Descrição de chapéu Coronavírus

Superlotado, hospital de Porto Alegre instala contêiner refrigerado para acomodar corpos

Hospital Moinhos de Vento está operando com quase 120% da capacidade

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Curitiba

Enfrentando um colapso diante da explosão de internações por Covid-19, o Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), instalou nesta terça-feira (2) um contêiner refrigerado para armazenar corpos de pacientes mortos pela doença na unidade.

A instituição particular afirmou, por meio de um comunicado, que se trata de uma medida preventiva, a ser utilizada “somente em caso de real necessidade, considerando a possibilidade de atrasos na retirada dos óbitos por parte das funerárias”.

O necrotério do hospital possui capacidade para armazenar três corpos, quantidade que, segundo a instituição, é adequada ao porte da unidade, mas que pode ficar comprometida diante do aumento expressivo de mortes por Covid-19.

A taxa de ocupação de UTIs ultrapassou os 100% nesta terça-feira em Porto Alegre e muitos hospitais da cidade estão abrindo vagas em leitos improvisados, ocupados atualmente por ao menos 24 pacientes.

Contêiner alugado pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre - Marcos Nagelstein/Folhapress

No Moinhos de Vento, o índice chegou a quase 120%, com 79 pacientes para 66 leitos. Isso porque a unidade abriu novas alas para atender a demanda crescente. Do total, 91%, ou seja, 72 dos internamentos são de casos confirmados de Covid-19.

Em entrevista à Folha na quinta-feira passada (25), o diretor do hospital, Luiz Antonio Nasi, já alertava para o iminente colapso, mesmo com a ampliação de 30% da capacidade de atendimento, com abertura de espaços para Covid-19 em todas as áreas do hospital.

“É uma situação delicada, não tem leito de UTI, mas temos que oferecer atendimento adequado, então abrimos duas áreas na emergência para UTI, mas já estamos realmente no limite. É a pandemia em situação catastrófica”, afirmou na ocasião.

Nasi chamou a atenção ainda para uma mudança no perfil dos pacientes em relação a outras fases da pandemia, em geral mais jovens e muitos sem comorbidades. Hoje, pessoas com menos de 60 anos de idade correspondem a 35% dos internados na unidade.

“Não sabemos exatamente o que está acontecendo, se está circulando alguma variante do vírus, se é efeito do pós-Carnaval, e não podemos excluir a hipótese de agravamento do vírus porque muita gente tem usado corticoides na fase pré-hospitalar, o que gera efeitos”, disse.

Logo após assumir a prefeitura de Porto Alegre, em janeiro, o prefeito Sebastião Melo (MDB) anunciou que a capital adotaria o “tratamento precoce” contra a Covid-19, apesar de não haver comprovação de que remédios como a cloroquina e a ivermectina combatam a doença.

Na ocasião, ele também restringiu o horário de funcionamento de bares e restaurantes, já que a cidade estava com mais de 80% de UTIs ocupadas. Hoje, o índice ultrapassa os 100%.

O sistema de monitoramento de leitos da prefeitura aponta que, além do Moinhos de Vento, outros oito hospitais da capital –dos 18 que atendem pacientes com Covid-19– estão lotados ou operando acima da capacidade. O Hospital das Clínicas de Porto Alegre tem a segunda maior taxa de ocupação: 110%.

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