Descrição de chapéu Coronavírus

Pandemia afeta tratamento de hipertensão em mais de metade dos países

Doença agrava casos de Covid-19; OMS detectou falhas também nos serviços a diabéticos e cardíacos

Bruxelas

A pandemia de coronavírus interrompeu parcial ou totalmente o tratamento de doenças não transmissíveis que agravam os problemas da Covid-19. Em mais da metade dos países (53%) o tratamento de hipertensão foi afetado, mostra pesquisa feita em maio e divulgada nesta segunda (1º) pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Em 49%, houve prejuízo ao tratamento de diabetes e complicações relacionadas à doença; em 42%, o tratamento de câncer foi afetado, e emergências cardiovasculares ficaram sem atendimento em 31% dos 155 países que passaram informações à OMS.

O problema afeta também o Brasil. Reportagem da Folha mostrou que em São Paulo, hospitais registraram queda de até 70% em atendimentos cardiológicos desde o início da pandemia.

“Não apenas as pessoas com essas doenças são mais vulneráveis ​​a ficar gravemente doentes com o vírus mas muitas estão incapazes de acessar o tratamento necessário”, disse Bente Mikkelsen, diretor do Departamento de Doenças Não Transmissíveis da OMS.

As doenças não transmissíveis matam 41 milhões de pessoas a cada ano, o equivalente a 71% de todas as mortes no mundo. Do total, 15 milhões dos mortos têm de 30 a 69 anos.

Até a manhã desta segunda, mais de 6 milhões de pessoas contraíram o coronavírus e mais de 370 mil morreram de Covid-19 no mundo, e o agravamento de casos por causa das doenças pré-existentes foi verificado em vários países.

Na Itália, por exemplo, 67% dos mortos tinham hipertensão e 31% tinham diabetes tipo 2, segundo a OMS. Na Espanha, entre os pacientes com doença grave de Covid-19, 43% tinham doenças cardiovasculares existentes.

Além de tratamentos, os serviços de reabilitação foram interrompidos em quase dois terços (63%) dos países, o que a organização considera sério, porque reabilitação é chave para uma recuperação saudável de casos graves da Covid-19.

A pandemia afetou também a prevenção: programas públicos de triagem (por exemplo, para câncer de mama e colo do útero) foram reduzidos em mais de 50% dos países. No Brasil, só na área de diagnóstico a queda no movimento é de 70% a 80%, segundo a SBP (Sociedade Brasileira de Patologia). Em muitos casos, porém, são os próprios pacientes que estão cancelando procedimentos com medo de serem infectados pelo coronavírus nos hospitais.

Na maioria (94%) dos países que responderam, funcionários da saúde pública que antes atendiam aos casos de doenças não transmissíveis foram transferidos para combater a pandemia de coronavírus.

Diminuição no transporte público disponível, escassez de medicamentos, equipamentos e capacidade de diagnóstico também foram causas citadas.

Segundo Mikkelsen, "ainda levará algum tempo até que possamos conhecer toda a extensão do impacto das interrupções nos cuidados de saúde durante o Covid-19 em pessoas com doenças não transmissíveis".

Erramos: o texto foi alterado

Versão anterior deste texto afirmou, incorretamente, que mais de 6 milhões de pessoas morreram por causa do coronavírus no mundo. Na verdade, mais de 6 milhões de pessoas contraíram o vírus. O número de mortes no mundo até esta segunda-feira era de 373 mil, segundo a Universidade Johns Hopkins.

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