Descrição de chapéu Coronavírus

Segunda fase de mapeamento da Covid-19 em São Paulo é iniciada

Primeira etapa apontou que 5% da população nos bairros mais afetados teve contato com o vírus

São Paulo

A segunda etapa do estudo que visa mapear a parcela da população que já contraiu o novo coronavírus na capital teve início na segunda-feira (15). Os dados dessa segunda fase serão coletados por oito dias.

A primeira etapa do projeto, concluída em maio, avaliou moradores dos três bairros com maior incidência de casos e outros três com maior número de óbitos por 100 mil habitantes (Morumbi, Jardim Paulistano e Bela Vista, e Água Rasa, Belém e Pari, respectivamente) e apontou que cerca de 5% da população desses locais já teve contato com o vírus.

Agora, os pesquisadores vão analisar a população dos 120 distritos censitários da capital, de acordo com o IBGE. Serão avaliados mil moradores em cada uma das cinco etapas, a serem concluídas mensalmente, entre junho e outubro. Pode haver alteração da frequência de acordo com os resultados obtidos.

A pesquisa é uma iniciativa do Grupo Fleury em parceria com a ONG Instituto Semeia e o Ibope Inteligência, e tem apoio financeiro do Todos pela Saúde, fundo do Itaú Unibanco que arrecadou doações para combate ao coronavírus. Conta ainda com colaboração da Escola Paulista de Medicina, Faculdade de Saúde Pública da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

O objetivo do estudo é avaliar a prevalência da Covid-19 no munícipio, fornecendo assim ferramentas para monitorar a evolução da pandemia na cidade ao longo do tempo.

Segundo o diretor clínico do Grupo Fleury, o infectologista Celso Granato, a soroconversão —taxa de pessoas nas quais não foram detectados anticorpos e que em um segundo momento apresentaram essas moléculas no organismo— "pode ocorrer, às vezes, até depois de um mês, por isso demora mais a ter a sorologia positiva".

"O que nós observarmos nessa etapa representa mais ou menos a situação de um mês atrás, e assim sucessivamente.”

Para assegurar uma amostragem representativa da população paulistana, em cada uma das etapas os distritos censitários são selecionados por sorteio. Dentro do distrito sorteado, são também sorteados aleatoriamente os domicílios a serem visitados e, no momento de coleta do material para análise, também são sorteados os moradores que serão testados.

“Alguns estudos soroepidemiológicos avaliaram pessoas indo ao trabalho —por exemplo, em estações de metrô— ou doadores em bancos de sangue. Avalia-se uma parte da população, mas com um certo viés. O fato de fazer por sorteio torna o estudo mais aleatório e, esperamos, mais representativo da população.”

Granato afirma que pretendem ainda voltar aos bairros avaliados na etapa piloto do programa para poder avaliar não só a disseminação mas também a velocidade de aumento da doença na cidade.

Segundo pesquisadores envolvidos, um dos principais resultados do estudo é avaliar o número de casos leves e assintomáticos da Covid-19, que não levam a internações e, dessa forma, não entram nas notificações oficiais.

Fernando Reinach, professor titular de bioquímica da USP e um dos pesquisadores do estudo, afirma que na fase piloto cerca de 40% dos exames testados positivos eram de assintomáticos.

“O projeto-piloto teve uma amostragem pequena e por isso alguns resultados não puderam ser aferidos, dentre eles a positividade dentro de cada domicílio. Estes parâmetros todos vão ser confirmados em estudos com mais pessoas”, explica.

Além disso, Reinach ressalta que agora serão comparados também dados de soroprevalência entre os distritos censitários que comportam a metade da população com menor renda e aqueles que abrigam a metade mais rica da população.

O biólogo explica que embora diversas análises buscaram avaliar os efeitos da pandemia nas zonas periféricas e nas favelas, tidas como mais suscetíveis à Covid-19, o estudo será o primeiro a efetivamente testar e comparar esses dados em relação à situação de toda a capital.

“Vamos avaliar qual a taxa de positividade nas regiões menos favorecidas, nas regiões mais ricas e também na cidade toda. Já na semana que vem teremos esses resultados consolidados.”

Segundo Reinach, no primeiro dia de coleta já foram amostrados duzentos domicílios. O objetivo é atingir mil domicílios até o domingo (21).

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