Médica usa informações falsas em vídeo para falar em cura da Covid-19

Madonna e Donald Trump compartilharam conteúdo falso, que posteriormente foi derrubado por redes sociais

São Paulo

O vídeo em que uma médica camaronesa radicada nos Estados Unidos defende um coquetel de medicamentos como cura para a Covid-19 e critica o uso de máscaras apresenta informações falsas. Tanto a OMS (Organização Mundial da Saúde) quanto as autoridades sanitárias americanas e do Brasil já declararam que ainda não há cura para o novo coronavírus e que as máscaras são uma das poucas medidas eficazes para evitar a propagação do vírus.

A gravação, verificada pelo Comprova, foi feita nos Estados Unidos e teve ampla viralização em redes sociais, sendo compartilhada até pela cantora Madonna e pelo presidente Donald Trump e por um de seus filhos. Twitter, Facebook, Instagram e YouTube derrubaram algumas publicações do vídeo alegando que ele cria desinformação sobre a pandemia.

No Brasil, o conteúdo viralizou com legendas em português em uma postagem no Twitter. A equipe do Comprova tentou contato, por meio de mensagem na plataforma, com a mulher que publicou o vídeo, mas não recebeu retorno até a publicação deste texto.

A médica Stella Immanuel, de Houston, que defendeu a hidroxicloroquina como cura da Covid-19 em vídeo postado pelo filho de Trump
A médica Stella Immanuel, que defendeu a hidroxicloroquina como cura da Covid-19 em vídeo - @stella_immanuel no Twitter

Stella Immanuel é médica de Camarões radicada no Texas, nos Estados Unidos. No vídeo verificado, ela afirma que conhece bem a hidroxicloroquina porque a prescrevia para o tratamento da malária na Nigéria, onde estudou medicina.

Immanuel, que tem uma clínica privada em Houston, também é pastora evangélica e em seus sermões costuma fazer declarações polêmicas sobre assuntos relacionados à medicina. Já afirmou que relações sexuais com demônios são a origem de doenças ginecológicas, que o DNA de aliens é usado em tratamentos médicos e que cientistas estão desenvolvendo uma vacina para acabar com as religiões. “Eles encontraram o gene na mente das pessoas que faz com que você seja religioso e agora podem vacinar contra isso”, disse.

Depois da fama conquistada pela gravação verificada aqui, Immanuel publicou um outro vídeo em que exige que jornalistas e médicos, como Anthony Fauci –chefe do National Institute of Allergy and Infectious Diseases, consultor técnico da Casa Branca e um dos principais especialistas em doenças infecciosas nos Estados Unidos–, cedam amostras de urina para provar que não estão tomando hidroxicloroquina secretamente. Ela também pediu que o presidente Donald Trump a recebesse na Casa Branca.

Verificação

Nesta terceira fase, o Comprova faz verificações de conteúdos que versam sobre políticas públicas do governo federal e sobre a pandemia e que tenham grande viralização. O conteúdo verificado aqui, depois de atingir milhões de pessoas ao ser divulgado pelo presidente dos Estados Unidos e por seu filho, continuou circulando nas redes sociais. A publicação no Twitter, objeto da verificação, teve quase 11 mil interações até o dia 29 de julho.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a Covid-19 disponíveis no dia 29 de julho de 2020.

A investigação desse conteúdo foi feita por UOL e SBT e publicada na quarta-feira (29) pelo Projeto Comprova, coalizão que reúne 28 veículos na checagem de conteúdos sobre coronavírus e políticas públicas. Foi verificada por Folha, Jornal do Commercio, Estadão, Nexo, Piauí e BandNews.

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