Descrição de chapéu Coronavírus

28 moradores de rua já morreram por coronavírus na cidade de SP

Mais de 500 passaram por abrigos para casos suspeitos e confirmados

São Paulo

Ao menos 28 moradores de rua morreram por coronavírus na capital paulista desde o início da pandemia, segundo dados da Prefeitura de São Paulo.

Além disso, mais de 500 pessoas em situação de rua passaram por abrigos para casos suspeitos ou confirmados da doença.

Entre as vítimas da doença estava Suelen Ferreira Rodrigues, que vivia na região da Mooca (zona leste de SP). “Ela tinha outros problemas de saúde, não estava bem. A gente encaminhou para a UBS, depois ela foi para o hospital”, conta o padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, que acompanhava a situação da mulher.

Lancellotti diz que o ex-companheiro de Suelen está sendo acompanhado, inclusive psicologicamente, após a morte.

De acordo com censo da prefeitura, há 24.344 moradores de rua na cidade de São Paulo, dos quais 7.002 estão no grupo de maior risco e têm mais de 50 anos, e 2.210 têm mais de 60 anos. Do total, 12.651 vivem em situação de rua --os demais, em abrigos.

A prefeitura diz que, na pandemia, criou 1.072 vagas de acolhimento para pessoas em situação de rua, com dois locais voltados especificadamente para casos suspeitos e confirmados de coronavírus.

Um dos locais fica na Lapa (zona oeste), e é destinado para pessoas com suspeita da doença, hoje com 51 pessoas. No total, 411 pessoas já passaram por lá.

O outro fica na Vila Clementino (zona sul), voltado a pessoas com confirmação do diagnóstico. Por ali, já passaram 115 pessoas —atualmente, há 11.

Assim como os dados da população geral, há grande subnotificação e dificuldade em se saber qual é a real dimensão da epidemia entre aqueles que vivem nas ruas.

O principal atendimento ocorre por meio dos consultórios de rua, serviço municipal que possui médicos, enfermeiros e outros profissionais. Atualmente, são 25 equipes que atuam também na busca de sintomas de coronavírus, entre outros.

Com a chegada do inverno, onde há maior disseminação de doenças respiratórias, aumenta a a apreensão entre os moradores de rua. O coronavírus se soma a uma conjuntura na qual todos os anos há pessoas que morrem de frio pela cidade. No contexto da pandemia, há ainda muitos relatos de agravamento dos problemas por quadros de depressão.

Geralmente mais lotados no inverno, os albergues são ambientes onde há potencial de fácil disseminação da Covid-19, devido à grande concentração de pessoas.

A prefeitura sustenta, porém, que os centros de acolhida têm estrutura higienizadas constantemente, são mantidos com as janelas abertas e que “as camas foram colocadas em distância segura”.

De acordo com o padre Júlio Lancellotti, porém, a solução ideal seria haver hotéis para os moradores de rua. “A questão é aglomerar. Você coloca 100, 200 pessoas no mesmo lugar. Tem muita gente dormindo junta”, diz.

Voltados a pessoas em grupo de risco, os hotéis para essa população foram uma promessa da gestão Covas que, até o momento, não foi concretizada.

A prefeitura afirma que foram recebidas três propostas para o edital de credenciamento para estabelecimentos hoteleiros. Em análise, as três foram inabilitadas por não atenderem aos critérios exigidos no edital.

“A pasta estuda alternativas para viabilizar o projeto”, diz a gestão.

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