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Nova entrega de vacinas contra a Covid ao Brasil pelo consórcio Covax vai atrasar

Problemas com fabricante devem afetar ao menos 1,9 milhão de doses que deveriam chegar até o fim de março; novo prazo ainda não foi definido

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Brasília e Bruxelas

O consórcio Covax Facility, iniciativa vinculada à OMS (Organização Mundial de Saúde), informou ao Ministério da Saúde que a entrega de novas doses de vacinas ao Brasil deve sofrer atrasos.

O problema deve afetar cerca de 1,9 milhão dos 2,9 milhões de doses da vacina Covishield, da AstraZeneca, cuja entrega estava prevista para este mês —1 milhão de doses chegou ao Brasil no último domingo (21).

O Ministério da Saúde confirmou ter sido comunicado pela direção da Covax "sobre um possível atraso nas entregas de vacinas oriundas do consórcio".

De acordo com a aliança global da vacinação Gavi, que integra o consórcio Covax, "parte das doses da vacina de Oxford/AstraZeneca fabricadas na Coreia do Sul previstas para março agora estão programadas para ocorrer em abril". Em nota, o Ministério da Saúde brasileiro diz ter sido informado de que as remessas atrasadas devem ser entregues “até maio”. ​

Jarbas Barbosa, vice-diretor da Opas (Organização Pan-americana de Saúde), que participa da distribuição das vacinas da Covax para mais de cem países, também confirma a previsão de atraso do 1,9 milhão de doses que eram esperadas para este mês.

"Ainda estamos trabalhando com o produtor para estabelecer as novas datas", afirma ele, segundo quem a situação afeta diferentes países que recebem doses da AstraZeneca.

Os imunizantes são produzidos em oito locais diferentes, mas os enviados para o Brasil por meio da Covax vêm da empresa sul-coreana SK Bio.

Outros integrantes da Covax recebem imunizantes produzidos no Serum Institute, da Índia, onde as restrições são maiores, segundo Barbosa, devido à previsão de suspensão das exportações pelo governo indiano em março e abril.

“Felizmente, a grande maioria dos países da América Latina e Caribe recebem da SK Bio, que tem problemas técnicos que já estão sendo resolvidos", afirmou.

De acordo com o Gavi, “nesta fase inicial da implantação da vacina Covid-19, os fabricantes de vacinas precisam de tempo para dimensionar e otimizar seus processos de produção”.

A aliança afirmou no comunicado que a AstraZeneca “está trabalhando” para permitir o envio de vacinas “nas próximas semanas”.

Ao jornal britânico Guardian, o Unicef afirmou que a AstraZeneca deve compensar os volumes atrasados ​”durante o período de abril a maio”.

A Folha pediu uma previsão de prazo para normalização das entregas também ao fabricante sul-coreano, mas não recebeu resposta até as 17h30 desta quinta.

O Gavi afirma em seu site que “mantém seu objetivo de fornecer doses iniciais de vacinas a todas as economias participantes no primeiro semestre do ano, antes de aumentar significativamente no segundo semestre de 2021”.

Ao todo, o acordo do Brasil com a Covax envolve a entrega de 42,5 milhões de doses até o fim deste ano. Além dos 2,9 milhões neste trimestre —do qual só 1 milhão foi entregue—, estava prevista mais uma remessa de 6,1 milhões até maio e 33 milhões até dezembro.

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