Descrição de chapéu Coronavírus

SP ultrapassa 192.600 casos de Covid-19

Número pode ser maior; sistema de gerenciamento ambulatorial de pacientes do Ministério da Saúde apresenta falhas há dois dias

São Paulo

Desde o início da pandemia até esta quinta-feira (18), o estado de São Paulo somou 192.628 casos de Covid-19, de acordo com dados apresentados pelo secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, durante coletiva de imprensa.

O número de infectados é 0.58% maior que o registrado nesta quarta (17), quando chegou a 191.517. As mortes também tiveram alta, de 2,82%, passando de 11.521 para 11.846.

A doença se espalhou por 586 cidades paulistas. Em 326 há pelo menos um óbito. Dos mortos, 6.851 são homens e 4.995 mulheres.

Segundo Germann, a expectativa é que o número de infectados seja maior, porque há dois dias o levantamento diário de casos de Covid-19 está prejudicado por uma falha no banco de dados do e-SUS, sistema do Ministério da Saúde que faz o gerenciamento ambulatorial de pacientes na rede pública.

O e-SUS é a principal fonte de informação de casos confirmados, principalmente dos que não necessitaram internação (para óbitos e internações há outras fontes). O indicador também é importante para o direcionamento de ações do Plano São Paulo em relação ao afrouxamento da quarentena no estado.

Em relação aos óbitos por Covid-19, de acordo com projeção do Centro de Contingência do Coronavírus, estado de São Paulo deve ter entre 15.000 e 18.000 mortos até 30 de junho.

O coordenador do Centro de Controle de Doenças do estado, Paulo Menezes, ressalta a importância de compreender a distinção da contribuição do teste sorológico e do PCR nos casos confirmados de Covid-19.

"A proporção da confirmação de casos através desse método é progressivamente maior. De um total de 187.000 casos que tínhamos há dois dias, 36.500 foram identificados através de testes sorológicos. O teste sorológico é importante porque avalia se o indivíduo desenvolveu anticorpos por ter sido infectado, apesar de não sabemos em que momento isso ocorreu ou se houve sintomas, se teve um quadro de síndrome gripal ou não", segundo Menezes.

No dia 16 de junho, a identificação de casos por teste sorológico correspondeu a praticamente 1/4 dos confirmados naquele dia, explica Menezes, que não forneceu os números absolutos.

"Quando a gente olha a progressão da epidemia no estado, dá a impressão de que está aumentando mais do que a gente gostaria, mas a contribuição dessas pessoas que, na verdade, só estão nos informando que tiveram infecção pelo vírus (e a grande maioria já está recuperada), não nos dá uma ideia exata do ponto de vista daqueles que ainda requerem algum tipo de assistência, seja ela no nível da atenção primária ou mais complexa, como internação e UTI", diz Menezes.

Nesta quinta, 14.041 pessoas com confirmação ou suspeita de Covid-19 estão internadas no estado. Destas, 8.620 permanecem em enfermarias e 5.421 em unidades de terapia intensiva. As taxas de ocupação dos leitos de UTI são de 71,3% na Grande São Paulo e 67% no Estado.

O Hospital das Clínicas completou nesta quarta 3.000 internações pelo novo coronavírus, Desde 30 de março, o hospital destinou o Instituto Central exclusivamente para tratamento de casos de Covid-19. No período, houve um aumento no número de leitos de UTI, de 84 para 300 leitos. Enfermarias e centros cirúrgicos foram transformados em terapia intensiva, e funcionários foram treinados para atuarem durante a pandemia.

As regiões de Campinas e Sorocaba, no interior paulista, são as que mais preocupam as autoridades médicas atualmente, pelo aumento das taxas de ocupação nos últimos dias. Ambas apresentam taxas de ocupação de leitos de UTI altas nos hospitais públicos — 70% e 83%, respectivamente.

Se observados os dois municípios separadamente, os números são mais assustadores. Campinas tem taxa de ocupação de 90% dos leitos de UTI e uma taxa de internação de 104% comparando duas semanas a contar de sete dias atrás. A cidade de Sorocaba tem 127% de crescimento nas internações.

"Já encaminhamos nesta semana 65 respiradores para a região de Campinas e 25 para a de Sorocaba e até sábado as duas regiões receberão mais 50 respiradores cada", afirma Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional.

Nesta quinta, o AME Campinas chegará a 35 leitos de UTI. O serviço foi reprogramado para o enfrentamento à pandemia.

O estado de São Paulo receberá mais 500 respiradores até a próxima segunda-feira. Com o montante, o total desses equipamentos passará de 3.200, o que permitirá um aumento de 130% no número de leitos de UTI no estado.

"Se o estado não tivesse aumentado a capacidade hospitalar, 2.168 pessoas teriam ficado sem vagas de UTI", diz Vinholi.

O estado também fará a distribuição de 250 mil kits de swab para teste de Covid-19 aos municípios.

No dia 16 de junho, as taxas de isolamento social ficaram em 46% no estado e 48% na capital. Nesta quarta, 46% no estado e 47% na cidade de São Paulo.

O coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus, Carlos Carvalho, disse que recebeu algumas solicitações para a reabertura dos parques e atividades ao ar livre.

A possibilidade está em avaliação e poderá ocorrer se houver condições de segurança em termos de distanciamento e de contato. A decisão sairá na próxima semana.

Num primeiro momento, os parques foram vistos como locais potenciais para aglomerações.

Atualmente, no Plano São Paulo, o funcionamento dos parques públicos está previsto para a última fase. ​

Outro lado

Ministério da Saúde diz que sistema está normal

O Ministério da Saúde esclarece que o processo de notificação de casos suspeitos de Covid-19 está ocorrendo normalmente e a base de dados está totalmente preservada.

É importante destacar que existem duas formas de exportação de dados do sistema e-SUS Notifica: diretamente do aplicativo ou por meio de uma aplicação (API). Este último utiliza tecnologia mais leve e é indicado para grandes volumes de dados, caso de secretarias estaduais de saúde e de grandes municípios. Ocorre que algumas unidades da federação utilizaram o aplicativo para exportação de dados, o que não é recomendado.

O Ministério da Saúde afirma, em nota, que orientou sobre o uso correto e que o Datasus (Departamento de Informática do SUS) trabalha para oferecer esta mesma tecnologia para os municípios que tenham um grande volume de dados.

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