Após atraso da Saúde, RJ busca vacina em SP e faz evento simbólico e lotado no Cristo Redentor

Doses tiveram de ser trazidas em jato particular para não prejudicar planejamento do governo estadual

Rio de Janeiro

O sol baixava e os drones subiam para filmar as duas primeiras mulheres a receber a vacina contra o novo coronavírus no Rio de Janeiro. Antes de serem imunizadas, porém, elas tiveram que atravessar um corredor de aglomeração.

O prefeito Eduardo Paes (esq.) e o governador em exercício Cláudio Castro fazem evento simbólico de início da vacinação em evento lotado no Cristo Redentor, no Rio - Júlia Barbon/Folhapress

Lá de cima, o Cristo Redentor via jornalistas, funcionários públicos e outros espectadores se espremerem aos seus pés para observar a idosa Terezinha da Conceição, 80, e a técnica de enfermagem Dulcinéia da Silva Lopes, 59, levarem a picada com a disputada Coronavac.

Com o atraso na entrega das vacinas pelo governo federal, o governo do Rio decidiu buscar por conta própria algumas doses do imunizante em São Paulo para manter um evento simbólico que havia previsto no Corcovado na tarde desta segunda (18).

O governo fluminense esperava receber as 487 mil unidades que lhe foram destinadas pelo Ministério da Saúde por volta das 13h, quando o governador em exercício Cláudio Castro (PSC) daria uma uma entrevista coletiva à imprensa. Mas o evento foi cancelado porque elas não chegaram.

Segundo Castro, o jatinho que levou as primeiras doses (não foram informadas quantas) foi emprestado pelo suplente de senador e seu amigo Luiz Pastore, em forma de doação. Sem nenhum funcionário do estado dentro, a aeronave pousou por volta das 17h no aeroporto Santos Dumont, vinda do aeroporto de Guarulhos.

Meia hora depois, as caixas foram transferidas para um helicóptero blindado da Polícia Civil e levadas ao Palácio Guanabara, sede do governo. De lá, dez delas foram transportadas de van até o Corcovado, onde chegaram pouco depois das 18h.

Dulcinéia foi a primeira a ser vacinada. Ela é técnica de enfermagem e atua há oito meses na linha de frente do combate ao novo coronavírus no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, na zona norte carioca.

Já Terezinha vive em situação de vulnerabilidade e foi acolhida pela Prefeitura em 2015 após sua casa ser demolida pela Defesa Civil. Ela é beneficiária do BPC (Benefício de Prestação Comunitária) e integra projeto Agente Experiente, que resgata a autonomia e autoestima de idosos.

Questionado sobre o atraso na entrega da Coronavac pelo governo federal, o governador minimizou o episódio e disse que não considerou um atraso. “Acho que é uma logística difícil mesmo, acho que é um primeiro dia de aprendizado e isso é normal em toda grande logística”, afirmou.

“O Ministério da Saúde está de parabéns, as vacinas estão chegando. Se é em mais ou menos horas... A gente não está falando em dias ou semanas de atraso, mas simplesmente em horas”, declarou.

Perguntado sobre quantas vacinas o jatinho transportou até o Rio, ele afirmou que “o dado que importa” é que nesta terça (19) de manhã terão chegado todas as 487 mil doses da vacina que são do estado.

À noite, houve um novo contratempo. Um primeiro voo da Azul com o imunizante atrasou, e deveria pousar apenas na madrugada. Antes disso, a previsão era que todos os municípios já tivessem sua parte até as 12h, o que daria para cumprir o cronograma de começar a imunização na quarta-feira (20). Na capital, o início é nesta terça.

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