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Às vésperas do toque de recolher em SP, UTIs ficam cheias e isolamento, baixo

Estado terá restrição de serviços essenciais e recomendação para não circular após 20h a partir desta segunda

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São Paulo

Às vésperas de entrar em uma uma nova etapa de restrições na tentativa de conter o avanço da Covid-19, com direito a toque de recolher e controle inclusive de atividades consideradas essenciais, o estado de São Paulo registrou hospitais cheios e baixo índice de isolamento.

Neste domingo (14), o estado atingiu 64.123 óbitos, cerca de um quarto do total de mortos registrado no país e 2,4% das mortes registradas no mundo todo. Só na capital paulista, já morreram 19.543 pessoas vítimas da doença.

A ocupação de leitos de UTI (unidades de terapia intensiva) atingiu 88,4% no estado. Já os leitos de enfermaria estão com 74,4% de ocupação. Os membros do centro de contingência da pandemia no estado ressaltam que, nesta segunda onda, o foco tem mesmo sido mais no tratamento intensivo, ao contrário do primeiro pico da doença, em que as enfermarias lotaram antes.

Pela primeira vez em toda a pandemia, o número de internados em UTI ultrapassou 10 mil pessoas. Hoje são 10.244 pessoas internadas em UTIs e 13.382 em enfermaria.

Na região metropolitana da capital paulista a situação é ainda mais preocupante. A ocupação de UTIs está em 90%, e a de enfermarias, 81,6%, segundo dados do governo paulista.

Desde o último sábado (6), o estado inteiro havia regredido para a fase vermelha do plano de contingência, que permitia apenas atividades essenciais. Com isso, o índice de isolamento na capital paulista subiu ligeiramente nesta semana, e ficou entre 40% e 41% de segunda a sexta, mas ainda considerado insuficiente por integrantes do governo.

Na semana anterior, quando as restrições era menores, o isolamento ficou entre 38 e 39% nos dias úteis. Neste sábado, como costuma ser aos fins de semana, a taxa subiu para 45%.

Ainda assim, esses números são muito inferiores ao isolamento registrado na capital no começo da quarentena, no fim de março e começo de abril, que tinha taxas acima dos 55% nos dias úteis na época, mesmo com uma situação mais controlada.

O isolamento é calculado pelo governo paulista com dados de telefones celulares das operadoras de telefonia Vivo, Claro, Oi e Tim. O governo calcula quanto o telefone se deslocou durante o dia em relação ao período onde ele esteve durante a madrugada. Se esse deslocamento é maior a 200 metros, isso indica que o usuário pode ter saído de casa.

O governo João Doria afirma que as informações são agregadas e anônimas, o que respeita a privacidade dos usuários, e que as informações são usadas para elaborar políticas públicas que aprimorem as medidas de isolamento.

No sábado, a média de isolamento no estado foi de 46%.

A fase vermelha também teve reflexos no trânsito da capital paulista, que teve média de 27 quilômetros de lentidão na última quinta (11), dado mais atualizado, metade do registrado na semana anterior. O número de veículos em circulação na capital também caiu para 5,4 milhões.

A partir desta segunda, as regras ficam mais rígidas. O governo implementou um toque de recolher das 20h às 5h do dia seguinte, ainda que sem multa, apenas com abordagem policial e orientação para ir para casa. O uso de praias e parques também será proibido.

Restaurantes ficam proibidos de entregar alimentos para clientes retirarem no local, como era permitido até então, e podem funcionar apenas com serviços de entrega de comida em casa ou por drive-thru, limitado das 5h às 20h.

Lojas de materiais de construção serão fechadas, e cerimônias religiosas e jogos de futebol, proibidos.

Fase emergencial

  • Toque de recolher entre as 20h e as 5h do dia seguinte
  • Proibição do uso de praias e parques
  • Proibição de serviços de retirada de todos os setores, inclusive restaurantes, que podem atender apenas com drive-thru, entre as 5h e as 20h, e delivery (24h)
  • Fechamento de lojas de materiais de construção
  • Proibição de cerimônias religiosas e atividades esportivas coletivas, como jogos de futebol
  • Teletrabalho (home office) obrigatório para atividades administrativas não essenciais,como órgãos públicos e escritórios
  • Orientação de escalonamento no horário de setores para evitar aglomerações no transporte coletivo: das 5h às 7h para trabalhadores da indústria, das 7h às 9h para trabalhadores de serviços e das 9h às 11h para trabalhadores do comércio
  • Suspensão de aulas; escolas abertas apenas para alimentação e distribuição de materiais, com agendamento prévio
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