Descrição de chapéu Coronavírus

Após reagir a críticas de Doria, governador do RJ anuncia medidas restritivas para conter Covid-19

Cláudio Castro se reuniu com empresários e prefeitos e ordenou toque de recolher, mas voltou atrás no fechamento de escolas

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Rio de Janeiro

O governador interino do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), anunciou na tarde desta sexta-feira (12) algumas restrições para desacelerar o avanço da Covid-19 no estado. O decreto com as novas medidas será publicado ainda hoje.

Na quinta-feira (11), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), havia criticado Castro em razão da ausência de restrições à circulação no território fluminense, na contramão do restante do país.

Aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o governador do Rio recomendou "chá de camomila" ao tucano e respondeu que Doria deveria cuidar de São Paulo.

Nesta sexta-feira, porém, após reunião com empresários e prefeitos da Região Metropolitana, Castro informou que também será ordenado um toque de recolher no estado, com a proibição da permanência em espaços públicos das 23h às 5h.

Bares e restaurantes poderão funcionar até as 23h, mas cada município poderá restringir ainda mais o horário, de acordo com a gravidade da pandemia.

Após o encontro, o governador voltou atrás em informação veiculada pelo secretário estadual de Educação, Comte Bittencourt, de que as aulas seriam suspensas a partir de segunda-feira (15) nas escolas estaduais de municípios que estão na bandeira vermelha para a Covid-19. Castro disse que a decisão será tomada apenas na semana que vem, em conjunto com os prefeitos.

O governador negou que o anúncio do decreto tenha relação com as críticas de Doria e afirmou que o tucano não conhece a realidade do Rio de Janeiro. "Ele não ouve nossos técnicos, nossa cadeia produtiva", disse.

Durante entrevista à imprensa, Castro buscou passar a mensagem de que o governo e os prefeitos estão unidos e que vão dialogar, avaliando juntos a cada semana a necessidade de novos decretos.

Segundo ele, no Rio não haverá "governador brigando com governador" e "governador brigando com presidente". Tanto Doria quanto o governador afastado Wilson Witzel (PSC) entraram em confronto com Jair Bolsonaro.

"Não tem disputa de ego, estamos irmanados para que a gente consiga salvar mais vidas e sair dessa pandemia", afirmou Castro.

Pelo menos 13 pessoas, entre eles prefeitos e empresários, estavam ao lado do governador durante o anúncio. Todos usaram máscaras, mas não respeitaram o distanciamento.​

O governador também disse que o estado trabalhará com os municípios para adquirir novas vacinas e que o objetivo é ter um calendário único de vacinação.

Questionado sobre o motivo de o governo ter anunciado medidas restritivas apenas nesta sexta-feira, depois que outros estados já entraram em colapso, Castro respondeu que "só agora a [área] técnica disse que era hora de fazer uma intervenção".

"A hora que a técnica fala que temos que agir, agimos. (...) A gente não faz politicagem, diferentemente de outros que fazem palanque na hora da [entrevista] coletiva", disse.

O Rio de Janeiro enfrenta uma situação menos grave do que o restante do país, embora os casos tenham apresentado leve alta nos últimos dias. O estado registra 73% das suas UTIs ocupadas nesta quinta. Na capital, o índice sobe para 93%.

Ainda assim, na contramão de outras capitais, o Rio de Janeiro anunciou na quinta-feira (11) a flexibilização de parte das restrições que havia imposto há uma semana.

O comércio na praia e na orla voltou a ser permitido, e o horário de funcionamento de bares e restaurantes foi estendido.

O prefeito Eduardo Paes (DEM) esteve presente na entrevista desta sexta-feira, ao lado do governador, e defendeu que é possível combater a pandemia sem "dicotomia" entre a economia e a saúde da população.

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