Para desestimular viagens à praia, governo Doria suspende operação descida para o litoral de SP

'Quarentena não é férias', diz vice-governador Rodrigo Garcia

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São Paulo

O governo João Doria (PSDB) anunciou nesta sexta-feira (19) que suspendeu a operação descida do sistema Anchieta-Imigrantes.

"As faixas das rodovias que ficam disponíveis no sentido a Baixada Santista serão reduzidas. O objetivo é desestimular o aumento do fluxo de veículos em direção às praias nesta fase emergencial", disse o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM).

Segundo ele, a medida passa a valer a partir desta sexta (19) e vai ao menos até o fim do mês. "A gente quer reafirmar com esse cancelamento da operação descida que quarentena não é férias. Faremos de tudo, com ajuda dos prefeitos, para desestimular deslocamento de pessoas para o litoral".

O governo estadual tende uma ida em massa ao litoral após decisão da prefeitura paulistana de antecipar feriados.

Covas decidiu adiantar cinco feriados municipais para tentar conter o avanço da doença. Doria, no entanto, afirmou nesta sexta-feira (19) que faltou bom senso da prefeitura.

“As prefeituras têm autonomia para suas decisões, e nós reconhecemos isso. Mas há certas decisões que o bom senso recomenda que sejam compartilhadas previamente com o governo dado ao fato de que a decisão de uma cidade muitas vezes implica em impacto nas cidades vizinhas. Faltou aí um pouco de bom senso da Prefeitura de São Paulo em fazer esse compartilhamento prévio para evitar exatamente o mal-estar que acabou provocando", disse o governador, durante visita ao Instituto Butantan.

Covas, após a manifestação do governador, emitiu uma nota: “O senso que falta é o senso de urgência. Aqui na Prefeitura tem menos falação, foco no trabalho e colaboração. Faço o máximo que posso para defender o povo da minha cidade. Sempre aberto a colaborar com outras cidades e com o governo do Estado. Mas cada um precisa assumir suas responsabilidades.”

Durante coletiva, o vice-governador Rodrigo Garcia também falou sobre o assunto e colocou panos quentes no assunto. "É fundamental a população entender que estamos vivendo uma guerra e nem sempre a comunicação na guerra é perfeita. Existe um alinhamento total do estado, da prefeitura de São Paulo, das prefeituras do interior", disse. "Nesses momentos de decisão sempre existe também opiniões divergentes. Nós temos que ter tranquilidade e serenidade nesses momentos difíceis que a sociedade vive. O estado está respaldando todas as medidas tomadas pela capital e por outras cidades do interior."

O secretário estadual de Transportes, João Octaviano, afirmou que a demanda de suspender a operação descida foi dos prefeitos. O sistema vai operar no modelo cinco por cinco, com três faixas da Imigrantes e duas da Anchieta para cada um dos sentidos.

O prefeito de Santos, Rogério Santos (PSDB), também citou impacto da decisão de Covas na Baixada Santista. "O decreto do município de São Paulo impacta diretamente os municípios da Baixada Santista, visto o turismo e que na Baixada Santista há a característica de uma segunda residência", disse. "É momento de pedir, não saiam de casa, não venham para a Baixada Santista".

A operação descida normalmente funciona no esquema sete por três. O parâmetro para a operação é quando o movimento passa de 5 mil veículos por hora, com objetivo de garantir a fluidez.

Agora, com a pandemia, pelo contrário, a ideia é dificultar essa fluidez. "É um forte desestímulo para que as pessoas deixem de ir para as praias. E os painéis de mensagem das rodovias terão a informação sobre os cuidados sanitários e que está cancelada a operação", disse Octaviano.

O Sistema Anchieta-Imigrantes é composto pelas rodovias Anchieta, dos Imigrantes, Padre Manoel da Nóbrega, dos km 270 ao km 292 (Praia Grande), e Cônego Domênico Rangoni.

Segundo o governo, houve queda nos veículos após o período emergencial. Entre 5 e 7 de março e 12 e 14 de março, a média da descida foi de 130 mil veículos e a da subida, de 115 mil. No ano, a média da descida foi de 198 mil e da subida, de 177 mil. ​

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