Descrição de chapéu Coronavírus

Especialistas ensinam a lidar com a vida pós-quarentena

Médicos e consultora em etiqueta indicam como encarar situações que incluem elevador lotado e loja com atendente sem máscara

São Paulo

Depois de um plantão em meio à pandemia do coronavírus, a otorrinolaringologista Maura Neves, do Hospital Universitário da USP, estava para subir no elevador quando seu vizinho ameaçou entrar também.

Ele ouviu uma negativa ríspida da médica. “Minha neura era eu passar algo para ele, mas ele ficou aborrecido."

Assim como aconteceu com Maura, situações antes comuns no dia a dia precisam ser revistas à luz das novas regras sanitárias. As novidades, porém, podem confundir alguns e gerar desconforto na convivência quando trata-se do distanciamento ou até o uso de máscaras.

A reportagem conversou com especialistas que explicam como lidar com o novo cenário.

Elevadores

Em uma situação semelhante à de Maura Neves no elevador, como proceder? A consultora em etiqueta social Denise Farah e o infectologista do hospital Beneficência Portuguesa João Prats dizem que o mais importante, hoje, é que todos estejam de máscara e mantenham a distância.

Prats lembra que, se, mesmo assim, um dos presentes não se sentir à vontade, não é errado sair e aguardar o elevador vazio. “Temos que ter postura e perguntar ‘você não pode esperar?’. Somos latinos e costumamos sermos bruscos em algumas situações, temos que aprender a falar, não adianta achar que a pessoa vai subentender que você não a quer ali”, acrescenta Neves.

Fumar

O uso da máscara complica o hábito de fumar. O infectologista João Prats diz que o mais correto é, antes de tocar na máscara, lavar as mãos, se afastar ao máximo de outras pessoas e só aí fumar. Depois de recolocar a máscara, é preciso lavar novamente as mãos.

Restaurantes e máscaras

Num restaurante, naturalmente, devemos tirar a máscara para comer, mas onde deixá-la? O infectologista João Prats diz que é sempre bom ter um lugar para guardar a máscara, seja numa bolsa ou mochila. Mas, o importante é pensar em duas divisórias (ou saquinhos) para o equipamento; máscaras limpas devem ficar separadas daquelas já usadas.

Beijos e abraços

A consultora de etiqueta social Denise Farah define aqueles que insistem em dar beijos e abraços como pessoas sem “sensibilidade e respeito”. Ela sugere alertar: "Olha, por enquanto, temos que manter a distância”.

O infectologista João Prats afirma que o melhor é não envolver o toque físico. Mas, se for para tocar, a forma mais é segura é o cumprimento de cotovelos.

Amigos em casa

Aglomerar muitas pessoas em casa não é recomendado. Por isso, após a quarentena, quem quiser encontrar amigos, deve optar por ambientes arejados, sem ar-condicionado e com as janelas abertas.

E ao entrar em casa, preciso tirar os sapatos? Prats diz que não necessariamente. “Trata-se de uma prática para não sujar a casa, mas não é uma medida no combate do coronavírus, pois não são comuns as infecções pela sola do pé”, explica ele, afirmando que o chão do banheiro costuma ter menos bactérias do que a torneira.

Denise Farah lembra que é sempre bom pedir a eventuais visitantes que lavem as mãos ao chegarem —de preferência, com sabonete líquido, e não em barra.

Filas

Apesar da sinalização no chão, é comum observar o descumprimento do distanciamento entre pessoas nas filas de supermercados. A médica Maura Neves sugere que as pessoas sejam diretas.

“A partir do momento que você falar, você transfere o constrangimento para quem está muito perto de você. Eu digo ‘você pode dar um passo?’ ou então ‘desculpa, será que você poderia dar um passinho e respeitar o distanciamento?’”.

Denise Farah sugere que quem não se sinta à vontade para abordar a questão com a pessoa ao lado procure o gerente do estabelecimento para alertar sobre o distanciamento social.

Academia

Nos prédios residenciais com academia, é recomendável que o condomínio tenha regras específicas, evitando que pessoas que não moram num mesmo apartamento usem o local simultaneamente.

João Prats afirma, porém, que há muitas variantes. Por exemplo, em uma academia maior, é possível que mais pessoas utilizem o espaço ao mesmo tempo, contanto que todos consigam manter a distância necessária e que higienizem todos os materiais usados.

Comércio e restaurantes

Os médicos Maura Neves e João Prats concordam que, caso um cliente entre em uma loja em que atendente esteja sem máscara, é possível pedir que ele use o equipamento de proteção.

Denise Farah dá dicas de abordagem, evitando um tom de advertência. “Uma boa saída é começar abordando com perguntas do tipo ‘ué, mas você não tá usando luva?’. Ao questionar, a pessoa vai te explicando, e esse pode ser um caminho para você sugerir o uso.”

Etiqueta respiratória

A etiqueta respiratória é um conjunto de sugestões médicas que tratam de questões de higiene relacionadas à tosse e ao espirro. As medidas podem parecer óbvias, mas ajudam na redução da proliferação de doenças.

A médica Maura Neves diz, por exemplo, que é preciso proteger o nariz e boca com outra parte do corpo que não seja a mão —como o braço— ou utilizar lenço descartável.

Outra medida é, aos primeiros sintomas de gripe, usar máscara ao frequentar ambientes com muitas pessoas, mesmo após a pandemia. “É tudo uma questão de habituação de comportamento e higiene que temos sempre que relembrar”, afirma ela.

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