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Após sinalizar endurecimento e com isolamento de 44%, gestão Doria não anuncia novas restrições em SP

Governo afirmou que isolamento social apresenta tendência de melhora e passageiros transportados diminuíram

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São Paulo

Após sinalizar que poderia haver novas restrições no estado, o governo João Doria (PSDB) afirmou nesta quarta-feira (17) que o índice de isolamento está aumentando e não anunciou endurecimento das regras no estado.

Questionado sobre o assunto durante coletiva no Palácio dos Bandeirantes, com base nas próprias declarações, Doria afirmou que a imprensa não pauta as ações que serão tomadas.

"Eu não disse que certamente, eu disse que eventualmente essas medidas adicionais poderiam ser adotadas. Eu não disse seguramente. Nem cabe a mim fazer um anúncio dessa natureza, quem faz isso é o centro de contingência. Apenas reconheci que o estado é grave", disse Doria.

O médico Paulo Menezes, do comitê de contingência, afirmou que se forem necessárias novas medidas elas serão tomadas.

"Nós estamos no terceiro dia de fase emergencial. É lógico que nós queremos que a situação melhore imediatamente, mas isso não ocorre. Semana passada já foram tomadas medidas muito firmes e que impactam na vida da grande maioria da população de São Paulo".

João Gabbardo, também do centro de contingência, afirmou que os dados apresentados mostram que "estamos conseguindo aumentar o distanciamento físico das pessoas, que é o ponto mais significativo para que se possa diminuir a transmissibilidade da doença".

O governo afirmou que houve melhora nos índices de isolamento, que aumentaram nos últimos dias, chegando a 44% —na segunda, foi de 43%, um ponto a mais que na semana anterior.

O número de passageiros transportados no metrô, CPTM, EMTU, entre outras empresas da rede, caiu de 10,5 milhões, no dia 11 de março, para 4 milhões, no dia 16. A queda é de 61%. "Estamos avançando, mas não é o suficiente. Nós precisamos melhorar esses índices", disse Menezes.

Segundo ele, o objetivo era chegar a mais de 50% de isolamento. No entanto, Menezes argumenta que o estado está no terceiro dia das novas medidas, por isso, ainda não é possível medir os seus efeitos.

José Medina, outro membro do centro de contingência, diz que o lockdown é uma medida difícil de ser implementada. Ele citou diferença das situações de países, e riscos que de queda de cadeia de produção, instabilidade social e desabastecimento.

"Quando fala em lockdown, parece fácil, parece vamos resolver tudo com lockdown. Estamos tentando tentando resolver com medidas que são restritivas, mas que não têm essa característica de fechar inteirinho o estado, todas as atividades, inclusive de desabastecimento e instabilidade social", disse.

Mais cedo, Doria indicou que diante dos números elevados de casos de Covid-19 e mortes causadas pelo coronavírus Sars-CoV-2 no estado, novas restrições poderiam ser adotadas.

"São Paulo, com a orientação do Centro de Contingência da Covid-19, adotará novas medidas. Não tomamos decisões políticas ou individualizadas, estamos amparados na ciência. O quadro é gravíssimo em São Paulo e no Brasil, cada estado está heroicamente fazendo o que pode para preservar vidas", afirmou Doria.

"Não hesitaremos em adotar todas as medidas que forem necessárias para proteger a população de São Paulo. A população precisa seguir as orientações dos médicos para se protegerem, ficarem em casa e respeitarem esse período da fase emergencial para que não tenhamos que adotar restrições mais duras se tivermos recrudescimento dos índices de infecção no estado", afirmou o governador na ocasião.

Segundo o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, o estado recebe 200 pedidos de internação em UTI por Covid por dia, e 63 cidades das 105 que têm UTI para pacientes do novo coronavírus já estão lotados. Na Grande São Paulo, a ocupação de leitos é de 90,6%. No estado, é de 89,9%. No total, são 10.756 pessoas em UTIs.

"Esse é o momento mais crítico da pandemia que vivemos", disse. "Novas internações continuam crescendo de forma absolutamente rápida".

Na última semana epidemiológica, a média diária de mortes subiu 6,9%, de 364 para 389 casos.

De acordo com projeções de um grupo de técnicos do governo de São Paulo, todos os leitos de UTI no estado podem estar ocupados até a quinta-feira (18).

Atualmente, o estado todo está na fase emergencial do Plano SP, que teve início na segunda-feira (15) e deve ir até o dia 30 de março. Mais dura que a etapa vermelha, a emergencial impõe um toque de recolher das 20h às 5h, entre outras restrições.

Segundo monitoramento do governo, a fase não foi suficiente para aumentar os índices de isolamento no estado. Na segunda-feira (15), primeiro dia da nova etapa, o isolamento médio no estado ficou em 42% —mesmo nível da segunda-feira anterior, quando todo o estado estava na fase vermelha, pouco menos restritiva que a emergencial.

Por outro lado, as medidas mais restritivas trouxeram melhoria no tráfego de São Paulo. Houve uma leve queda no número de pessoas transportadas nos ônibus da cidade e no índice de lentidão.

De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a média de trânsito em São Paulo nesta terça-feira foi de 16 quilômetros de lentidão. Na terça-feira da semana passada, quando o estado estava na fase vermelha, a média foi de 25 quilômetros. Já na terça-feira anterior, quando São Paulo estava na fase laranja do Plano São Paulo, a média de lentidão de trânsito foi de 56 quilômetros.

O volume de veículos na rua nesta terça-feira foi de 4 milhões contra 5,1 milhões na terça-feira passada. Na semana anterior, foram 6,2 milhões.

No caso das pessoas transportadas, foram cerca de 1,52 milhão nesta semana. Na terça-feira passada foram aproximadamente 1,68 milhão contra 2 milhões na semana anterior. Nos três dias foram usados 11.308 ônibus.

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