verdes, amarelas ou vermelhas.

Por essa lógica, cidades do interior, hoje com baixo número de casos por grupo de habitantes, teriam maior liberdade, enquanto a região metropolitana, epicentro da crise, teria um endurecimento da quarentena.

Entre as mudanças nessas zonas vermelhas, na qual seria incluída a capital, estariam a limitação do trabalho inclusive da indústria e da construção civil. Além do impacto nas contas da cidade, uma medida neste sentido poderia afetar até grandes obras realizadas pela prefeitura em ano eleitoral.

O entorno do prefeito se opõe a esse endurecimento ainda maior, alegando que a cidade têm conseguido achatar a curva de transmissão

O prefeito Bruno Covas (PSDB) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), durante coletiva no Palácio dos Bandeirantes
O prefeito Bruno Covas (PSDB) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), durante coletiva no Palácio dos Bandeirantes - Governo do Estado de Sao Paulo

Conforme mostrou a coluna Mônica Bergamo, o índice de reprodução do vírus (Rt) da cidade, que indica para quantas pessoas cada infectado transmite a doença, está em 1.1, enquanto o do estado, incluindo o interior, chega a 1.7. O secretário de Saúde de Covas, Edson Aparecido, afirmou na ocasião que a situação está sob controle.

A gestão atribui às medidas tomadas na capital, como um megaferiado e outras logo abortadas, como o megarrodízio que tirava metade da frota das ruas e os bloqueios em corredores da cidade.

Outro dado que a gestão apresenta como exemplo de que fez a lição de casa é a criação de mais 1.007 leitos de UTI na cidade, triplicando os cerca de 500 existentes. Além disso, dois hospitais de campanha foram abertos, e as vagas de enfermaria foram ampliadas em outras unidades.

Com isso, os índices de ocupação de UTI têm permanecido próximos de 90%. Os índices de isolamento cresceram ligeiramente após caírem.

Doria, apesar de analisar não só a renovação como o endurecimento da quarentena, descartou um lockdown no estado neste momento.

"Ela vai levar em conta toda a regionalização de São Paulo, no interior, capital, região metropolitana, litoral. A decisão [sobre quarentena] não será homogênea. Até agora precisava ser. Agora, podemos fazer heterogênea, seguindo orientação do comitê de saúde. Em áreas que definam flexibilização cuidadosa e em etapas, isso será levado em consideração. Onde não puder, não será."

Inicialmente, o posicionamento da gestão Doria foi o de que o “lockdown” seria usado se necessário. Mas a medida por ora parece afastada. O coordenador do comitê contra o coronavírus , Dimas Covas, chegou a compará-la a um “atestado de falência do sistema público de saúde”, após ter indicado anteriormente que o estado estaria próximo de reunir as condições para “lockdown”.

No último dia 13, listou como principais critérios para adoção do ‘lockdown’ a velocidade do contágio e lotação das UTIs, e depois citou os altos numeros paulistas alertando para uma “luz amarela”.

"Existem critério internacionais. O primeiro é a taxa de ocupação dos leitos de UTI. Quando essa taxa, ultrapassa 90%, liga-se a luz amarela. Chegando a 100%, o sistema começa a entrar em crise. A segunda variável é a taxa de transmissão, a capacidade de um indivíduo transmitir para outros. Quando é superior a um, a pandemia vai progredir. A associação desses dois fatores determina a necessidade determina o lockdown", disse então. "Nós estamos próximos de 90% de ocupação e a taxa de contágio é superior a um".

Na capital paulista, a taxa de ocupação dos leitos de UTI para Covid tem girado em torno de 90%, com oscilações. A prefeitura tem negociado a compra de leitos na rede privada para expandir o total.

A equipe de Bruno Covas também já começava a se preparar para iniciar tratativas de uma futura de retomada, sem data ainda, com a criação de protocolos para evitar os contágios na cidade

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