Descrição de chapéu Coronavírus

Doria anuncia vacinação de pessoas de 72 a 74 anos a partir do dia 22 em SP

Governo antecipa anúncios de sexta para quinta-feira e acena com acirramento de restrições

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São Paulo

O governo João Doria (PSDB) anunciou nesta quarta-feira (10) que a vacinação de pessoas com 72, 73 e 74 anos será feita a partir de 22 de março no estado de São Paulo.

​O anúncio foi feito no Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, na zona oeste de São Paulo, na entrevista coletiva sobre medidas contra o coronavírus.

A vacinação da faixa etária entre 72 e 74 anos ocorrerá depois da imunização do público de 75 e 76 anos, a partir do dia 15.

Doria anunciou ainda a abertura de 338 novos leitos hospitalares no estado, dos quais 167 são de UTI. "Com isso, em duas semanas o governo de SP completou o anúncio da abertura de um total de 1.118 leitos hospitalares, sendo 676 de UTI."

O anúncio foi feito em momento de aumento da pressão por leitos em UTI e o número crescente de óbitos, o Centro de Contingência analisa restringir o horário de funcionamento de supermercados, açougues e padarias. São serviços essenciais que, atualmente, podem receber clientes livremente, seguindo os protocolos de segurança.

Havia expectativa, no próprio centro, de que esse anúncio ocorresse nesta quarta, o que não se concretizou. Há ao menos duas semanas, os técnicos do Centro de Contingência pressionam por medidas mais restritivas no estado, mais próximas a um lockdown —quando só se pode circular para tarefas urgentes, como comprar comida ou remédios.

O discurso que ampara essa defesa é o de que apenas aumentando as vagas de UTI será impossível resolver a situação, que pode exigir medidas mais duras.

O médico Paulo Menezes, do centro de contingência, rejeitou a palavra lockdown, mas acenou com um provável aumento de restrições.

"Hoje nós temos as medidas que correspondem à fase vermelha do Plano SP, que mantém atividades consideradas essenciais. A situação é realmente de muita gravidade. O centro de contingência discute isso há semanas e estamos discutindo com o governo a necessidade de novas medidas, eventualmente mais restritivas. Estamos trabalhando nisso, e acredito que conforme seja necessário o governador vai anunciar novas medidas se for o caso. Tudo indica que sim", disse.

Ainda, o governo anunciou que a próxima entrevista aos jornalistas para anunciar as medidas adotadas para conter a pandemia foi antecipada para a amanhã, quinta-feira (11), às 12h45, em vez de na sexta-feira (12), como costuma ocorrer. No evento, o governador deve apresentar o endurecimento de medidas restritivas no estado.

O secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, afirmou que a situação não para de se agravar. "Nesta semana tivemos as infelizes notícias de que batemos recordes, e não foram bons recordes. Tivemos nas últimas horas 517 mortes, foram histórias que foram desfeitas por conta da pandemia. Para se ter uma ideia, lá em agosto, quando atingimos o pico máximo do número de mortes, nós tivemos 455 mortes", disse.

Segundo ele, as UTIs do estado estão com ocupação de 82%; na Grande SP, o índice é de 82,8%. Há 8.872 internados em unidades de terapia intensiva.

Com o aumento de leitos de UTI anunciado nesta quarta, o estado chegará a 9.200 leitos.

"Aceleramos e aceleramos muito num período muito curto, com grande número de pessoas sendo comprometidas de uma única vez. Para se ter uma ideia, há apenas duas semanas, nós tínhamos 6.657 pacientes internados nas UTIs. Portanto, em duas semanas temos 2.315 pessoas que foram internadas com uma média de 130 internações nas UTIs por dia no estado", disse o secretário.

Antes dos anúnciso, Doria falou em "desastre" e situação "dramática" e fez críticas duras ao governo federal, ao qual ele atribui não só a falta de uma coordenação nacional para controle da pandemia como também à escassez de vacinas e de doses.

"O equívoco de ter apostado em uma única vacina e não em um complexo de vacinas e as medidas que o governo federal criou para dificultar o processo de compra da vacina do Butantan [Coronavac] faz com que em vez de hoje estar chorando a perda de milhares de vidas pudéssemos estar celebrando o avanço da vacinação e as vidas salvas", disse Doria, em alusão ao fato de o governo ter comprado inicialmente apenas as vacinas da AstraZeneca/Oxford.

O tucano também apontou o fato de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se opor ao uso de máscaras e ao distanciamento social, além de apoiar tratamentos inócuos e sem ação comprovada contra a doença, como o uso de ivermectina e cloroquina.

VARIANTES

Pela primeira vez em uma entrevista aos jornalistas, o grupo de cientistas que assessora o governo estadual falou sobre as chamadas variantes de preocupação do Sars-CoV-2, aquelas que, por serem mais transmissíveis, produzirem a doença na sua forma mais grave ou ainda bloquearem a ação de anticorpos que protegem contra a doença, causam preocupação.

As variantes podem, ainda, atrapalhar a proteção mesmo daqueles indivíduos já vacinados, caso as vacinas se mostrem não eficazes em proteger contra essas novas cepas.

Como foi antecipado pela agência de notícias Reuters na última segunda-feira (8), a Coronavac, vacina produzida pelo Instituto Butantan, é eficaz contra essas variantes. Os dados do estudo, que ainda não foi divulgado oficialmente, foram anunciados pelo próprio diretor do instituto, Dimas Covas, nesta quarta-feira (10).

De acordo com o estudo feito pelo Butantan, a Coronavac induz à produção de anticorpos neutralizantes contra as variantes do Sars-CoV-2, incluindo a P.1, originária de Manaus e que já é predominante na Grande São Paulo e em algumas regiões do interior, como Araraquara.

Covas disse ainda que em Serrana, município do interior de São Paulo onde o instituto desenvolve um projeto para vacinar toda a população adulta em dois meses e avaliar sua efetividade, ou seja, a eficácia na vida real da vacina, a P.1 já é predominante nas amostras do vírus colhidas e analisadas na região.

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