Descrição de chapéu Coronavírus

Saiba o que muda com as novas regras da quarentena no estado de SP

Só serviços essenciais poderão funcionar, das 20h às 6h, em dias úteis, nos fins de semana e também nos feriados

São Paulo

O Centro de Contingência do Coronavírus realizou nesta sexta-feira (22) mais uma reclassificação do Plano São Paulo, a terceira em 14 dias, colocando todas as cidades na fase vermelha em todos os dias úteis no período noturno, das 20h às 6h, mais os fins de semana e os feriados.

As nova classificação e as restrições começam a valer a partir da próxima segunda-feira (25) e serão válidas até 7 de fevereiro. Como segunda é feriado na capital paulista, o comitê de controle da pandemia decidiu que valerão as regras de um dia útil —fase laranja durante o dia e vermelha à noite.

Com as mudanças de fase, somente atividades essenciais —como supermercados, farmácias e padarias— poderão funcionar nos períodos de vigência da etapa mais restritiva.

Bares e restaurantes poderão trabalhar apenas com sistema de delivery; shoppings e o comércio devem estar fechados para o público; e parques estaduais, cinemas e teatros não funcionarão no período noturno e aos fins de semana e feriados.

Seis regiões do estado —Barretos, Bauru, Franca, Presidente Prudente, Sorocaba e Taubaté— vão regredir para a fase vermelha e juntam-se a Marília, que estava no estágio mais restritivo da quarentena desde o último dia 15.

Nessas cidades, só os serviços essenciais poderão funcionar tanto durante o dia quanto à noite.

As outras dez regiões do estado, incluindo a Grande São Paulo, foram colocadas na fase laranja durante o dia —a segunda mais restritiva. Essa classificação permite o funcionamento de todos os setores de comércio e serviços, com capacidade máxima limitada a 40%, até oito horas por dia. Bares não podem fazer atendimento presencial nesta fase, nem durante o dia.

Segundo o secretário-executivo do centro de contingência, João Gabbardo, o estado tem registrado um óbito por Covid-19 a cada seis minutos e pode correr o risco de não ter mais leitos de UTI para pacientes contaminados se decisões mais rígidas não forem tomadas.

"O [os números] que a gente prevê como cenário nos próximos dias não são tranquilizadores, muito pelo contrário, são muito sombrios", disse.

Segundo o secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, o coronavírus apresentou uma circulação mais rápida e intensa nos últimos 45 dias, igual ao que foi registrado num período de cinco meses – entre março e agosto de 2020.

Houve aumento de 79% no número de casos, 25% nas internações e 96% no de óbitos nas últimas semanas. “Mais de mil leitos foram ocupados no período por isso”, disse Gorinchteyn.

O comitê de controle da pandemia também endureceu ainda mais os parâmetros do Plano São Paulo. Para entrar na fase vermelha, o nível de ocupação dos leitos de UTI cai de 80% para 75%. Nenhuma região do estado vai progredir para as fases amarela e verde até 7 de fevereiro.

Questionado sobre uma possível flexibilização das regras antes das festas de fim de ano e que, agora, refletem no agravamento dos índices, o governador João Doria (PSDB) disse que seu governo agiu no tempo certo a partir das recomendações de seu comitê de combate à pandemia.

Assim como nas reclassificações anteriores, a informação do endurecimento da quarentena foi anunciada por membros do centro de contingência, mesmo Doria estado presente na coletiva desta sexta.

Numa outra frente, o governo Doria anunciou que ao menos 78 mil profissionais de saúde foram vacinados no estado de São Paulo com a primeira dose da Coronavac, vacina produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

Na primeira fase de vacinação, apesar de a prioridade ser os profissionais da linha de frente no combate à pandemia, não param de surgir denúncias de pessoas furando a fila, como mostrou reportagem da Folha.

Segundo Gorinchteyn, apenas os profissionais "que estão nos pronto-atendimentos, UTIs e enfermarias para pacientes com ou suspeita de Covid-19 devem ser vacinados". "Eu mesmo estou na linha de frente, cuido de pacientes com Covid-19 e ainda não tomei a vacina", afirmou.

Mas apenas cinco hospitais das Clínicas espalhados pelo estado, segundo Gorinchteyn, receberam as duas doses de vacinação. O restante das unidades administraram apenas a primeira dose e aguardam novos lotes.

Doria ainda disse esperar que o governo federal opte pela "boa logística" e já deixe em São Paulo a parte que cabe ao estado das doses da vacina da Universidade de Oxford vindas da Índia, que devem desembarcar no aeroporto internacional de Cumbica, em Guarulhos (Grande SP), na tarde desta sexta-feira.

Depois de passar por São Paulo, o imunizante seguirá ao Rio de Janeiro, onde serão recebidas por profissionais da Fiocruz e representantes do governo federal. "Na má logística, as vacinas podem ir para um lugar e voltarem para São Paulo", disse o tucano em tom de crítica.

HOSPITAL DE CAMPANHA SERÁ REABERTO

O governo paulista ainda anunciou a abertura de 756 novos leitos para o enfrentamento da Covid-19 no estado. Também será reaberto o hospital de campanha de Heliópolis, na zona sul da capital paulista, com 24 leitos, que deve começar a operar a partir do dia 25 de fevereiro.

Entre os novos leitos criados, 450 serão para enfermaria e outros 306 para o atendimento de casos graves da Covid-19.

Até esta quinta-feira (21), 58 cidades paulistas tinham leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para pacientes em estado grave por Covid-19 com ocupação acima de 80%, segundo o próprio governo Doria.

Nas cidades de Itaquaquecetuba, Itatiba, Fernandópolis, Socorro, Américo Brasiliense, Promissão, Artur Nogueira, Pirassununga e Porto Feliz, a taxa já havia atingido 100%.

Só nos 21 primeiros dias deste ano, o aumento de casos foi de 42% ante o mesmo período de dezembro passado. Morreram 39% mais pessoas de Covid-19 também neste intervalo.

Foram 62 mil novos diagnósticos e 1.100 óbitos. Ao todo, São Paulo registrou desde o começo da pandemia no estado, em fevereiro de 2020, 1,66 milhão de casos e 50,6 mil mortes.

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