Crianças na escola primária não precisam ficar a 1,80 m de distância, diz CDC

Órgão dos Estados Unidos relaxou medidas para incentivar escolas a aceitarem alunos de volta às aulas presenciais

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Roni Caryn Rabin Dana Goldstein
The New York Times

Em uma importante revisão de políticas destinadas a incentivar mais escolas a aceitarem as crianças de volta às aulas presenciais, autoridades de saúde federais dos Estados Unidos relaxaram nesta sexta-feira (19) a regra de 1,80 metro de distanciamento para alunos do ensino primário, dizendo que eles só precisam ficar a 90 cm de distância nas salas de aula, desde que todos estejam usando máscaras.

A regra de 90 cm também se aplica agora a estudantes de escolas médias e secundárias, desde que a transmissão comunitária não esteja elevada, disseram as autoridades. Quando a transmissão estiver alta, porém, esses alunos devem ficar a pelo menos 1,80 m de distância, a menos que tenham aulas em pequenos grupos, mantidos separados dos outros.

A regra de 1,80 metro ainda se aplica à comunidade em geral, enfatizaram as autoridades, e a professores e outros adultos que trabalham em escolas, que devem manter essa distância de outros adultos e de alunos. A maioria das escolas nos Estados Unidos já está operando pelo menos parcialmente em esquema presencial, e evidências sugerem que o estão fazendo com segurança. Pesquisa mostra que a disseminação em escolas pode ser mitigada com medidas simples de segurança, como máscaras, distanciamento, lavagem de mãos e janelas abertas.

Aluno criança, de óculos, está sentado com a lousa à frente. Ele se vira para olhar para a câmera. A sala é de madeira e colorida. A mochila dele está no chão
Aluno de escola em New Jersey, nos Estados Unidos - Anna Moneymaker / The New York Times

"A dinâmica da transmissão é diferente com estudantes mais velhos. Eles têm maior propensão a se expor ao Sars-Cov-2 e espalhá-lo do que crianças menores", afirmou o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) em comunicado.

Sindicatos de professores de todos os Estados Unidos defenderam firmemente a distância de 1,80 m e fizeram pressão junto ao CDC e ao governo Biden para manter a orientação anterior.

Randi Weingarten, presidente da Federação Americana de Professores, o segundo maior sindicato da categoria no país, divulgou uma declaração dizendo que "reservaria sua opinião" sobre as novas diretrizes de distanciamento, aguardando novas análises de pesquisa sobre como o vírus se comporta no ambiente escolar. Beky Pringle, presidente do maior sindicato de professores, a Associação Nacional de Educação, levantou preocupações semelhantes.

Mas a declaração do CDC fica atrás de alguns órgãos de saúde de todo o país. Illinois e Massachusetts já indicaram que 90 cm de distância pode ser adequado em escolas. Autoridades municipais de saúde também tiveram um papel importante na orientação das decisões de conselhos e superintendentes escolares, que muitas vezes foram alvo de diretrizes oficiais conflitantes.

Rochelle Walensky, diretora do CDC, explicou que o órgão está sempre atualizando sua diretriz conforme surgem novas evidências. Um estudo recente em Boston não encontrou diferenças significativas no número de infecções em distritos escolares em Massachusetts que adotaram a regra dos 90 cm, quando comparados com os que exigiram 1,80 m de distância. Novos estudos do CDC examinando a segurança em escolas também foram divulgados na sexta.

"O CDC está comprometido a liderar com a ciência e atualizar nossa orientação conforme surjam novas evidências", disse a doutora Walensky. "Essas recomendações atualizadas vão fornecer o mapa do caminho com base em evidências para ajudar as escolas a reabrir em segurança, e continuar abertas."

A nova diretriz enfatiza que um bom fluxo de ar e ventilação em prédios escolares é um componente crítico para se manter um ambiente seguro, e continua salientando diversas camadas de comportamento preventivo, incluindo máscaras para todos, lavagem de mãos, limpeza dos prédios e rastreamento de contatos, juntamente com isolamento e quarentena.

Os adultos nas escolas devem continuar mantendo 1,80 m de distância de outros adultos e de estudantes, disseram as autoridades. A regra de 1,80 m ainda se aplica a áreas comuns da escola, como saguões e auditórios, em qualquer momento em que os estudantes estejam comendo ou bebendo e não possam usar máscara, e durante atividades que envolvem mais exalação, como canto e esportes —atividades que "devem ser levadas para o espaço aberto ou espaços grandes e bem ventilados sempre que possível".


Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

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