Descrição de chapéu Coronavírus

Setor privado diz que processo para compra da vacina indiana 'está bem encaminhado'

Dirigente de clínicas afirma que farmacêutica deve pedir registro definitivo do imunizante em fevereiro

São Paulo

O processo para a compra de 5 milhões de doses da vacina indiana Covaxin pelas clínicas privadas brasileiras está “muito bem encaminhado” e a aquisição será feita assim que sair registro definitivo do imunizante no Brasil.

A Bharat Biotech, fabricante da Covaxin, deve pedir o registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no próximo mês.

A informação é do presidente da ABCVAC (Associação Brasileira das Clínicas de Vacina), Geraldo Barbosa, que integrou a comitiva que visitou as instalações da empresa na Índia, na semana passada.

A negociação do setor privado para vacinação tem despertado polêmica. Especialistas em saúde pública dizem que, por se tratar de uma vacina ainda pouco disponível no mundo, a oferta no setor privado pode criar uma disputa com o SUS, aumentando as desigualdades e atrasando a imunização dos grupos prioritários.

Enfermeiro enche seringa com a vacina Covaxin, em centro de pesquisa em Ahmedabad, na Índia - Amit Dave - 26.nov.2020/Reuters


Já as clínicas privadas argumentam que o objetivo não é competir, mas, sim, complementar a oferta prevista no SUS, atendendo, por exemplo, empresas que querem oferecer a vacina a empregados que não estão hoje nos grupos prioritários previstos pelo Plano Nacional de Imunização.

Segundo Barbosa, o que for adquirido pelas clínicas privadas não irá interferir nas negociações com o SUS.

“Se essas vacinas não vierem para o mercado privado brasileiro, não virão nem para o Brasil. Vão para outro país”, reforça.

O Ministério da Saúde já disse que clínicas particulares devem seguir a ordem dos grupos prioritários, como consta no plano nacional de imunização.

A Bharat Biotech é uma das empresas que constam na carta de intenções do Ministério da Saúde, divulgada no dia 16 de dezembro, mas não há, até o momento, nenhum contrato formal para compra de doses pelo governo federal.

A vacina indiana foi aprovada no último dia 3 pelas autoridades indianas, mas ainda está na fase três de testes e não teve a eficácia divulgada.

Segundo Barbosa, a aquisição da vacina pelo setor privado depende do fim dos trâmites legais junto aos órgãos reguladores brasileiros, fabricante e distribuidora/importadora.

O executivo e a equipe da representante da Bharat Brasil foram recebidos nos dias 7 e 8 de janeiro no Genome Valley, distrito industrial de alta tecnologia e inovação em Hyderabad, na Índia.

Barbosa afirma que fez uma apresentação à diretoria da fabricante sobre o potencial do mercado brasileiro e sobre a necessidade de vacinar o contingente da população que está ativo no mercado de trabalho.

“Há uma resposta positiva do mercado corporativo que têm procurado a ABCVAC e as clínicas, para subsidiar a imunização de seus colaboradores.”

A Covaxin é desenvolvida em colaboração com o Conselho Indiano de Pesquisa Médica (ICMR) e o Instituto Nacional de Virologia (NIV) .

Conforme divulgado pela Bharat Biotech, os ensaios clínicos de fase 3 da Covaxin começaram em meados de novembro e envolvem 26 mil voluntários em toda a Índia. Nas fases 1 e 2, ela foi avaliada em cerca de mil indivíduos.

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