Descrição de chapéu Coronavírus

Opas e OMS dizem que continuarão a trabalhar com Brasil apesar de problemas políticos

Diretor recomenda que governo brasileiro mantenha divulgação de dados sobre a Covid-19 no Brasil

São Paulo

Em entrevista à imprensa realizada nesta terça-feira (9), Marcos Espinal, diretor do departamento de doenças transmissíveis da Opas (Organização Panamericana da Saúde), disse que tanto a entidade como a OMS (Organização Mundial da Saúde) continuarão trabalhando com o Brasil no combate ao coronavírus apesar "da coisa política”.

Para Espinal, o Brasil tem um sistema de saúde único que é uma joia e presta serviços de atendimento básico importantes. “A organização continuará trabalhando com o Brasil. Estamos capacitando profissionais de saúde em Manaus e em outras áreas. O Brasil tem uma história de cooperação com a OMS e a Opas, além de um sistema de saúde único, uma joia. Acreditamos que, independentemente da coisa política, nós continuaremos apoiando o Brasil’, disse.

Na última sexta (5), o presidente Jair Bolsonaro disse que o Brasil poderia deixar a OMS caso organização não deixe de ser uma entidade “política e partidária”.

“Adianto aqui: os EUA saíram da OMS, a gente estuda no futuro. Ou a OMS trabalha sem o viés ideológico ou a gente está fora também. Não precisamos de gente lá de fora dar palpite na saúde aqui dentro”, disse. “Ou a OMS realmente deixa de ser uma organização política e partidária ou nós estudamos sair de lá."

As críticas de Bolsonaro à OMS não são novas. Para o mandatário, a organização tem feito recomendações sanitárias contra o novo coronavírus que colocam em risco a economia, e por isso ele é favorável ao fim do isolamento social e à reabertura do comércio.

O governo Bolsonaro também causou confusão e muitas críticas nos últimos dias ao mudar a divulgação dos dados de Covid-19 no Brasil. O Ministério da Saúde passou a divulgar os boletins diários às 22h, e não mais às 19h, deixou de informar o total de mortes e de casos confirmados no país desde o início da pandemia e reformulou o portal e o aplicativo que continham as informações removendo os dados acumulados e mantendo apenas os diários.

Após pressão e posterior decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, o governo federal voltou a divulgar as informações completas.

Sobre o assunto, Espinal disse que qualquer país tem prerrogativa para escolher como divulgar as informações sobre a doença, mas que a Opas e a OMS recomendam que os países “sigam divulgando dados, [porque] isso permite aos governos e aos políticos planejarem sua resposta à pandemia e nos ajuda a saber como podemos ajudá-los. Estimulamos o brasil a continuar expondo os dados”, disse.

Espinal disse ainda que não é uma surpresa a recontagem de casos confirmados e de mortes anunciada pelo Ministério da Saúde. Ele cita que a China e os EUA também já passaram por esse processo porque surgiram novas informações sobre a doença.

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