Descrição de chapéu Coronavírus

Variante sul-africana pode reduzir anticorpos protetores da vacina da Pfizer

Segundo estudo, porém, vacina ainda é capaz de neutralizar o coronavírus e não há comprovação de queda na proteção vacinal, segundo as empresas

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Michael Erman
Reuters

Um estudo sugere que a variante sul-africana do coronavírus pode reduzir em dois terços os anticorpos protetores acionados pela vacina da Pfizer-BioNTech, e não está claro se o imunizante será eficaz contra essa mutação, disseram as duas empresas na quarta-feira (17).

O estudo apontou que a vacina ainda era capaz de neutralizar o coronavírus, e os testes em humanos ainda não produziram evidências de que a variante reduza a proteção vacinal, segundo as empresas.

De toda forma, Pfizer e BioNTech estão fazendo investimentos e falando com os reguladores sobre o desenvolvimento de uma versão atualizada de sua vacina baseada em mRNA ou um reforço, se necessário.

Para o estudo, cientistas dos laboratórios e da University of Texas Medical Branch (UTMB) desenvolveram e manipularam vírus que continham as mesmas mutações encontradas nas espículas da variante do coronavírus altamente contagiosa descoberta na África do Sul, conhecida como B.1.351. A espícula, o gancho usado pelo vírus para entrar nas células humanas, é o alvo principal de muitas vacinas para Covid-19.

Pesquisadores testaram o vírus manipulado no sangue tirado de pessoas que tinham recebido a vacina e encontraram uma redução de dois terços no nível de anticorpos neutralizantes comparados com seu efeito na versão mais comum do vírus prevalente nos testes nos Estados Unidos. As conclusões foram publicadas na revista científica New England Journal of Medicine (NEJM).

Como ainda não há um parâmetro definido para determinar qual nível de anticorpos é necessário para proteger contra o vírus, não está claro se essa redução de dois terços tornará a vacina ineficaz contra a variante que se espalha pelo mundo.

Entretanto, o professor da UTMB Pei-Yong Shi, coautor do estudo, disse acreditar que a vacina da Pfizer provavelmente dará proteção contra a variante.

"Não sabemos qual é o número mínimo neutralizante. Não temos essa linha de corte", disse ele, acrescentando que suspeita que a reação imune observada provavelmente esteja muito acima da necessária para oferecer proteção.

Isso porque em testes clínicos tanto a vacina da Pfizer-BioNTech como uma semelhante da Moderna conferiram certa proteção depois de uma única dose, com uma resposta de anticorpos menor que os níveis reduzidos causados pela variante sul-africana no estudo em laboratório.

Mesmo que essa temida variante reduza de modo significativo a eficácia, a vacina ainda deve ajudar a proteger contra doença grave e morte. Especialistas em saúde disseram que esse é o fator mais importante para que os sistemas de saúde sobrecarregados não entrem em colapso.

Há necessidade de mais trabalho para compreender se a vacina funciona contra a variante sul-africana, disse o professor, incluindo testes clínicos e o desenvolvimento de correlatos de proteção —os parâmetros para determinar que níveis de anticorpos são protetores.

A Pfizer e a BioNTech disseram que estão fazendo um trabalho de laboratório semelhante para entender se sua vacina é eficaz contra outra variante encontrada no Brasil.

A Moderna publicou uma carta no NEJM na quarta com dados semelhantes já divulgados antes que mostram uma queda de seis vezes no nível de anticorpos contra a variante sul-africana.

A Moderna também disse que a atual eficácia de sua vacina contra a variante sul-africana ainda não foi determinada. A companhia havia afirmado antes que a vacina deveria funcionar contra a variante.

Colaborou Julie Steenhuysen, em Chicago

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

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