Descrição de chapéu Coronavírus

Na pandemia, ciência chegou mais rápido às políticas públicas

Dados ao alcancem dos pesquisadores abrem a possibilidade de planejar como deve ser a coordenação de uma resposta global

São Paulo

A pandemia de Covid-19 poderá ser lembrada não só pelos quase 2 milhões de mortos (até o momento), mas também pela inédita resposta da ciência ao desafio de conter o novo coronavírus e pela implementação em velocidade recorde desse conhecimento na forma de políticas públicas.

Em estudo publicado na quinta (7) pela revista Science, pesquisadores da Universidade Northwestern (EUA) destacam o ineditismo do fenômeno: nunca a ciência chegou tão rápido às diretrizes de agências e governos.

As informações sobre políticas públicas foram extraídas do Overton, um grande banco de dados globais, e dizem respeito a dois terços da população mundial. Os dados sobre publicações e citações científicas são da plataforma Dimensions.

A pesquisa analisou a coevolução entre políticas públicas e publicações científicas entre janeiro e maio de 2020. A principal conclusão é que a ciência está sendo ouvida, mas não de forma uniforme.

Entidades intergovernamentais, como a OMS (Organização Mundial de Saúde), são grandes adotantes de artigos científicos em suas diretrizes, seguidas dos think tanks.

“A ciência certamente fez um trabalho excepcional no avanço da pesquisa relacionada à Covid-19, e é bom saber que a pesquisa encontrou rapidamente seu caminho até esses documentos de políticas públicas”, diz Dashun Wang, um dos autores do estudo da Science.

“É provável que o padrão mude à medida que a pandemia se desenvolve. É possível que, com o tempo, alguns dos entendimentos se tornem conhecimentos bem aceitos, o que alteraria a interação política-ciência.”

Para o cientista, a enorme quantidade de dados, em tempo quase real e agora ao alcance dos pesquisadores, abre a possibilidade de planejar como deve ser a coordenação de uma resposta global em emergências de larga escala.

Por outro lado, a análise mostrou que algumas agências governamentais muitas vezes se valeram de pesquisas incipientes e até artigos opinativos para elaborar suas diretrizes.

Nas contas dos pesquisadores, a probabilidade de uma organização intergovernamental respaldar suas diretrizes em dados científicos é quatro vezes a de governos fazerem o mesmo.

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