Descrição de chapéu Coronavírus

França, Bélgica, Polônia e Suécia decidem não dar vacina de Oxford a idosos antes de novos dados

Itália, Alemanha e Áustria também recomendam evitar aplicação; imunizante é o principal do programa brasileiro e é usado sem restrição de idade no Reino Unido

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Bruxelas

As agências reguladoras da França, da Bélgica, da Suécia e da Polônia se juntaram às da Alemanha e da Áustria e decidiram não recomendar o uso em idosos da vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford e o laboratório AstraZeneca. O imunizante é o principal do programa de vacinação do governo federal brasileiro.

Além de no Brasil, a vacina Oxford/AstraZeneca é usada no Reino Unido e em outros dez países, sem restrições de faixa etária. Na semana passada, a EMA (agência reguladora da União Europeia) deu sinal verde para o uso da vacina Oxford/AstraZeneca em todos os adultos, mas as autoridades dos cinco países justificaram suas restrições pela falta de dados sobre o efeito do produto nos mais velhos.

Na Bélgica ela será aplicada em menores de 55 anos e na Polônia, até 60 anos. Nos outros países, a recomendação é que não seja usada em maiores de 65 anos. Na Itália, embora a agência reguladora Aifa tenha autorizado o uso a todos os adultos, a orientação foi que o produto não seja aplicado em pessoas a partir dos 55 anos.

A Anvisa (agência brasileira) também ressalvou os poucos dados sobre idosos ao recomendar o uso emergencial do imunizante no Brasil. Apesar de não restringir o uso, pediu monitoramento de novos estudos das empresas e acompanhamento da população vacinada. As mesmas avaliação e recomendação foram feitas para a vacina Coronavac, produzida pela empresa chinesa Sinovac, aplicada no estado de São Paulo e uma das opções do programa federal.

Os seis países europeus que limitaram o uso do imunizante afirmam que a orientação será revista quando houver mais informações —a EMA espera receber em março resultados de teste feito com 30 mil pessoas nos EUA, das quais um "número grande" de idosos.

Os programas de vacinação na Europa têm sido dificultados ou suspensos por gargalos de produção, e o produto da AstraZeneca é visto como uma das melhores opções para reverter os atrasos, por ser mais fácil de armazenar e transportar que as outras duas opções já aprovadas na UE, as da Pfizer/BioNTech e da Moderna.

Enquanto essas duas últimas precisam ser mantidas ultracongeladas e só resistem cinco dias em geladeira comum, as da AstraZeneca podem ser armazenadas e transportadas sob refrigeração normal, de 2º a 8º Celsius. Além disso, é um imunizante mais barato que os outros dois, que usam uma tecnologia inédita e mais sofisticada.

Segundo Dominique Le Guludec, presidente da Alta Autoridade para a Saúde (HAS) francesa, até que a AstraZeneca conclua os novos estudos sobre o efeito de sua vacina em idosos, ela deve ser aplicada em profissionais da linha de frente de combate à Covid-19 e aos mais vulneráveis com idades entre 50 e 65 anos.

Na Suécia, a agência de saúde pública recomendou que a vacinação dos que têm 65 anos ou mais seja feita prioritariamente com os imunizantes da Pfizer e da Moderna.

Na Polônia, o conselho médico restringiu ainda mais a faixa etária para a vacina de Oxford/AstraZeneca, regulando seu uso para pessoas com idade entre 18 e 60 anos, e, na Bélgica, a janela de aplicação é ainda menor. O Conselho Superior de Saúde desaconselhou o uso em pessoas mais vulneráveis ​​e maiores de 55 anos. “Não temos dados [...] temos que trabalhar com base no que é seguro”, disse o ministro da Saúde, Frank Vandenbroucke.

O limite de 55 anos, para o qual há amostras maiores de voluntários nos ensaios de Oxford/AstraZeneca, também balizou a decisão da Itália. A Aifa preconizou o “uso preferencial” da vacina de Oxford/AstraZeneca para os que têm de 18 a 55 anos e recomendou que os mais vulneráveis e os que tiverem 56 anos ou mais recebam os outros dois imunizantes.

Nos ensaios clínicos da vacina da AstraZeneca, apenas 8% dos voluntários tinham entre 56 e 69 anos, e apenas de 3% a 4% superavam 70 anos. Segundo o principal executivo da companhia, Pascal Seriot, isso ocorreu porque a Universidade de Oxford queria antes “acumular muitos dados de segurança no grupo de 18 a 55 anos”.

Seriot afirmou que, apesar disso, os ensaios mostraram "uma produção muito forte de anticorpos contra o vírus em idosos, semelhante ao que vemos em pessoas mais jovens”.

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.