Descrição de chapéu Coronavírus

Debaixo de chuva, moradores de Serrana, no interior de SP, ficam em filas para receber vacina

Ação faz parte de estudo do instututo Butantan para avaliar o impacto do imunizante na transmissibilidade do coronavírus

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Serrana (SP)

Centenas de moradores de Serrana, cidade no interior paulista, formaram filas nesta quarta (17) debaixo de chuva em frente a oito escolas públicas da cidade. A partir das 14h, o Instituto Butantan deu início ao Projeto S, que tem por objetivo vacinar 30 mil dos 45 mil habitantes do município vizinho a Ribeirão Preto.

A vacinação tem por objetivo observar o impacto da Coronavac, vacina criada pelo Butantan, na
transmissibilidade do coronavirus. Também será avaliada uma possível redução na sobrecarga do sistema de saúde da cidade.

Até a tarde desta quarta, 29 mil pessoas haviam aderido ao programa. José Borges, 57, e sua mulher Maria Madalena dos Santos, 56, foram acompanhados de uma filha e duas netas e chegaram às 9h na Escola Estadual Jardim das Rosas. Eram os primeiros da fila.

Moradores do município de Serrana, na região de Ribeirão Preto (SP), aguardam em fila para serem vacinados contra a Covid-19 - Eduardo Anizelli/ Folhapress

Esperaram até as 14h, e, ainda sem terem almoçado, José é Maria, ambos aposentados, foram os primeiros a passar os portões do colégio em direção à sala em que seriam vacinados. A imprensa não pode acompanhar o processo de perto.

Cintia, filha do casal, fez questão de entrar com os pais na sala para ver se o liquido na seringa seria aplicado corretamente. "Vi no noticiário que houve casos de agentes de saúde que fingiram estar aplicando a vacina", disse.

Funcionários se preparam para começar a aplicar a Coronavac, vacina contra a covid-19, no município de Serrana, na região de Ribeirão Preto (SP) - Eduardo Anizelli/ Folhapress

Quando a chuva começou a cair, pouco antes das 14h, todas as pessoas que esperavam na fila puderam entrar na escola e receberam senhas de espera. Elas se cadastraram na semana passada e receberam avisos das datas em que seriam vacinadas. A aplicação do imunizante acontece sempre até as 22h.

Nem todos os cadastrados puderam tomas a vacina. Virtor Ferreira, 85, aposentado, não recebeu o imunizante porque recebeu a senha de 134 e a capacidade de atendimento de cada unidade era se 24 pessoas por hora. Ele disse que havia marcado horário para esta quarta às 14h e saiu da escola reclamando da falta de planejamento.

Maria Madalena dos Santos também deixou a unidade educacional sem tomar a vacina, pois passou por uma triagem e declarou que tinha crises convulsivas, o que exclui voluntários. Seus familiares reclamam que essa pergunta não tenha sido feita no cadastro inicial.

Segundo a médica Natasha Nico, infectologista que faz parte do programa, existe uma sugestão de datas e horários no site do projeto determinada segundo endereços da cidade.

"Porém é apenas uma sugestão. Os voluntários podem vir em um determinado período de dias no horário que escolherem", diz.

Ela também explicou que a triagem médica é feita no próprio dia da vacinação.

Os 30 mil voluntários do estudo são divididos em quatro partes, de acordo com a região que habitam na cidade. As outras três parcelas dos moradores receberão a vacina a partir dos dias 24 de fevereiro e 3 e 10 de março.

Pelas regras da pesquisa, todos os adultos acima de 18 anos moradores da cidade que não tenham doenças graves podem participar da imunização. Mulheres grávidas estão excluídas, pois as doses ainda não foram testadas nesse grupo.

Embora moradores e corretores de imobiliárias tenham relatado histórias de não moradores da cidade interessados em alugar imóveis para obter comprovante de residência no município, o cadastro prévio e um senso realizado no final de 2020 foram estratégicos na prevenção de fraudes. Até as 15h, o projeto funcionou com tranquilidade.

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