Evidências atestam a eficiência da máscara no controle da pandemia, ao contrário do que afirma site

Alegações de que o uso da proteção pode causar intoxicação e aumentar o risco de contaminação são falsas

São Paulo

São falsas as alegações feitas em um texto, publicado pelo site do Instituto Rothbard, que chama o incentivo ao uso da máscara de “tirania”. O conteúdo ainda afirma que não existem evidências capazes de provar a eficiência da proteção facial e que seu uso pode causar intoxicação e aumentar o risco de contaminação pelo novo coronavírus e outros vírus e bactérias.

As afirmações, verificadas pelo Comprova, vão na contramão do que dizem as autoridades sanitárias de diversos países e das recomendações da OMS (Organização Mundial de Saúde), cujo trabalho se baseia em evidências científicas. A conclusão dessas autoridades é a de que o uso correto das máscaras reduz a quantidade de partículas virais expelidas e, portanto, ajuda a conter o avanço da pandemia.

O CDC (Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos), por exemplo, indica em seu site 19 artigos publicados em diferentes revistas científicas que atestam a efetividade do uso de máscaras como parte da estratégia para controlar a pandemia. A OMS, por sua vez, conta com uma Divisão Científica que subsidia a elaboração das normas da organização e que produz inúmeras pesquisas na área da saúde pública.

Em resposta ao Comprova, a equipe do site do Instituto Rothbard afirmou que o texto não contraria as recomendações dos órgãos de saúde porque comunicados contrários ao uso de máscaras já foram emitidos pelas entidades. O site, no entanto, não leva em conta o contexto em que tais comunicados foram feitos e ignora as mudanças de posicionamento das autoridades.

Pessoas seguram faixa sobre a importância do uso de máscara
Blitz para educar a população sobre o uso de máscaras no centro de São Paulo - Eduardo Anizelli/Folhapress

No início da emergência sanitária causada pela pandemia do novo coronavírus, a OMS recomendou que pessoas sem sintomas da doença evitassem usar máscaras cirúrgicas para que não houvesse falta para os profissionais da linha de frente e para os pacientes sintomáticos. Naquele momento faltavam equipamentos de proteção em vários países do mundo. Em junho, com o avanço do números de casos e óbitos causados pela Covid-19, a organização passou a recomendar o uso de máscaras para o público geral, afirmando que a mudança em seu posicionamento fora baseada na conclusão de novos estudos científicos.

Segundo a equipe do instituto, as organizações e entidades sanitárias são “órgãos burocráticos que se contrariam a si próprios (sic), o tempo todo. E, de modo algum, eles são nossa referência e deviam ser a referência de qualquer pessoa”.

Verificação

Em sua terceira fase, o Projeto Comprova investiga conteúdos de grande viralização nas redes sociais e com potencial de causar desinformação sobre políticas públicas do governo federal, eleições municipais de 2020 e sobre a pandemia do novo coronavírus. Em se tratando de conteúdos sobre a pandemia, a verificação se torna ainda mais importante, pois a desinformação pode colocar a saúde das pessoas em risco. É o caso do texto do Instituto Rothbard, que pode induzir as pessoas a não usarem máscaras.

Segundo dados da ferramenta CrowdTangle, até a data de fechamento deste texto, o conteúdo somava mais de 4,2 mil interações no Facebook. O Comprova também encontrou conteúdos similares ao verificado em sites dos Estados Unidos que possuem um grande número de interações nas redes sociais, como o The Healthy American.

Falso, para o Comprova, é um conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

A investigação desse conteúdo foi feita por Estadão e Nexo e publicada na sexta-feira (7) pelo Projeto Comprova, coalizão que reúne 28 veículos na checagem de conteúdos sobre coronavírus e políticas públicas. Foi verificada por Folha, UOL, SBT e GaúchaZH.

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