Descrição de chapéu Coronavírus

Rio anuncia shoppings 24 horas como medida para conter coronavírus

Apesar de colapso na saúde, Crivella e Cláudio Castro indicaram que não vão restringir serviços

Rio de Janeiro

O prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e o governador em exercício Cláudio Castro (PSC) indicaram que não vão restringir serviços para conter o aumento de casos de coronavírus ​no Rio de Janeiro, apesar de a fila de espera por leitos estar aumentando nas últimas semanas tanto no estado como na capital.

Em entrevista coletiva nesta sexta (4), ambos anunciaram que shoppings e centros comerciais agora poderão funcionar 24 horas, com a justificativa de evitar aglomerações no transporte para as compras de Natal. Crivella também afirmou que fechará na segunda (7) as escolas municipais, que já vinham registrando baixa adesão.

O governador tem insistido na visão de que a testagem em massa, a fiscalização de eventos e a abertura de leitos (386 na rede estadual e 220 na municipal) são suficientes para conter a pandemia. Ele repete como exemplo a interrupção de cerca de 40 festas que não seguiam as regras no último fim de semana.

"Precisamos abrir leitos e fiscalizar as restrições em vigor. Parece que está tudo liberado, mas há restrições, sim. Neste fim de semana já começou um processo de fiscalização dura. Entendemos que essas medidas bem fiscalizadas com ampliação da base de leitos são suficientes", declarou.

Sobre o fim de ano, Castro afirmou que só vai permitir que o metrô funcione até as 20h na noite do dia 31 para as pessoas não irem à praia e disse que todas as festas que pediram autorização até agora serão sem público. Questionado sobre os eventos não autorizados, que são maioria, ele respondeu: "Nem sempre chegaremos a todos, mas chegaremos ao máximo possível".

Os dois governantes fizeram vários apelos à população. Comércios, bares e restaurantes estão funcionando normalmente no Rio, e praias e transportes têm ficado lotados, com pessoas muitas vezes sem máscara.

"Apelo para que pessoas não façam aglomeração em local onde não se usa máscara. Bares e praias devemos evitar. Vimos um processo eleitoral em que subiu a curva de infecção. O processo eleitoral acabou, mas vamos colher os frutos nos próximos dias, somado com as praias lotadas no fim de semana", declarou Crivella.

A tímida alteração das restrições vai contra recomendações do próprio comitê científico da prefeitura. Como a TV Globo divulgou, especialistas que compõem o grupo sugeriram nesta última quarta (2) que o município proibisse banhistas nas praias e escalonasse o horário de comércio, bares e restaurantes, além de fechar escolas.

O Ministério Público estadual também expediu recomendação ao prefeito nesta quinta (3) para que as regras adotadas sejam compatíveis com os indicadores. "A partir de 20 de novembro, todos os dados ingressaram em um ritmo de piora exponencial, indicando, sob o ponto de vista técnico, a necessidade de regressão de fase. Apesar disso, até o presente momento, os gestores não promoveram tal adequação do plano", diz o órgão.

A Fiocruz foi outra instituição que divulgou nota técnica na quarta afirmando que a capital fluminense está perto de um colapso no sistema de saúde, com a possibilidade de enfrentar um quadro sério de desassistência geral. Uma das preocupações é o aumento no número de casos perto das festas de fim de ano.

A ocupação das UTIs públicas na cidade estava em 93% na manhã desta sexta. Na prática, porém, os cerca de 40 leitos disponíveis (de um total de 564 existentes) não são suficientes para os que esperam por uma transferência.

Essa fila já chega a 117 pessoas no Rio e na região da Baixada Fluminense, de onde muitos saem em busca de leitos na capital. É mais que o triplo do registrado três semanas antes (32 pessoas), quando a ocupação das unidades de terapia intensiva ainda estava em 77%.

Os leitos públicos vinham sendo ​reduzidos nos últimos meses. O único hospital de campanha que restou foi o da prefeitura, já que a gestão do governador afastado Wilson Witzel (PSC) fechou todas as suas unidades. O governo federal também desativou as poucas vagas que existiam no Hospital de Bonsucesso após um incêndio em outubro.

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