Descrição de chapéu Coronavírus

Doria está contaminado com o novo coronavírus e se isola por 10 dias

Tucano, que está assintomático, diz que "não tem ideia" de onde possa ter contraído o patógeno

São Paulo

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), é o décimo chefe estadual a ser contaminado com o novo coronavírus. O teste positivo chegou às mãos do tucano por volta do meio-dia desta quarta (12).

"Eu estou me sentindo bem, estou assintomático. Vou trabalhar à distância", disse o governador, 62, à Folha. Ele ficará dez dias isolado em sua casa, despachando de forma remota. Sua mulher, Bia, 60, também está contaminada e permecerá em isolamento.

O vice-governador, Rodrigo Garcia (DEM), assumirá os eventos presenciais dentro e fora do Palácio dos Bandeirantes.

O governador João Doria na entrevista que concedeu na segunda (10) para falar da Covid
O governador João Doria na entrevista que concedeu na segunda (10) para falar da Covid - Newton Menezes - 10.ago.2020/Futura Press/Folhapress

Doria afirmou que "não tem ideia" de onde possa ter contraído o patógeno, dado que, apesar de tomar cuidados como uso de máscara e distanciamento, participou de inúmeras reuniões nos últimos 14 dias —o tempo usual de incubação do vírus.

O governador também publicou um vídeo em suas redes sociais anunciando a doença. Nele, conta que este foi seu sexto teste e que, "infelizmente", deu positivo. "Eu estou com o coronavírus", disse. Como nas outras vezes que foi examinado, divulgou o resultado.

"Vou para casa, seguir o protocolo médico, a orientação do doutor David Uip [integrante do comitê de combate à doença no estado]. De lá manterei minha relação com todos os setores do governo de São Paulo. Vou cumprir esse protocolo por dez dias. Tudo isso vai passar, a vacina vai chegar", afirmou no vídeo.

"Ele não pedirá licença do cargo e da sua casa continuará dando as orientações", disse Garcia, em entrevista no Bandeirantes.

Tanto o governador como membros de sua equipe fazem exames regulares para detecção do vírus da Covid-19. Agora, todos que tiveram contato com Doria nas duas últimas semanas no governo farão testes.

Patricia Ellen, secretária do Desenvolvimento Econômico, e Flavio Amary, secretário da Habitação, já estão isolados e aguardam o resultado do teste da Covid-19, segundo Marcos Vinholi (Desenvolvimento Regional).

No governo estadual, houve outras baixas. O secretário Rossieli Soares (Educação) chegou a ficar internado em estado grave, mas se recuperou, da Covid-19. E João Camilo Pires de Campos (Segurança Pública) foi contaminado.

Resultado do exame do tipo PCR para detecção do novo coronavírus em João Doria
Resultado do exame do tipo PCR para detecção do novo coronavírus em João Doria - Divulgação

O próprio Uip, que é médico infectologista e agora atenderá Doria, também ficou doente quando era o chefe do comitê de combate ao vírus. Está recuperado.

Até o diagnóstico de Doria, 9 dos 27 governadores de estado haviam contraído a doença, pelo menos 31 dos 513 deputados federais e uma série de autoridades —a começar por Bolsonaro e pelo menos quatro ministros de seu governo. Prefeitos de capital, como Bruno Covas (PSDB), de São Paulo, e Arthur Virgílio (PSDB), de Manaus, também ficaram doentes.

Não houve mortes entre essas autoridades. O primeiro caso conhecido no país entre autoridades foi o de Fábio Wajngarten, então secretário de Comunicação da Presidência, que estivera com Bolsonaro numa viagem para encontrar Donald Trump nos Estados Unidos.

Desde o começo da pandemia, o tucano emergiu como a principal liderança estadual a antagonizar-se com o negacionismo esposado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que desenvolveu uma forma leve da doença no mês passado.​

Infectado, Bolsonaro seguiu com o proselitismo que faz em favor do uso da hidroxicloroquina, medicamento sem eficácia comprovada contra a Covid-19. Mostrou caixa do remédio para apoiadores e credita a seu uso só ter tido efeitos leves, semelhantes à "gripezinha" que notabilizou seu discurso sobre a doença.

Doria, por sua vez, sempre buscou colocar-se em oposição à atitude de Bolsonaro. Pressionado pela crise econômica crescente, decorrente das nove quarentenas pelas quais São Paulo passou desde março, ele teve de reabrir aos poucos o acesso a serviços e comércio.

Manteve a crítica ao presidente, que por sua vez continuou colecionando frases para minimizar a crise. Enquanto o país passava dos 100 mil mortos pela pandemia, Bolsonaro defendeu "tocar a vida".

Colaborou Artur Rodrigues

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