Doria recebe insumos da Coronavac em aeroporto com faixa 'vacina do Brasil'

Novo carregamento com insumos da Coronavac desembarcou no aeroporto de Cumbica, na Grande SP, na manhã desta quinta (3)

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São Paulo

O governador João Dória (PSDB) recebeu no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, no início da manhã desta quinta-feira (3), mais um lote de insumos para a produção da Coronavac.

A vacina adquirida pelo governo paulista contra a Covid-19 é desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

"Esses insumos serão suficientes para produção de um milhão de doses da vacina", disse em vídeo postado nas redes sociais às 5h28.

Governador João Doria (PSDB) ao lado do secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn (à esquerda), e de Dimas Covas, diretor do Butantan, recebe na manhã desta quinta (3) mais uma carga de insumos da vacina Coronavac
Governador João Doria (PSDB) ao lado do secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn (à esquerda), e de Dimas Covas, diretor do Butantan, recebe na manhã desta quinta (3) mais uma carga de insumos da vacina Coronavac - Reprodução/redes sociais

Ele estava ao lado do secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, e de Dimas Covas, diretor do Butantan.

Além do vídeo, Doria divulgou fotos em que aparece segurando embalagens da vacina, ao lado de Gorinchteyn e Dimas Covas.

Nas imagens aparece uma faixa com a bandeira brasileira e a frase "A vacina do Brasil". "Sentimento de esperança na luta pela vida", ele disse.

Em 19 de novembro, Doria também esteve no aeroporto de Cumbica para receber um lote com 120 mil doses prontas da vacina.

No entanto, elas só serão usadas quando o imunizante for aprovado e registrado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A droga encontra-se na fase 3 de teste (a última antes da autorização).

A Coronavac ganhou projeção ao entrar no centro de uma guerra política entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador João Doria (PSDB), prováveis adversários nas eleições presidenciais de 2022.

Bolsonaro esvaziou o plano de aquisição futura da Coronavac feito em outubro pelo seu próprio ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, criticou o governador João Doria e disse que a vacina não era confiável por causa de sua origem.

Em novembro, o presidente voltou atrás e declarou que poderia autorizar a compra da vacina produzida pela Sinovac, mas não pelo preço que um “caboclo aí quer”.

SEGURANÇA DA VACINA

Os testes da Coronavac chegaram ser suspensos em novembro após a confirmação da morte de um homem de 33 anos, morador de São Paulo, que fazia parte dos estudos clínicos da vacina.

No dia seguinte à suspensão, em resposta a um apoiador nas redes sociais, Bolsonaro escreveu insinuando que a imunização de origem chinesa poderia causar morte, invalidez e anomalia. Completou que era “mais uma que Jair Bolsonaro ganha”.

Mas logo a Anvisa concluiu que o óbito não estava relacionado com a vacina e autorizou a volta dos testes. E Bolsonaro alegou, depois, que não havia comemorado a morte do voluntário que participava do ensaio clínico com a Coronavac.

Um artigo publicado na revista científica Lancet Infectious Diseases mostrou que a Coronavac é segura e tem a capacidade de produzir resposta imune no organismo 28 dias após sua aplicação em 97% dos casos.

Os resultados são fruto da análise dos ensaios clínicos de fase 1 e 2 conduzidos na China nos meses de abril e maio com 744 voluntários saudáveis de 18 a 59 anos e sem histórico de infecção pelo coronavírus Sars-CoV-2.

Embora a CoronaVac já esteja em fase 3 de teste em humanos em diversos países, incluindo o Brasil, onde o imunizante é testado em parceria com o Butantan, o estudo é a primeira publicação oficial dos testes das fases anteriores. Todas as outras vacinas em fase 3 já haviam tido seus resultados de fase 1 e 2 publicados.

A vacina da farmacêutica Sinovac é feita a partir de vírus inativados. A ideia é modificar o coronavírus Sars-CoV-2 tornando-o não infectante.

Até a fase 1, os cientistas utilizavam o cultivo de células Vero —linhagem de células comumente utilizadas em culturas microbiológicas, sintetizadas a partir de células isoladas dos rins de uma espécie de macaco na década de 1960 e usadas até hoje— para multiplicar o Sars-CoV-2 em laboratório.

A partir da fase 2, no entanto, a empresa passou a usar biorreatores, espécie de “fábrica celular” industrial que utiliza calor, matéria-prima (células ou partes dela) e movimento para produzir em larga escala células infectadas. O vírus é então inativado e incorporado na vacina.

A produção de vacina com o vírus total inativado é semelhante à utilizada para a produção da vacina da raiva. Esse tipo de vacina, porém, necessita de grandes testes de segurança. A fase 3 que está em andamento no Brasil deve seguir por, no mínimo, seis meses.

Nesta terceira etapa, algumas dúvidas importantes, como o tempo de duração da proteção contra o vírus, se o imunizante é capaz de impedir a infecção ou apenas proteger contra o quadro mais severo da doença e se a vacina induz resposta imune das células T devem ser respondidas.

A empresa já iniciou também um estudo clínico pessoas com mais de 60 anos de idade, e os resultados preliminares deste estudo, divulgados no início de setembro, apontam para uma resposta imune nesse grupo, embora mais baixa do que a observada em indivíduos com idade entre 18 e 59 anos. A vacina se mostrou segura também nesta faixa etária.

​Não há, ainda, uma vacina aprovada para uso na população que combata a Covid-19. Dezenas de imunizantes estão em testes em humanos, proveniente de diferentes países e com o emprego de tecnologias distintas.

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