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Após anúncio do Butantan, Marcos Pontes diz que pediu teste de vacina do governo Bolsonaro

De acordo com o ministro da Ciência, solicitação foi feita junto à Anvisa e anúncio não tem a ver com a Butanvac, do governo paulista

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Brasília

Horas depois de Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, anunciar que desenvolve uma vacina nacional contra a Covid-19, o ministro Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) afirmou que já foi feito um pedido na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para os testes clínicos com um imunizante financiado pelo governo federal.

O Ministério de Ciência e Tecnologia disse que o protocolo na Avisa foi feito na quinta (25), às 13h23. Em entrevista coletiva a jornalistas no Palácio do Planalto, Pontes chegou a exibir o papel do protocolo e o material de divulgação da pasta veio acompanhado de uma cópia do mesmo.

Com isso, o governo Bolsonaro tenta garantir o título de patrocinador da "primeira vacina brasileira", em mais um capítulo da guerra política travada entre o Palácio do Planalto e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

"É uma vacina que desenvolvemos com o professor Célio Lopes em Ribeirão Preto, na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, e com a equipe dele, logicamente tem outros parceiros", disse Pontes, que não deu mais detalhes sobre o imunizante.

Segundo um comunicado do ministério, a vacina recebeu o nome de Versamune®️-CoV-2FC. O desenvolvimento é feito em parceria com as empresas Farmacore Biotecnologia e a PDS Biotechnology Corporation.

Pontes foi perguntado por jornalistas sobre qual seria o nome da vacina. Ele respondeu que o nome é o "menos importante", mas que "deve ser alguma coisa com BR".

"Provavelmente deve ser alguma coisa com BR. Logicamente é uma vacina brasileira, a gente tem que ter orgulho de uma vacina brasileira", disse.

O ministério diz também que tem R$ 200 milhões para o financiamento de estudos clínicos para o desenvolvimento de vacinas nacionais.

A Anvisa confirmou ter recebido pedido para realização de estudos clínicos de fase 1 e 2 —quando são avaliadas a segurança e a capacidade da vacina em gerar uma resposta imune— da vacina Versamune-CoV-2FC.

Em nota, a Anvisa disse que a análise "considerará a proposta do estudo, o número de participantes e os dados de segurança obtidos até o momento nos estudos pré-clínicos que são realizados em laboratório e animais".

Em geral, a análise de novos pedidos de autorização para estudos de vacinas e remédios tem ocorrido em até 72 horas na pandemia de Covid-19. O prazo, no entanto, pode ser maior caso a agência avalie que faltam dados para análise.

Para uma vacina ser aprovada, é preciso ainda que a eficácia seja confirmada com testes de fase 3, quando o imunizante é administrado em um número maior de voluntários.

A pasta comandada por Pontes afirma que os resultados dos estudos não clínicos (ou seja, ainda não em humanos) demonstram "qualidade e competitividade para ser um sucesso nacional e global". O anúncio foi feito ao lado do ministro Marcelo Queiroga (Saúde).

O aviso de que haveria uma comunicação ocorreu pouco antes do início da declaração. A reunião de Queiroga com Bolsonaro não constava na agenda do presidente na manhã desta sexta-feira (26).

Mais cedo, o Instituto Butatan apresentou a Butanvac, que pode começar a ser testada já em abril, afirmou Dimas Covas, diretor do instituto, em entrevista coletiva na manhã desta sexta. Ainda é preciso pedir autorização para ensaios clínicos com seres humanos à Anvisa, o que deveria ocorrer nesta sexta (26), e aguardar sua resposta, porém.

O governador usou o anúncio da vacina Butanvac para provocar Bolsonaro, seu rival político. “Grande Dia!”, comemorou ele em uma mensagem disparada pelo WhatsApp e postada em suas redes sociais na manhã desta sexta-feira (26). “Grande dia” é um conhecido slogan da base conservadora do presidente nas redes sociais para celebrar algum fato positivo ou espezinhar algum adversário derrotado.

Pontes foi questionado se o anúncio do protocolo tinha alguma relação com o movimento feito pelo instituto paulista. Ele negou qualquer relação.

"Do meu ponto de vista, não tem nada a ver um fato com o outro", disse. "Temos trabalhado com isso há bastante tempo. Estava na expectativa de poder anunciar o mais rápido possível, e poder ter essa vacina nacional. E [pesquisadores] começaram as tratativas ainda no ano passado", afirmou. "Foi uma coincidência que [o Butantan] apresentou em São Paulo. O que é bom para o país, porque precisamos ter várias vacinas nacionais."

Em 2020, Pontes ficou conhecido por apresentar como promissores estudos para o uso do antiparasitário nitazoxanida no combate à Covid-19. No entanto, pesquisa financiada pelo próprio Ministério de Ciência e Tecnologia mostrou que o medicamento, conhecido pelo nome comercial Annita, teve resultado similar ao do placebo.

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