Descrição de chapéu Coronavírus

Indonésia inicia vacinação contra a Covid-19 com a Coronavac

Objetivo é vacinar população toda em até 15 meses, iniciando pelos trabalhadores

Jacarta | Reuters

A Indonésia lançou uma das maiores campanhas de vacinação Covid-19 do mundo nesta quarta-feira (13), com o presidente Joko Widodo recebendo a primeira injeção da vacina Coronavac enquanto seu país luta contra um dos piores surtos de coronavírus na Ásia.

A iniciativa visa inocular 181,5 milhões de pessoas, com as primeiras vacinadas recebendo a imunização desenvolvida pela Sinovac Biotech da China, que a Indonésia autorizou para uso emergencial na segunda-feira (11).

“A vacinação é importante para quebrar a cadeia de transmissão da Covid-10 e nos dar proteção e segurança a todos os indonésios e ajudar a acelerar a recuperação econômica”, disse Jokowi após receber sua injeção.

O ministro da Saúde, Budi Gunadi Sadikin, disse que cerca de 1,5 milhão de profissionais da área médica seriam vacinados até fevereiro, seguidos por funcionários públicos e a população em geral em 15 meses.

Ao contrário de muitos países, a Indonésia pretende imunizar primeiro a sua população economicamente ativa, em vez dos idosos, em parte porque não possui dados suficientes de ensaios clínicos sobre a eficácia do coronavac em idosos.

Nesta quarta-feira, a Indonésia relatou aumentos recordes diários em casos e mortes. Os óbitos foram a 24.951, e as infecções, a 858.043.

‘Não há uma única bala’

A maior economia do Sudeste Asiático sofreu sua primeira recessão em mais de duas décadas no ano passado devido à pandemia, com uma retração estimada em até 2,2%.

Segundo o governo, dois terços da população de 270 milhões devem ser vacinados para que se obtenha a imunidade de rebanho.

Pesquisadora do Centro de Iniciativas de Desenvolvimento Estratégico da Indonésia, Olivia Herlinda disse que as autoridades não levaram em consideração a eficácia da vacina e a taxa de reprodução do vírus para justificar seu foco na imunidade de rebanho.

A epidemiologista Masdalina Pane disse que as vacinas devem ser acompanhadas por mais testes e rastreamento.

“Não há uma única bala”, disse ela.

Budi disse que os testes e rastreamento da Indonésia precisam ser melhorados, acrescentando que há um desequilíbrio nos recursos de teste em todo o arquipélago.

Alguns médicos expressaram preocupação com a campanha de vacinação e questionaram a eficácia do imunizante da Sinovac.

A Indonésia disse que seus testes mostraram que o coronavac tem uma taxa de eficácia de 65,3%, mas pesquisadores brasileiros divulgaram na terça-feira (12) uma eficácia de 50,4%.

Bambang Heriyanto, secretário corporativo da Bio Farma, empresa indonésia envolvida nos testes, ponderou que os dados brasileiros ainda estão acima da referência de 50% definida pela Organização Mundial de Saúde.

Pesquisadores turcos anunciaram em dezembro que a coronavac mostrou uma eficácia de 91,25% com base na análise provisória.

A Indonésia espera receber mais 122,5 milhões de doses da vacina até janeiro de 2022, com cerca de 30 milhões de doses previstas até o final do primeiro trimestre deste ano.

Também garantiu quase 330 milhões de doses de outras vacinas, incluindo da AstraZeneca e Pfizer e seu parceiro BioNTech.

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